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terça-feira, 31 de julho de 2012

A PREFEITURA, o reality show

A essa altura do campeonato, o último doido que abriu fogo contra uma multidão já é notícia velha e, sendo nos EUA, mais velha ainda. Lá, esse tipinho é produzido em escala, agora mesmo, deve haver outros planejando seus momentos de glória para o noticiário. A gente nem deveria se espantar mais. Virou mesmície.

Antes desse caso, o anterior, sim, causou espanto, pois foi na Noruega, que, desde que os Vikings aposentaram os machados, é uma terra de gente muito ordeira e da paz, tanto é que entregam, anualmente, o Prêmio Nobel, em cerimônia solene em sua capital, Oslo.

Aqui no Brasil, como prova de que temos talento para o andar de cima, o clube dos países desenvolvidos, tivemos dois casos espetaculares. Um deles, muito parecido com o matador do filme do Batman no Colorado, abriu fogo com uma metralhadora contra a platéia de um cinema no Shopping Morumbi, em São Paulo, durante a exibição de um filme também violento, " O Clube da Luta".  E as semelhanças não param por aí: aqui, era um estudante de Medicina, lá, um doutorando em Neurologia. 

Vários recados podem ser entendidos dessas características recorrentes: filmes violentos tornam as pessoas violentas, estudantes de Medicina podem enlouquecer, estudantes de Medicina andam armados, estudantes de Medicina têm dinheiro para comprar armamento pesado, é fácil entrar armado no cinema, os estudantes de Medicina não conseguem conter a ansiedade e esperar para dispor da vida humana só depois de formados, e por aí vai, a imaginação não tem limites e, comprovadamente, a imbecilidade humana também não.

O outro caso de serial killer brasileiro aconteceu em uma escola do Rio de Janeiro, onde um estudante (olha ele aí de novo) entrou atirando e matando.  Vão ter de colocar detetores de metal e cães farejadores de pólvora na porta das escolas e salas de cinema, por enquanto: quero ver na Copa. Até 2014, do jeito que a coisa vai, os 22 jogadores em campo vão acertar a bola a tiro. Em São Paulo, virou faroeste.
Se nos EUA é permitido comprar armamento e munição pelo correio, como se fosse um DVD do Andre Rieu (as quatro armas e as 2 mil balas do assassino de Aurora, Colorado, foram entregues na casa dele, pelo carteiro), em São Paulo a polícia mata mais que em todos os Estados Unidos da América. Nos últimos cinco anos, a PM do Estado de São Paulo (que tem uma população de 41 milhões) atingiu o índice de 5,51 mortes por 100 mil habitantes, enquanto nos EUA (que tem 313 milhões) a taxa é de 0,63. Ou a polícia de São Paulo atira primeiro e pergunta depois, ou os gatilhos das armas paulistas são muito mais sensíveis ou as balas são mais em conta aqui.

Eu tenho medo da polícia. Também tenho medo dos estudantes de Medicina, dos médicos, dos Vikings, dos vencedores do prêmio Nobel, do Andre Rieu e dos fãs do Batman, que eu mesmo já fui, mas parei. 

No filme anterior, o "Cavaleiro das Trevas", eu fiquei inquieto na cadeira do cinema, me sentindo desconfortável, querendo que acabasse logo, com vontade de sair no meio do filme. Eu botei apelido naquilo de "Tropas de Elite em Gotham City" (e eu não assisti "Tropas de Elite", nem 1, nem 2, nem as centenas que acontecem nas ruas, todo dia, nem o noticiário policial da TV). Não curto isso.

Para quem eu falei isso, batmaníacos, queriam me trucidar (comprovando que a exposição a altas doses de violência gera sentimentos hostis), argumentando que, na opinião de todo mundo, foi o melhor filme do super-heroi. Tô fora. Tenho um adesivo do morcego atrás do meu carro, mas, aparentemente, aquele Batman (desenhado por Neal Adams) que eu gostava não existe mais. Vou ao cinema para relaxar, para me divertir, não para ver algo pior que a realidade e sair de lá mais estressado do que quando entrei, com o coração disparado.


Preciso ter cuidado com o estresse: entrei para o clube dos hipertensos. Uma noite dessas, depois de um dia inteiro de dor de cabeça e dor no ombro esquerdo, percebi que o lado esquerdo do queixo e dos lábios estavam adormecidos, formigando, como se tivesse levado uma anestesia do dentista Jacques Szuster (aliás, Jales Fuster). Minha mulher mediu minha pressão (20-10) e corremos para o hospital. Desde então, tomo um medicamento diariamente. Evoluí do Tarzan para o Mandrake, que é como apelidei os remédios. O primeiro, Lozartana, eu inverti as sílabas para LoTarzana e virou Tarzan. O novo, prescrito pelo cardiologista, é o Lotar, o parceiro do Mandrake.
Pois uma noite dessas, meu carro foi "fechado" por uma viatura da PM quando eu chegava à farmácia na Praça 14 Bis. De dentro, saltaram uns quatro ou cinco policiais fortemente armados, ostentando ostensivamente, armas de grosso calibre, balançando no ar, exibindo ululantemente. Levei um susto! Do meu ponto de vista, pareciam bazucas, pois o máximo que eu conheço de armas eram minhas pistolinhas de espoleta da infância. Eles chegaram para se confraternizar com seus colegas da "Base Comunitária Móvel" ali da praça, também armados até os dentes.  Eu tive de engatar ré, desviar da viatura para ter acesso às vagas de estacionamento na frente da farmácia, para onde pacificamente me dirigia sem ser percebido, mesmo sendo um cidadão de bem, pagante de impostos, cuja única arma é o meu humor, mal ou bom, dependendo do dia, que pode matar as pessoas de irritação ou de rir.


Faz um ano que moro no atual endereço. Antes, fui síndico (eleito e reeleito duas vezes) por quatro anos do condomínio onde que morei por quatro anos e cinco meses. Quando me mudei para lá, o motorista do táxi, quando eu disse o endereço, retrucou "ah, eu sei onde é, lá na rua do PCC!" Eu me espantei, "como é que é? Rua da facção criminosa Primeiro Comando da Capital?" "Isso mesmo", ele disse, "a sede deles é na esquina da rua tal com a rua tal". "E a polícia sabe disso?", perguntei. "Sabe, todo mundo sabe, todo taxista sabe", respondeu. 


Quando eu me tornei síndico, o porteiro noturno, que era velho de guerra e estava no cargo há mais de 15 anos, me explicou que os ladrões e arrombadores de carros da rua, antes de executarem os serviços, faziam um sinal para o nosso porteiro lá na guarita, perguntando se o veículo era do condomínio. Se o porteiro fazia um sinal de positivo, os ladrões desistiam e deixavam o carro em paz. O patrimônio do nosso condomínio estava sob a proteção dos nossos vizinhos, estávamos na área deles. Se o porteiro respondia com um sinal de mão que não conhecia o veículo, bye-bye carro. E em dezembro, todo ano, além da "caixinha" para os lixeiros e para os carteiros, este síndico deixava a verba com o zelador para ser entregue aos nossos protetores. E assim foi. Não mexi em time que já estava ganhando há muitos anos.

No meu novo endereço, eu tenho a comodidade de atravessar a rua e ir ao cinema do shopping, quase em frente, como fiz para assistir ao filme do Homem-Melissa ali em cima (notem o detalhe dos pezinhos dele). Foi divertido e desestressante. Esse shopping tem fama de ter apenas frequentadores tranquilos, sensíveis, rapazes alegres, que preferem o amor à guerra. 


Pois eis que, de repente, o meu cinema está ameaçado pelo maníaco dos shoppings, o prefeito nunKassab. Antes, a prefeitura já ameaçou de fechamento os shoppings Higienópolis, Center Norte, Pátio Paulista, Moóca e sei lá mais quantos. É uma onda. O arrastão da prefeitura, determinando o fechamento de centros de compras e lazer lotados de pessoas que dependem de seus empregos, que funcionam há mais de uma década (ou quase 3 décadas, no caso do Center Norte) por alegações diversas, de falta de alvará de funcionamento, dívida tributária, falta de vagas de estacionamento a problemas do subsolo. Coincidentemente, alguns desses shoppings são administrados pela mesma empresa cuja diretora denunciou um esquema de exigência de propina por um órgão da prefeitura (cujo responsável foi afastado) para a emissão de alvarás de imóveis.


Por outro lado, não são só os shoppings centers que estão alvo do maníaco: ali ao lado da Praça Roosevelt, ele vai por fim a uma feira de rua tradicional, que funciona desde 1938 aos domingos e atende à conveniência de moradores do entorno da Bela Vista, Consolação, Vila Buarque e República. Por que? Porque a feira vai "atrapalhar" as atividades e eventos culturais previstos para a nova Praça Roosevelt, única obra a ser inaugurada pelo nunKassab antes das eleições deste ano. 


Esperada há mais de uma década, finalmente a reforma da praça será concluída, mas por quase o dobro do preço previsto. O custo final deve chegar a R$ 66 milhões. Mesmo depois da inauguração, prevista para setembro, a prefeitura fará nova licitação de mais R$ 11 milhões, para instalação de equipamentos da garagem subterrânea, que não estavam previstos na reforma. O povo, que queria tanto a reforma da praça, vai perder a feira com a qual estava acostumado há 74 anos. Não se pode ter tudo.


E aí, cidadão, você escolhe a praça ou a feira? A escola ou o hospital? Esse negócio de escolha é um jeito quadrado de ver o mundo. O mundo não é só preto ou branco, tem os cinzas. Leonardo da Vinci era pintor, escultor, inventor, arquiteto, médico e alquimista, não precisou escolher só uma profissão e abdicar dos seus outros talentos. É possível o sujeito fazer um monte de coisas e fazer todas bem. Como também é possível ser advogado, jornalista, cartunista, lojista, professor, apresentador e antropólogo... e fazer tudo meia-boca. O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, tem seis esposas, não precisou escolher uma só (por essa, eu arrisco apanhar em casa). Manteve todas as candidatas. Quando uma não está legal num dia, ele chama a próxima. Esse é o reality show particular dele.


Pode ser uma alternativa menos estanque para a escolha do prefeito da nossa cidade. Por que ter de escolher um? Quem quer ser prefeito? Serra, Russomano, Haddad, Soninha, Paulinho? Entrem todos. A gente só vota na ordem, os mais votados, entram primeiro. Todo mês, o prefeito vai para o paredão e os telespectadores e internautas decidem: fica ou sai? Se for decidido que sai, ele vai para o fim da fila e sobre o próximo. Assim a gente não fica preso a uma única pessoa durante quatro anos, com ela fazendo besteira atrás de besteira.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

É TUDO MENTIRAAA!!

Vamos começar do começo: lááá atrás, há alguns zilhões de anos, não houve o Big Bang que sempre lhe ensinaram. Esteve mais para Big Splash, já que não há som no vácuo do espaço. Muito tempo depois, a gente chegou aqui. Isso. A gente veio de algum lugar, certo? Antes, os dinossauros foram tirados do nosso caminho. Nunca ninguém viu um dinossauro vivo, olho no olho, nem na Escócia. Morreram todos e viraram petróleo. Sentiram aqui o cheiro de conspiração, de manipulação? Afinal, onde tem petróleo, tem tramóia. Aí tem. Os dinossauros foram extintos para que a indústria automobilística sobrevivesse. Daí, a Kombi.


Quem matou os dinossauros? Ninguém sabe e ninguém viu. Especula-se que foi o clima e o meio ambiente, esses que as ONGs agora defendem descaradamente. Com os bichões mortos e enterrados, surgiram Adão e Eva sozinhos no Éden com uma serpente falante e uma macieira. Fala sério! Tem gente que acredita nisso. E tem gente que é obrigada a acreditar. 


Depois de comer a maçã, eles fizeram dois filhos, o Caim e o Abel. Um matou o outro e ficou sozinho no mundo. Sei. Que tédio. Cadê a mocinha dessa história sem graça? Como é que a gente teve continuidade? Só sobrou um! Quem viu o crime? Cadê as testemunhas? Quem fez o B.O.? Como a gente sabe desse caso hoje?


Será que o Caim se arrumou com uma macaca? O elo perdido! Dizem que temos um ancestral comum com os macacos. Mas também ouvi dizer que usam órgãos de porco para transplantes em humanos por serem os mais semelhantes. Então, a humanidade pode ser uma porcaria.


Um dia Jesus nasceu e rachou o tempo em AC e DC. Só que foram decidir isso bem depois, então ninguém se lembra quando exatamente ele nasceu. Pode ter sido do ano -4 (menos 4) ao +6, dez anos de margem de erro. Para sermos exatos, hoje, com certeza, não é 2012. Pode ser 2008 ainda ou já ser 2018 DC. Nesse caso, a Copa já passou, as Olimpíadas já foram, o Itaquerão não está pronto e a Hebe ainda está viva.


E quem inventou de comemorar o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro? Os ingleses. Essa data já era festa mesmo, era celebrado o solstício de inverno e era tradição enfeitar pinheiros e guirlandas para homenagear a natureza, um costume pagão. Para economizar festa, portanto, fizeram Jesus pegar carona numa festa nada cristã e tudo bem. Recentemente os estudiosos chegaram à conclusão que ele teria nascido, possivelmente, em setembro, sabe-se lá de que ano.


Jesus nasceu judeu. Mas discutiu com rabinos quando criança, em visita a Jerusalém, e depois, quando adulto, expulsou comerciantes da porta do templo e isso lhe custou o apoio deles. Os judeus não o reconhecem como o Christo (messias, em grego) nem dividiram o tempo, estão no ano 5.772 esperando ainda o messias aparecer. 


Ironicamente, quem adotou Jesus foram os romanos, depois de o terem julgado e executado. Um imperador romano, Constantino, acordou de um pesadelo no meio de uma guerra que estava perdendo, em 312 DC (trezentos e doze anos depois do que, hoje, se supõe ser o nascimento de Jesus), e mandou pintar uma cruz, com a qual tinha sonhado, nos escudos dos seus soldados, e ganhou a guerra. 


Rola a história de que daí Constantino virou cristão. Mas, na verdade, ele nunca foi batizado e, no dia anterior à sua morte em 337, ele fez um sacrifício a Zeus (sua mãe era grega e ele se dizia um protegido de Hércules, o semi-deus grego). O que ele teve foi uma boa ideia e não foi a 51. 


O cristianismo já estava bombando, tinha virado religião oficial da Armênia, da Etiópia e da Georgia e crescia entre gente pobre e escravos. Constantino resolveu, ao invés de ficar contra, não só aderir como patrocinar para poder controlar. Além de difundir a cruz como símbolo oficial (os seguidores de Jesus, antes, se reconheciam pelo símbolo do peixe) ele colocou ordem em tudo. Convocou cerca de 300 religiosos e o papa São Silvestre, em 325, para uma reunião em uma cidade da Turquia (Niceia, hoje Iznik), com tudo pago, transporte, alojamento, refeições, para definir todos os dogmas do cristianismo e, inclusive, literalmente, fazer o rascunho da Bíblia. Constantino abriu pessoalmente e formalmente a sessão, chamada de Primeiro Concílio (na verdade, o segundo, pois o Primeiro Concílio, mesmo, foi convocado por São Pedro, no ano 51, em Jerusalém).


O que conhecemos hoje como Bíblia é uma coletânea de textos escritos durante quase 1600 anos por 40 autores, nenhum deles conviveu com Jesus. Constantino interferiu, pessoalmente, na escolha dos textos que iriam compor o livro e quais ficariam de fora, proscritos, banidos, apócrifos, por serem inconvenientes. 


O livro sagrado dos judeus, a Torá, escrito entre 1445 e 450 AC, foi incluído inteiro e rebatizado de "Velho Testamento", afinal, aquelas histórias de Deus ter criado o mundo em 6 dias e descansado no sétimo, o caso de Adão e Eva, de Caim e Abel, de Moisés recebendo os 10 mandamentos, abrindo o Mar Vermelho e a Arca de Noé são muito bacanas e dão ótimos roteiros de filmes. Deus estava muito inspirado quando ditou isso tudo.


Para o Novo Testamento foram escolhidos quatro textos, escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João. Mateus e Marcos escreveram, em grego, por volta do ano 70, ou seja, mais de trinta anos depois da morte de Jesus, que morreu aos 33. João definiu a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) no ano 90. Lucas foi o único que conviveu com alguém que conviveu com Jesus: o apóstolo Paulo. O texto de Lucas foi escrito no ano 45, depois de ele acompanhar Paulo em suas pregações. Lucas não era judeu. Nasceu na Síria, era médico, morreu solteiro e sem filhos os 84 anos na Grécia.


Numerosos outros textos foram descartados da edição da Bíblia. Se o próprio Jesus ou um dos 12 apóstolos que realmente o acompanharam, ou Maria Madalena, deixaram alguma coisa escrita, foi para a lata do lixo porque Constantino e seus bispos não acharam legal.


O cristianismo se tornou a Igreja Estatal do Império Romano, em 380, depois da morte de Constantino. Toda a civilização ocidental é baseada nos dogmas inventados naquela reunião patrocinada por ele. Atualmente, o cristianismo tem 2 bilhões de adeptos no mundo, 33% da população do mundo, religião predominante na Europa, América, Oceania e em partes da África e Ásia. 


Uma das maneiras da igreja romana arrecadar recursos para sua causa, era vender lotes no céu para gente rica. Os ricos, podiam fazer maldades em vida, mas, conforme o que pagavam à igreja, recebiam uma escritura de um bom lugar de descanso eterno. O Vaticano, portanto, se firmou como uma espécie de imobiliária celeste. Ainda hoje, muitos religiosos enriquecem em nome de Deus e invocando Jesus. Eu tenho plena certeza, sem a menor sombra de dúvida, que Jesus não tinha essas intenções.


Uma outra maneira que a igreja encontrou de ganhar dinheiro foi abençoar exércitos e expedições exploratórias. No caso dos exércitos abençoados, para que eles matassem em nome de Jesus, caso eles vencessem as guerras, a igreja lucrava com isso, recebendo sua parte da pilhagem do povo derrotado. Nas expedições exploratórias também, expandindo sua presença e influência e ganhando território. Em todas as cidades da Europa, das Américas e da Oceania, os terrenos mais valorizados, melhor localizados, pertencem ao Vaticano, e são isentos de tributos.
Uma daquelas expedições foi capitaneada por Cristóvão Colombo, nascido em Gênova, na atual Itália, que levou os espanhóis, em 1492, ao Novo Mundo, tentando achar uma rota nova para a Índia navegando para oeste. Quem deu o nome à nova terra, no entanto, foi outro italiano, nascido em Florença, Américo Vespúcio. Colombo nunca realmente colocou os pés nas terras continentais em quatro tentativas (foram quatro expedições: em 1492, 1493, 1498 e 1502) se limitando às ilhas do Caribe. Oito anos depois da primeira, em 1500, os portugueses dizem que Cabral descobriu o Brasil, também por acaso, tentando dar a volta na África para ir à Índia. 


Na verdade, ninguém descobriu nada, só tomaram posse, foram oportunistas. Três meses antes de Cabral ver o Monte Pascoal, um espanhol chamado Vicente Pinzón (que tinha vindo antes, com Colombo, como capitão e dono do galeão Niña) já tinha aportado na costa do Ceará e percorrido todo o norte do Brasil até a foz do rio Amazonas. Deve ter deixado DNA espanhol com as índias brasileiras antes dos portugueses. Mas, antes ainda de espanhóis e portugueses, os Vikings já tinham descoberto a América, estabelecendo colônias durante 5 séculos na Groenlândia, no Canadá e nos Estados Unidos. 


Visto pelo lado dos Maias, dos Astecas, dos Incas, dos Tupis, dos Guaranis e todos os outros povos que já estava aqui fazia tempo, o "descobrimento" foi o fim e não o começo. Atualmente, os antropólogos e arqueólogos revelam em descobertas que os chineses e os polinésios (sendo um povo também decorrente do outro) já estiveram há muito tempo aqui e podem ser a origem dos olhos amendoados dos nossos índios.
Muito tempo depois, em 1980, foi fundado em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores, um dos maiores e mais importantes movimentos de esquerda da América do Sul. Na época, o governador do Estado de São Paulo era seu inimigo número 1, Paulo Maluf (atualmente procurado pela Interpol, em razão de mandado expedido pela promotoria de Nova York, que o acusa de movimentar ilicitamente milhões de dólares no sistema financeiro internacional sem justificativa fundamentada, tendo sido preso em 2005). O PT elegeu o seu primeiro prefeito de uma capital em 1985, em Fortaleza, Ceará, Maria Luiza Fontenele, também a primeira mulher prefeita de uma capital. Três anos depois, em 1988, elegeu Luiza Erundina para a prefeitura da maior cidade de América do Sul, a primeira mulher a governar uma metrópole. 


Daí...



quarta-feira, 9 de maio de 2012

VINGADORES

Lógico que eu já fui assistir ao filme dos Vingadores. O Hulk deu show. Assisti até a última linha dos créditos, onde li Walt Disney Productions. Espanto! Eu sei, eu sei, que a Disney comprou a Marvel, mas ainda me espanto. 

Antes de se vender para a Disney, a Marvel tentou sair da crise loteando seus personagens: franqueou o Homem-Aranha para a Columbia, o Quarteto Fantástico e os X-Men para a Fox, o Thor para a Paramount e por aí foi. Ainda bem. Se não fosse assim, a gente corria o risco do Zack Efron, de High School Musical, virar o Peter Parker. 


Na abertura dos Vingadores, tinha o logo da Paramount, no meio dos créditos estava Lucas Films, ILM (Industrial Light and Magic), locações em Ohio, na Pennsylvania, em Nova York, efeitos especiais na Weta, na Nova Zelândia (do Peter Jackson, de "Senhor dos Anéis") e pós produção na Austrália. Ou seja, o mundo fez o filme. É um filme de grandes estrelas, de medalhões, dentro e fora das telas. Estourou! Já deu para recuperar o prejuízo da Disney com o fracasso de "John Carter - Entre Dois Mundos".


E, mais uma vez, Nova York pagou o pato. De todas as vezes que fui aos EUA, só estive em Nova York por quatro dias, em 1985. Eu, hein? Tô fora. Quando não são os terroristas, são os vilões de todos os filmes e até mesmo os heróis que detonam a cidade. Todo mundo por lá tem um alvo na cabeça. Los Angeles é bem mais calma, só tem um terremoto ou um vulcão muito raramente. Miami, por exemplo, nunca foi destruída num filme. Boston não fede nem cheira. 


Mas eu ainda estou esperando um filme com um outro super-herói da Marvel, que também complicava a vida dos moradores de Nova York, uma vez ou outra. Quando eu era criança pequena, lá em Nova Granada, eu comprava os gibis dele na única banca de revistas da cidade (acho que até hoje só tem uma): o Namor, o Príncipe Submarino. Ele anda meio desaparecido, foi colocado na prateleira. 


Para usar um trocadilho que me ocorreu agora, ele está no ostracismo (que soa como um canteiro de ostras tremendo). Meu candidato para o papel título é o Keanu Reeves. A não ser que tenham mudado a cor do Namor, nunca se sabe. Ele pode passar um tempo na prateleira fazendo bronzeamento artificial. Se for o caso, pode ser o Will Smith, que até já foi o James West mesmo. 

Isso anda na moda faz um tempo. O Nick Fury, esse cara do tapa-olho dos Vingadores, já foi branco com cabelo cortado "escovinha", parecia o J. Jonah Jameson, do Clarim Diário (Daily Bugle). De uns tempos para cá, virou o Samuel L. Jackson. Até o Homem-Aranha, inventaram uma versão afro para ele num universo paralelo.
Barack Hussein Obama, em campanha pra a reeleição, recebeu, em seu gabinete, na Casa Branca, o apoio da atriz Nichelle Nichols (a Uhura, de Star Trek) e ambos fazem o gesto de saudação vulcana consagrado por Spock. Obama, nascido no Havaí, de pai africano e muçulmano (do Quênia), criado por padastro muçulmano na Indonésia até os 6 anos de idade, depois pelos avós maternos no Havaí, é o primeiro presidente negro do país nº1 do mundo (até no DDI). Nichols foi a primeira atriz negra a beijar um branco na TV e a fazer um papel que não fosse de empregada doméstica.
Por falar em Star Trek, o Chris Hemsworth, que foi o pai do recém-nascido James Tiberius Kirk no último filme, é o Thor novamente e ainda não me "desceu", desde o primeiro filme em que ele encarnou o papel. Não é culpa dele. Ele é bom ator. O problema sou eu. A imagem que eu fazia do Thor era de um rosto mais rude. 
O meu boneco do Thor parece o Arnold Schwarzenegger.  Perto dele o Chris/Thor tem cara de bebê-surfista-chorão que acaba de sair do cabeleireiro. Muito perfumadinho! Muito delicado! Eu esperava um Thor mais com cara de macho-fera e menos de astro do rock-gostosão-para-a-galera-feminina. 
Claro que eu devo estar errado e a Marvel/Disney está certa. A bilheteria diz tudo. A minha crítica é a mesma que se fez quando Kevin Sorbo vestiu o Hércules. Aliás, para mim, ele sim daria um ótimo Thor.
Beyoncé Knowles revela favoritismo indo a festa fantasiada de Aranha. 
Agora é esperar pelo Homem-Aranha 4, agora encarnado pelo Andrew Garfield no lugar do Tobey Maguire. Para mim, o Tobey era perfeito. Peter Parker tem que ser nerdíssimo e derrotado (loser) e o Tobey passava isso. Vamos ver o Andrew. Até agora, pelas fotos que vi e nos videos que dão uma prévia do filme, eu achei o novo Peter mais "safo", mais adolescente ativo, de balada. Estão mudando o meu herói.
Uma Beyoncé ruiva teria sido uma Mary Jane (nos quadrinho, uma mulher exuberante, extrovertida e baladeira) melhor que a insossinha e fragilzinha Kirsten Dunst.
No filme 4 a "mina" da vez não é mais a Mary Jane Watson, mas a Gwendoline Stacy, ou apenas Gwen, para os íntimos, a primeira paixão do Peter Parker que, no gibi, foi morta pelo Lagarto ao ser atirada do alto da ponte sobre o Rio Hudson, em Nova York. No Gibi (da EBAL, da minha coleção que está lá em Nova Granada), a Gwen era loirinha e um docinho frágil. 


A vizinha do lado, que consolou o Peter depois que a Gwen morreu, era ruiva, quente e poderosa (em todas as versões anteriores). Sam Raimi (o diretor dos filmes 1, 2 e 3 - e produtor das séres de TV Hércules e Xena) deu à MJ/Kirsten Dunst a personalidade que seria da loirinha. Vamos ver agora, como vão fazer a Gwen, filha do coronel, da polícia de Nova York, Stacy.
Na Inglaterra, uma família chegou em casa e encontrou o hamster pendurado e preso na grade da jaulinha pelas bochechas: ele tinha comido o íma de um dos pés do boneco do Homem-Aranha e adquiriu um dos superpoderes do herói - grudar na parede.
Já o Batman, também uns dos temas favoritos das minhas coleções de gibi, ao contrário do mundo inteiro, eu não estou ansioso esperando a continuação do Cavaleiro das Trevas, aliás, nem curti a primeira parte das trevas. Achei que o subtítulo do filme poderia ter sido "Tropa de Elite em Gothan City". Pesado demais, sem humor algum, e muito homem para pouca mulher. No filme todo, tinha três mulheres: uma velha, uma doente e uma que morreu logo. Ponto. É muito macharal. Eu gosto de mulher! 


Desde que começou essa trilogia, quando eu soube que o vilão do "Begins" seria o Ra's Al Ghul, fiquei animado para ver a melhor parte dele: a filha, a gatíssima Talia. Nada. No gibi o Ra's conhece o Batman através da filha, que seduz (sem esforço) o morcegão. No cinema, sumiram com ela.


E o Christian Bale, com aquele biquinho de chupar ovo emoldurado pela máscara e aquela voz de fundo de armário? Para mim, o menos pior, no cinema, foi o Michael Keaton. Um Bruce Wayne baixinho e com cara de neurótico. Ótimo.
Enquanto o mundo aguarda o próximo filme do Batman, eu ainda acho que um detalhe fundamental para qualquer ator que interpretasse o papel é ter um queixo digno de ser ostentado para fora da máscara, tipo Steven Seagal, que ainda leva vantagem por ser um lutador de verdade. Depois de Adam West, Hollywood vive escalando atores boca-murcha para o papel. O menos ruim, surpreendentemente, foi o baixinho Michael Keaton.


Eu gosto tanto de mulher que ando até achando a Dilma simpática. Nossa vingadora. Ela está forçando os bancos a baixarem os juros dos empréstimos e do cheque especial. Com isso, afugentou os especuladores estrangeiros, enxugou os dólares no mercado e fez a cotação subir. Mágica. Uma boa parte do chororô dos empresários brasileiros resolvida em uma penada (ou canetada). Não era isso que todo mundo reclamava? Ponto para ela. Corajosa. Falta o governo também decidir arrecadar (esfolar) menos, aí sim ela vai fazer caridade e não com o bolso alheio.

Dilma está forçando os bancos privados a baixarem os juros dos empréstimos e do cheque especial tomando a inciativa com o BB e a Caixa. Como consequência dos juros mais baixos, os especuladores estrangeiros levam seus dólares embora e a cotação sobe, deixando os produtos brasileiros mais competitivos para exportação. Falta mexer na escorchante carga tributária para a indústria brasileira ter mais chances com a concorrência.


Os bancos brasileiros, aqueles que todo ano apresentam lucros históricos e astronômicos às nossas custas, estão tendo de rebolar, com seus tentáculos e hálito de fogo. Parece enredo de filme de ficção. Os heróis sempre vencem no final, pois mais heterogêneos que sejam e se estranhem no começo do filme (a porrada do Hulk no lindinho Thor é hilária!). 
Vingadores: Thiago (in memorian), Marcolândia, Raulito, Willian Nakamura, Samamba, eu, Avelino, Wel e Marcelo (da IFT - International Federation of Trekkers) fazíamos o Trek Dia Feliz, evento que juntava fãs de Star Trek e outros temas de ficção científica para curtir vídeos e outras atividades juntos e arrecadar donativos variados para instituições de caridade. Foram 31 edições, entre junho de 1998 e junho de 2003, além da organização de quatro encontros de fãs da Xena - A Princesa Guerreira.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

ABRIL NO BRASIL

    Os portugueses chegaram no dia 22 de abril de 1500.

   Escaparam por pouco de chegar no dia anterior, que seria feriado, por causa de um dentista que foi enforcado em Minas, em 1743. Parece que o que ele fez foi inconfidência. Hoje em dia, mineiro fala pouco, fala baixo, come quieto, debaixo dos panos, só faz confidência. 

    Dentista então, tudo de branco, maior pureza, se defendem como podem com a broca. Não ouvem quase nada além de hummm, ai, ugh, e não espalham.

    Era dia de Páscoa e eles avistaram um monte, que levou o nome de Monte Pascoal, meio parecido com a colomba de hoje. O grumete lá em cima gritou “terra à vista” e nós estamos pagando a prazo até hoje. Foi a abertura do nosso primeiro crediário e foi na Bahia, em Porto Seguro.

    Eles saíram de Portugal com 12 navios, e perderam três pelo caminho, que afundaram, e não tinham seguro. Disseram que foram os bons ventos da África que os trouxeram ao Brasil e os fizeram acabar na Bahia por acaso, pois eles tinham mesmo é saído à procura das Índias. Encontraram os índios. E baianos.

    Os índios, portanto, descobriram os portugueses no domingo de Páscoa. E ganharam o dia 19 de abril, que tinha sido na quinta. Antes disso, todo dia era dia de índio. E os portugueses os mandaram pros quintos. Logo que chegaram, começaram a cruzar a ignorância deles com a ignorância das índias, dando origem a nós brasileiros.
Essa é uma ilustração que fiz para o futuro livro de um amigo dentista que conta histórias curiosas que aconteceram no consultório dele. Quem sabe, um dia, a gente termine.

    Mas rola um boato que eles não foram os primeiros, que os Vikings já haviam estado aqui antes. Os Vikings eram uns loirões altos e fortes, de olhos claros e cabelos compridos, e deixavam em casa umas mulheres muito gostosas e peitudas para navegar meses e meses pelos mares à procura sei lá de quê, vai entender. 

    Talvez por isso, fossem todos chifrudos. Tinham aqueles baita chifres saindo dos capacetes. Estranho que com esse visual todo não tenham deixado lembrança alguma, se é que vieram mesmo. E se vieram, não eram mesmo de nada, pois não ficou nenhum índio loiro pra contar a história.

    Depois disso, muita coisa mudou por aqui, de Ilha de Vera Cruz, pra Terra de Santa Cruz, pra Souza Cruz do Brasil, que é de ingleses, da British Tobacco Co. Foi parar na Inglaterra todo o ouro achado em Minas pelos portugueses. Virou fumaça. 

    Os portugueses já deviam os tubos para os ingleses, o FMI da época, e taparam o rombo com o ouro dos inconfidentes, que logo chegou ao FIM. E enforcaram o dentista inconformado. Hoje, os dentistas aceitam cheque pré e até cartão de crédito.



segunda-feira, 12 de março de 2012

EU VOU MORRER!

É uma certeza que eu tenho. Outras duas certezas: tenho que pagar para viver e os gatos sempre caem de pé. Todo o resto é variável. 


Desde que o Kiko entrou em nossas vidas, reavivando a última certeza que eu já tinha, as outras foram realçadas. Há dois meses eu tenho mais um filho, com carteirinha de vacinação (!), com manhas, dengos e traquinagens, que depende de mim para ser alimentado e entretido dentro do espaço de um apartamento no centro de São Paulo. 
O Kiko, como todos os gatos rajados (dizem que o tigrado é a cor original dos gatos em geral, antes de serem domesticados pelos egípcios, há 5 mil anos), tem um "m" desenhado na testa (aprendi tudo isso outro dia). Gato também é cultura.

Eu tento compensar com mordomia, ração e brinquedos a falta da mãe dele (Kika) e todo o quintal, com árvores, que ele tinha à disposição na casa do meu pai (o outro Ralfo), em Nova Granada. Eu tento, também, conviver com minha consciência que me cobra pelo sequestro de um menor. E me conforta a ideia de que a Kika espera meu pai chegar do trabalho todo dia e o segue pela casa, enquanto o Kiko está aqui no meu colo neste instante, como se fosse para ser assim.


Eu convivi com gatos minha vida toda, mas esta á a primeira vez, em mais de meio século de existência, que eu tenho um. Lá, em Nova Granada, os gatos é que eram meus donos, vinham pelos muros e telhados e tomavam posse de mim, como a Kika, hoje, é a atual dona do meu pai. Meu pai nunca deu banho nela, nunca aparou as unhas, nunca levou ao veterinário. Ele apenas joga ração e chama pelo nome para diferenciar do Tenente, gato que também bate ponto lá (e ganhou até uma "caminha" de espuma em cima de uma cadeira na parte coberta do quintal) e é o avô do Kiko.
Isto é um lar. Note que o Buzz Lightyear também está desmaiado, coitado, depois de brincar o dia inteiro.

Faltava o Kiko para compor o lar, inclusive para despertar a rivalidade no meu outro filho e a compaixão da minha filha de 11 anos. Mas nada sai de graça. Tudo tem um custo. Além da ração e do veterinário, dos brinquedos, roupas, escola e festas de aniversário, todo começo de ano o bolso fura: além do condomínio, ainda tem o IPTU, o IPVA, o DPVAT, mais a renovação do seguro do Jorge. São contas, contas e mais contas. Mesmo que eu não tivesse um lar para ajudar a sustentar, eu sozinho já me daria muita despesa. Tenho de trabalhar direto para pagar minha vida.
O Jorge é ligado na CBN até na placa.
Com o suor das minhas mãos (já que só escrevo e desenho) eu, orgulhosamente, ajudo a movimentar a roda da economia de um País que se tornou a sexta potência do mundo, ultrapassando o Reino Unido. Se eu continuar meu esforço, pagando todos os impostos, sustentando a presidente, o vice, os 70 deputados paulistas, todos os ministros, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, os Correios, a Petrobrás, o governador e o vice, todos os secretários paulistas, os 94 deputados estaduais, o prefeito da cidade de São Paulo, o vice, todos os vereadores e secretários, dizem que o Brasil ultrapassará a França no final do ano. Yes! Quero dizer, oui! Eu tenho que viver para ver esse dia.


E aí, além da saúde pública de primeira e escolas de destaque na comunidade acadêmica internacional, teremos segurança pública, ruas e estradas em condições de rodarmos com o recém-lançado modelo da Lamborghini, o Aventador, lá na Itália (que nós já deixamos no chinelo há mais tempo - afinal, o país da bota é membro dos PIIGS, lá embaixo, e nós somos dos poderosos BRICS, no auge). 
O dia chegará, em que eu não precisarei de um utilitário com tração 4x4 para vencer os obstáculos todos os dias e alagamentos em dias de chuva em São Paulo. Vou poder rodar com um Lamborghini Aventador a poucos centímetros do chão, sem arrebentar a suspensão em buracos ou valetas. Vou poder estacionar um veículo sem capota em qualquer lugar, e ele ainda estará lá, inteiro, quando eu voltar da ópera. 


As estradas brasileiras serão como as autobahns alemãs, em que os veículos podem ser acionados no limite dos seus velocímetros. De casa para uma das faculdades que dou aula à noite, em Cotia, vai ser rapidinho. O único ponto negativo, talvez, será a falta do pára-brisa no Aventador. Vou engolir muito inseto e outros bichos maiores na Raposo Tavares. Talvez dê para eu pedir um desconto para a Lamborghini pelo inconveniente ou, pelo menos, um capacete virá como acessório de série. 


Acho que já vou deixar encomendado. Não custa nada. Sonhar não mata.


domingo, 29 de janeiro de 2012

PAPO DE BANHEIRO

Quem me conhece, sabe que eu adoro banheiro. Eu avalio qualquer bar ou restaurante pelas condições do pedrinho. Se o pedrinho está convidativo e aconchegante, o lugar me ganha. Alguns são até humorísticos a partir da placa indicativa na porta.


Uma enorme letra eme amarela no horizonte de uma cidade, para mim, significa a localização de um oásis. Quer eu esteja em qualquer grande cidade brasileira ou em outros países, quando eu avisto um McDonald's, eu gravo mentalmente o endereço para quando precisar de um banheiro em condições de uso. Acabo consumindo uma coisa ou outra, seja em Paris, em Buenos Aires, em Los Angeles ou na Nova Zelândia, em retribuição. 


Onde existe um McDonald's significa que a civilização, tal qual a conheço, chegou ali. Me sinto seguro e em casa em um McDonald's, um lugar onde posso tomar um café sentado em Paris sem pagar mais por isso, por exemplo, mas isso é assunto para outro dia. Hoje, o papo é banheiro. 


Na faculdade onde leciono, eu procuro usar pedrinhos diferentes para variar a leitura atrás da porta. Se eu usar sempre o mesmo box, dos vários banheiros em todos os andares, eu vou limitar o meu conhecimento apenas às fofocas sobre aquela professora, aquela aluna piranha ou aquele funcionário corno. Afinal, numa universidade, a variação do destino do número 2 também é fonte de conhecimento. É uma mídia poderosa. 


Lá em Londrina, onde cursei Jornalismo, nós tínhamos mesmo um Jornal de Banheiro. As edições eram afixadas atrás das portas dos pedrinhos, com notícias diversas, recados, eventos e todo patrocinado, com anúncios de bares, escolas de línguas e sex shops. 


E era um jornal interativo. Os usuários do pedrinho rabiscavam coisas nele, pintavam bigodes e chifres nas fotos, escreviam xingamentos, obcenidades, escatologias. Todo mês a gente colava uma edição nova. Chegamos a incluir palavras-cruzadas e outros passatempos, já que havia demanda. 


Era um pedrinho livre e democrático, um locar de lazer e relaxamento. Um orgulho para Londrina. Mais íntimo que aquela tribuna ao ar livre que existe no centro de Curitiba, onde as pessoas podem subir e se estravazarem livremente (uma cópia do "people's corner" de Londres). 


Com tudo isso, eu preciso demonstrar a minha constante indignação com a indústria automobilística que nunca trouxe à Terra o conforto disponível no espaço desde a última década de 60 do milênio passado.


A corrida espacial entre russos e americanos nos rendeu, ao nível do chão, o velcro, o teflon, o sistema GPS e mais um monte de inovações tecnológicas, mas, quando eu estou em um congestionamento de duas horas nas ruas de São Paulo, o que acontece com frequência, fico me perguntando por que eu não tenho o que os astronautas têm. 


O automóvel não saiu do básico desde que foi inventado: tem quatro horas, um motor, um teto e quem dirige fica sentado... e apertado para ir ao banheiro. Os astronautas não precisam parar o foguete em um posto da estrada ou em um McDonald's em órbita para aliviar a bexiga nem o número2. Pilotos de aviões de combate também têm acesso a dispositivo similar, disponível desde o projeto Mercury, que levou John Glenn ao espaço em órbita da Terra, em 1962. Depois teve o Projeto Gemini, o Apollo e os ônibus espaciais, isso só do lado da NASA. Talvez o russo Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço, em 1961, tenha sido também o primeiro a ver Boston fora da Terra, embora se saiba pouco sobre isso, pois os soviéticos eram super secretos e tomavam o maior cuidado para os americanos não verem Chicago da estratosfera antes deles.


Passaram-se 50 anos, meio século, e nada: o carro tem air bag, GPS, câmbio automático, freio ABS, motor flex, pneu radial, mais isso, mais aquilo outro, mas banheiro... necas de pitibiriba! Absurdo! Deve ser uma conspiração internacional, um lobby dos donos de postos de estrada em conluio com o McDonald's. 


Agora imagine: assim como hoje você entra no carro e coloca seu cinto de segurança, o motorista e cada passageiro do veículo poderiam "encaixar" também seus DDCs (Dutos de Dejetos Comburentes) e mandar brasa com o carro em movimento, sem parar. As extremidades dos DDCs seriam personalizadas e pessoais para cada usuário, para o pai, para o filho, para a filha, para a mãe, para a avó, para o bebê na cadeirinha e até para o Totó. 


Além disso, o reservatório de todos os dejetos produzidos, localizado sob o chassis, com alguma adaptação a cargo dos engenheiros de motores, poderia ser o próprio tanque de combustível do carro. Não seria impossível: o gás resultante da fermentação das fezes (só não sei se é metano ou butano, não tô lembrano) queima com fósforo, então é comburente. 


E a última tecnologia de motores, atualmente, para uso de biodiesel, precisa da adição de um aditivo à base de uréia. Ora, de onde vem a uréia? Da urina. Então, ali debaixo do carro teria matéria-prima, direto da fonte para o consumidor, só falta os engenheiros descobrirem como otimizarem a questão. Mas isso é só um detalhe.


A família privilegiaria alimentos como batata-doce, repolho e feijão, beberia bastante cerveja e pronto! Iria viajar com o abastecimento do próprio veículo garantido, em movimento. Isso sim é sustentabilidade.


Existe mais um aspecto que não pode ser negligenciado: o prazer. Além do alívio físico e do óbvio conforto, uma boa parte do stress em decorrência dos longos congestionamentos no trânsito das grandes cidades poderia ser combatido com a inclusão de vibradores nas extremidades. Seria um opcional, claro. 


Mas, imagine quantas novas possibilidades de presentear seriam criadas. Impulsionaria a economia. Além de perfumes, jóias, roupas, calçados, eletrônicos, livros, midia em áudio e vídeo, as pessoas poderiam ganhar de presente nos aniversários, natais e que tais, estojos personalizados com seus conectores em formatos, cores, texturas e funções de sua preferência.


Isso sim promoveria uma revolução no trânsito e nas estradas, sairíamos da mesmície. Hoje em dia, depois da invenção das quatro rodas, o máximo em que se ousa é no nome. Os chineses trouxeram a Chana deles para o Brasil, que ousadia. A caminhonetinha é até legal e atende a um nicho de necessidade de transporte. Os asiáticos não estão nem aí se o nome dos veículos deles coincide com algum significado cacofônico. Só querem vender e pronto. Lembra da Besta dos coreanos?


Não resisti e tirei essa foto de um veículo estacionado numa rua do centro de São Paulo: o cristão bem que tentou colar um adesivo de "Jesus" por cima para neutralizar o efeito da Chana chinesa.
Quando eu morei nos Estados Unidos, no final dos anos 1970, minha vizinha tinha um Pinto verde. Carregava todo mundo no Pinto, mandava lavar o Pinto, trocava o óleo do Pinto, engraxava o Pinto, calibrava o Pinto e encaixava o Pinto em qualquer lugar, pois era fácil manobrá-lo. O Ford Pinto tinha o formato de um "maverickezinho", do tamanho de um Gol atual.


Os americanos nunca lançaram o Pinto deles aqui no Brasil. Talvez se preocupassem com o nome, coisa que os chineses não ligam. Se a Ford tivesse pelo menos tentado, poderia rebatizá-lo aqui de Galo, o que não deixa de ser um pinto grande. E galo, lá nos Estados Unidos, é "cock", e aí sim é pinto para eles. Então estaria empatado.


Imagine se o Tony Ramos usasse a Chana da Gloria Pires, e ela, o Pinto dele! Daria filme.



domingo, 15 de janeiro de 2012

O ÚLTIMO BBB

Trinta cearenses, três cariocas, dois paulistas e três cachorros confinados, durante uma semana, em uma casa na praia, de um condomínio fechado, em Cumbuco, litoral oeste do Ceará, a 65 quilômetros de Fortaleza. 


Não, não é o enredo de nenhum novo "reality show" e não vai passar na TV, embora tenha tido tudo que é característico do gênero: gente se desentendendo, chorando, rindo, comendo, bebendo, vomitando, jogando, dançando, cantando, se entediando e mais alguns andos, endos, indos e ondos. Eu era um dos paulistas, o outro era meu filho de quase 3 anos de idade, por volta do último Ano Novo.


Eu não assistiria se passasse na TV. Aliás, não assistiria a nenhum "reality show". Tenho repugnância pelo gênero. Até mesmo a realidade de verdade, às vezes, não é nada digesta. Imagine: 500 deputados confinados em uma assembléia ou câmara durante cinco dias, ou 40 passageiros de ônibus em um congestionamento na Radial Leste, numa manhã de muita chuva, obrigados a conviver, uns com os outros, durante 4 horas. Quem iria assistir a isso? Algum demente. 


O BBB não deixa de ser um "peep show" transmitido em rede nacional e patrocinado por empresas de prestígio. É a oficialização da perversão. 


Ah, tá, o que é "peep show"? Assista ao filme "Paris, Texas". Consiste em pessoas (homens ou mulheres) se exibindo (fazendo strip tease ou alguma outra coisa indiscreta) em um recinto envidraçado para outras pessoas que não podem tocá-las nem serem vistas. Até outro dia, não era o tipo de ambiente ou atividade que se imaginava relacionado a nossas mães, tias ou avós. Era coisa para se fazer escondido, em ambientes escuros, cheios de cortinas e discrição. "Peep" quer dizer espreitar em inglês. Estabelecimentos comerciais com essa configuração tiveram seu momento nos EUA nos anos 80 do século passado. No Brasil, nem tanto. 


Até outro dia, você pegar binóculos e ficar bisbilhotando a vida das outras pessoas nas janelas dos apartamentos e casas ao redor, ou espreitar pelo buraco da fechadura do banheiro ou quarto de alguém, era um comportamento indecente. Com o BBB e congêneres, espiar alguém no banho ou dormindo ou tirando a roupa ou sei lá o que, virou assunto de alto nível em conversas de qualquer chá de senhoras religiosas.


O que esse tipo de programa fez pela civilização atual é claro: banalizou a baixaria. 


É como mendicância e pessoas sem-teto. Quando você vê um mendigo ou uma pessoa deitada na rua, você se compadece, enfia a mão no bolso, caça umas moedas, oferece ajuda, paga um "lanche", oferece um cobertor, chama as autoridades, indica um albergue, essas coisas. Quando você vê muitos mendigos, um depois do outro, ou muitas pessoas caídas pelo chão nas calçadas da cidade grande, você tem uma ou outra reação: ou evita, fechando as janelas do carro ou desviando, passando pela outra calçada, ou se acostuma, não os enxerga mais, como se simplesmente fizessem parte da paisagem, fossem coisa normal. De um modo ou de outro, o resultado é o mesmo: você fica imune pelo excesso, 


Da mesma forma, de tanto sermos inundados com baixarias na TV, vamos nos acostumando que isso é normal e aceitamos essa "reality". Tem gente que vicia. Muita coisa que não presta vicia. Tem gente que paga por um canal a cabo exclusivo, com 24 horas de intromissão nas atividades dos (forjados) "brothers e sisters". 


Eu tenho mais o que fazer.


Reconheço que o gênero já produziu algumas pérolas, como a Sabrina Sato, por exemplo (aí, até eu sou permeável), e talvez isso compensaria tudo. Mas, tenho quase certeza que a estrela dela teria brilhado de outra forma.
Começa mais um ano e rolam muitas profecias, há milênios, de que este é o último. Os maias deram a entender que depois de dezembro de 2012 não tem mais história. 


Os sumérios sabiam de todos os planetas no sistema solar e um extra, o planeta X (dez) ou, pelo nome que deram, Nibiru, que também tem uma órbita em volta do nosso sol, embora muito doida, e a cada 26 mil anos tira uma "fina" da Terra e muda tudo. Pelos cálculos, dizem que da última vez que o planeta errante passou por esses lados, desequilibrou a Terra de um tal modo que mudou o eixo de inclinação. Os pólos Norte e Sul antes, ficariam onde se conhece hoje por Triângulo das Bermudas e Triângulo do Dragão (ao sul do Japão), regiões e grande concentração magnéticas e com muitas histórias de desaparecimentos misteriosos de navios, aeronaves e seus tripulantes. De acordo com a interpretação das inscrições dos sumérios (povo que viveu perto de onde hoje é o Iraque), o Nibiru estará de volta este ano, antes do Natal. Os adeptos das teorias da conspiração dizem que ele já é visível no céu e que existe um retângulo preto e opaco no "Google Sky", onde todo o resto é cheio de estrelas, como se houvesse sido recortado ou censurado (pela NASA, dizem). 


Existem já filmes e vários documentários sobre o fim do mundo em 2012. Se isso realmente se confirmar, uma coisa é certa: o BBB12 é o último. Antes tarde. Será a resposta do cosmos.