Pesquisar este blog

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Olha! Uma loja do Spielberg!

Meu amigo Roger Nygard era menino na cidade de Minneapolis, estado de Minnesota, EUA, criado em uma família religiosa, episcopal, que lhe prometia panquecas aos domingos se, primeiro, fosse à igreja. Tempos depois, o pai dele, também chamado Roger Nygard, morreu e o filho ficou se perguntando, afinal, aonde o pai foi.


Recentemente, e depois de amealhar um razoável capital como diretor de cinema e séries de TV em Los Angeles (http://en.wikipedia.org/wiki/Roger_Nygard , http://www.rogernygard.com ), Roger se auto financiou e saiu pelo mundo procurando o pai, quer dizer, Deus, no documentário "The Nature of Existence" (http://thenatureofexistence.com , http://palavraguda.wordpress.com/2011/01/07/a-vida-segundo-roger-nygard/). Ele levou 4 anos para fazer o filme, quando tinha 43 a 47 anos.




No filme, Roger aponta a câmera para o vizinho e faz perguntas incômodas como "o que é a existência", "o que é Deus", "o que há depois da morte" e por aí vai. Insatisfeito, continuou perguntando pelos Estados Unidos afora, para índios, pregadores religiosos, lutadores de luta-livre, pilotos de corrida e muita gente esquisita, até sair do país.


Do outro lado do Atlântico, seguiu perguntando pela Inglaterra, para religiosos, cientistas e druidas celtas. Foi ao Vaticano, depois para Jerusalém, perguntou para árabes e rabinos. Deu um pulinho até a Índia, para entrevistar gurus e mais gente esquisita. Continuou na China, perguntando para comunistas e seguidores de Confúcio. Então, volta para sua casa em Los Angeles (atenção, não leia se não quiser estragar a surpresa) para, no fim, se fartar em comer panquecas.


O filme foi exibido em São Paulo, na Mostra Internacional de Cinema, em 2009, uma das três ocasiões em que estive com o Roger, das quatro em que ele veio à cidade. Na quarta, ele apenas me mandou uma mensagem de texto enigmática para o meu celular (com o chip local que eu o ajudei a adquirir na vinda anterior): "olha, uma loja do Spielberg!" Ele fez uma visita relâmpago a SP para um compromisso profissional e só me deu esse "oi" já do aeroporto, de volta para LA.


Diretor Roger Nygard, produtor Michael Leahy (ao fundo), sonoplasta temporário Louis Robin (contratado aqui, pois o titular, Bill Martel, teve problemas com o passaporte e não conseguiu entrar no Brasil), produtora-executiva e atriz-entrevistadora Denise Crosby e eu, Ralfo Furtado, em junho de 2003, no Campo de Marte, em SP, alugando um helicóptero para uma filmagem aérea da cidade do documentário anterior ("Trekkies 2": http://www.trekkies2.com) do diretor, que foi quando o conheci. 


A frase virou uma espécie de senha entre nós (que agora, precisamos mudar, depois de revelada ao mundo). Em 2009, andando pela mesma esquina das outras duas vezes, a caminho de uma casa de câmbio, Roger pronunciou a mesmíssima frase, pela terceira vez, ao ver a fachada de uma loja de roupas masculinas chamada Spielberg e completou "vou contar pra ele". Eu disse "você sabia que, sempre que passa nesta esquina, fala a mesma coisa?" Ele disse: "sério?". Ele não sabia que estava sendo repetitivo. 


Eu acabo de reassistir ao filme, agora em DVD, que adquiri recentemente diretamente do próprio Roger, depois de me certificar de ser a versão com legendas em português, com a intenção de exibir para os amigos e familiares em breve. É possível adquirir o DVD na Amazon, mas não com legendas em português.


O DVD tem dois discos. Eu ainda não tive tempo de assistir o segundo, com a tonelada de cenas que tiveram que ser cortadas do documentário e o "making of". A experiência do Roger foi riquíssima. Imagine, dar a volta ao mundo com uma câmera na mão, tentando resolver suas inquietações de infância! Sob esse ponto de vista e qualquer outro, o filme é interessantíssimo, impossível de não despertar muitas reflexões, seja você religioso ou ateu. No meu caso, ando um pouco em cima do muro na questão, tanto é que discuti com o Roger o meu ponto de vista (http://www.ussbrazil.com/cosmica), que eu já tinha antes mesmo de ter assistido ao filme: eu acredito em Deus, de um jeito muito particular meu e só.


No caso do Roger, a conclusão a que chegou depois da experiência toda, conforme declarou no meu programa (http://www.vimeo.com/7374645) é que ele se identifica mais com as pessoas que afirmam que ainda estão procurando, que não sabem, do que com as que alegam que já encontraram, que já sabem tudo.


Duas frustrações de Roger foram não conseguir ser recebido nem por Stephen Hawking nem pelo Papa para responderem às suas perguntas inconvenientes do documentário. No caso do segundo, na verdade, o cachê imposto pelos assessores de Sua Santidade estouraria o orçamento do filme. O primeiro, estava muito ocupado com uma breve história do tempo, o big bang e buracos negros.


No final de 2007, Roger me ofereceu um quarto na casa dele, em Los Angeles, para eu passar minha lua-de-mel. Agradeci a incrível gentileza, mas tal qual Hawking e o Papa, declinei de compartilhar minhas intimidades com o cineasta.


Minha então namorada, Isabela, e  eu, agachado e com cara de espanto. Lá no fundo Roger Rabbit, digo, Nygard, rodeado pela mulheres, em 2005, durante a temporada da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O primeiro filme do Roger foi um curta de animação quando ele tinha 7 anos de idade e descobriu a filmadora super 8 do pai em casa. Depois disso, fez outros tantos, tendo os irmãos e amigos como atores. Ele mesmo declara em sua página na internet que "a maioria daquelas primeiras histórias envolviam algum tipo de perseguição, já que é a história mais fácil de contar em um filme mudo". 


Embora não seja mudo, fica evidente que "The Nature of Existence" é o filme que ele faltou fazer na infância, uma perseguição planetária atrás de respostas para suas dúvidas de menino. 


Também em sua página na internet, Roger conta que, já na faculdade (Bacharel em Artes em Comunicação Falada, pela University of Minnesota) a característica de seus filmes era ser tão ridículos quanto possível. 


Além de "The Nature of Existence", em seus documentários anteriores, "Trekkies" (sobre os fãs de "Jornada nas Estrelas" nos EUA), "Trekkies 2" (sobre os fãs de "Jornada nas Estrelas" no mundo todo) e "Six Days in Roswell" (sobre a febre dos que acreditam em ETs e discos-voadores), fica claro que Roger mantém o mesmo espírito da faculdade. Ele não é nenhum documentarista denuncista como Michael Moore. Em tudo que faz, por mais sério que pareça à primeira impressão, Nygard deixa sua marca registrada do deboche e do sarcasmo. É possível que ele já escolha os temas de propósito.


O estilo irônico também alinhava os episódios das séries que dirigiu (como "The Office" e "The Mind of the Married Man") e seus filmes (um deles, inclusive, "Suckers", ambientado no dia-a-dia de uma agência de venda de automóveis, virou "cult" e é usado em treinamento de vendedores de carros dos Estados Unidos) e lembra um "je ne se quoi" de Robert Altman ("MASH", "Short Cuts", "Nashville"...). Combinaria com a programação do canal a cabo FX, por exemplo..


Nygard e sua fixação com Sérgios (haha): com Serginho Groisman à esquerda e com Serginho Café à direita.
Sarcasmo à parte ou incluído (tem gosto pra tudo), sua obra mais recente, "The Nature of Existence" contém pérolas impagáveis como: “Não duvido de Deus. Duvido dos Seus representantes. Até hoje, Deus não falou comigo. Somente o homem falou comigo, e, como sabemos, ele geralmente engana, mente e é motivado por outras coisas, além do desejo de transmitir a verdade” ou "“A religião é para quem acredita que irá para o inferno. A espiritualidade é para quem já esteve lá” ou ainda “Você faz o bem porque sente prazer ao fazê-lo ou você está com medo de que se não o fizer, será punido. De qualquer forma, é servir a si mesmo”.


Não tem como assistir ao documentário e ficar impassível, não repensar a vida, não rever os valores, não refletir. Nem que seja apenas para discordar de tudo, até das panquecas que o Roger esperou mais de 40 anos para comer, para considerar sua busca concluída, o dever cumprido. Finalmente, cresceu!


Eu avisei o Roger que iria escrever sobre ele faz umas três semanas. Tive a ideia ao discutir com meu amigo e seguidor Adel sobre a minha citação de Deus na postagem anterior, de 3 de julho. Só agora tive um tempinho pra escrever (e também, a ideia amadureceu - quando brota a inspiração pra escrever ou desenhar, preciso de um tempo pra processar antes de botar no "papel". E, quando o assunto é um amigo, a responsabilidade e o cuidado é dobrado). 

Roger me advertiu que usaria o Google pra traduzir e, por isso, eu deveria tomar cuidado com o que escrevesse! Oops!

Ontem, perto da meia-noite, mandei tudo pra ele ler, até a ilustração do coelho. Hoje, às 7h da manhã, já tinha uma resposta, escrita há 7 horas atrás. Roger Rabbit é rapidinho. Ele já traduziu, leu, entendeu, diz que adorou, mas discordou do uso das palavras sarcasmo e deboche para definir o estilo dele, achando-as muito fortes. Ele diz admitir que procura o humor na humanidade em todos os seus projetos, mas com carinho pelos entrevistados. 

Portanto, o que escrevi abaixo da ilustração do coelho foi no dia seguinte. 

Vamos esperar agora a reação dos leitores. Quem sabe, outras pessoas se interessem em adquirir o filme (no site http://thenatureofexistence.com/ pode-se enfatizar diretamente ao Roger a necessidade das legendas em português, ou outra língua, se for o caso - acabo de ver nas estatísticas que meu blog está sendo lido na Alemanha e no Japão, por exemplo) e desempatem a questão do sarcasmo e do deboche.

domingo, 3 de julho de 2011

Não evite a sorte


Esse conselho do título, a meu entender, é a ideia principal de uma das séries de TV mais estranha que eu já vi e, como adoro coisas estranhas, virei fã... e órfão. A série foi cancelada pela Fox na primeira temporada, com apenas 17 episódios, e todo mundo ficou na mão. Ainda hoje, existem, na internet, páginas de discussão, fóruns e blogs a respeito de detalhes estranhos da série, sobre o elenco estranho, o criador muito estranho, em inglês, alemão, francês, o escambal. Menos em português. Não encontro com quem conversar sobre o assunto por aqui. Onde está minha manada?

Quem sabe se eu começar a escrever direito e não desta maneira estranha, sem pé nem cabeça, alguém consiga entender do que eu estou falando e minha turma me encontre. Em fevereiro de 1996, eu tinha acabado de aderir ao mundo da TV a cabo, na esperança de ter opção de entretenimento que fugisse ao massacre do carnaval na TV aberta, já que eu estava confinado à frente da telinha (a internet ainda engatinhava, a Mandic tinha BPS, lembra?) por causa de um pé quebrado. Eu lá, com o pé para cima, no gesso, mudando os meus novos canais pagos, quando me deparei com “Strange Luck” no Sony Entertainment Television.

“Strange Luck” (sorte estranha) me fisgou imediatamente, fiquei viciado, não queria perder um episódio. E foram só 17. Gravei todos em VHS. Mas hoje você pode assistir ou baixar todos do YouTube, divididos em cinco pedaços cada um. O personagem principal é o fotógrafo Chance Harper, interpretado por D. B. Sweeney.


Ele vai todo dia na lanchonete Blue Plate (prato azul) e pede um café para a Angie (a atriz britânica ruiva Frances Fisher, que foi “casada de fato” com Clint Eastwood entre 1989 e 1995 e fez a mãe da personagem de Kate Winslet em “Titanic”, de 1997, do diretor James Cameron. Recentemente, ela foi vista em episódios de “The Mentalist”, “Two and a Half Men” e “Private Practice”.

Chance nunca tem dinheiro para pagar a conta na lanchonete, exceto uma moeda de um dólar (algo raro, moedas de dólar existem só em coleções e ainda valem normalmente, mas custam mais para serem fabricadas do que o dólar de papel, por isso a produção parou faz tempo – eu tenho uma em algum lugar) que usa para raspar bilhetes de loteria. Ele pede uma “raspadinha” ou duas para Angie e pronto, já tem o dinheiro para pagar a conta e ainda deixa para ela o troco. Ela pergunta por que ele acerta uns caraminguás e pára, não continua tentando ganhar mais, e ele responde que “não se deve abusar da sorte”.

A outra mulher da série é a loira Audrey Westin (atriz Pamela Gidley, a Teri Miller de CSI), a “patroa” dele. Ela é a editora de uma publicação que contrata os serviços freelance de Chance como fotógrafo e tem um passado amoroso com ele que, vez ou outra, invade o presente. Ele usa uma câmera fotográfica do tamanho de um bonde e filmes de rolo que guarda na geladeira de seu precário apartamento, no qual um dos cômodos é sua câmara de revelação, com luz vermelha e varais com fotos penduradas para secar, como nos bons tempos, nada das convenientes caixinhas digitais sem mistério de hoje.

Só que, para ele ir cumprir um dos serviços fotográficos encomendados, em seu carro meio tosco e com os filmes e câmera nos bolsos de seu paletó surrado, ele sempre acabava desviando do caminho e se envolvendo com as situações mais bizarras da cidade, no caso, Vancouver, no Canadá, onde a série foi filmada, tal qual uma outra série também da Fox, da mesma época, não sei se vocês vão se lembrar, como era mesmo o nome... uma tal de Arquivo-X. O clima é o mesmo, tudo muito escuro, frio e chuvoso. Estabelecendo inclusive que as duas séries aconteciam no mesmo “universo ficcional”, em um dos episódios, o 11, o irmão de Chance, em uma carta, pede a Chance que procure o agente “Muldur” do FBI em caso de alguma coisa suspeita acontecer com ele.

A terceira mulher da série, a negra (ou deveria escrever afro-descendente?) doutora Richter (Cynthia Martells, que foi a promotora Carter em “Arquivo-X” e, recentemente, a dra. Cynthia Adams, em “Nip/Tuck” - ela era estudante de Direito quando a mãe a convenceu a ser atriz, então ela se tornou aluna de artes dramáticas e seu professor foi Avery Brooks, o Sisko, de “Star Trek: Deep Space 9”) é a psiquiatra designada, no primeiro episódio, para estabelecer se o prisioneiro Chance era maluco ou não.

No episódio 1, Chance pára na lanchonete para tomar seu café com “raspadinha”, a caminho de um trabalho fotográfico, quando repara em uma mulher sentada na lanchonete que está chorando e escrevendo alguma coisa. Ela sai da lanchonete e ele a segue. Ela sobe no topo de um prédio e fica na beiradinha. Ele liga para a polícia, do seu celular ultra-moderno de 1995 do tamanho de um tijolo baiano, avisando sobre a potencial suicida e sobe no prédio também. Para encurtar a história, os dois caem juntos do prédio, direto na rede que os bombeiros já tinham armado lá embaixo e, durante a queda, ele vai fotografando, caindo e tirando foto da moça, que cai na frente dele.

Depois disso, ele pega carona numa viatura de polícia que ia para o mesmo lado aonde ele deveria ter ido fazer o trabalho fotográfico. No meio do trajeto, os policiais páram para ver um carro caído do alto de um viaduto. O ocupante do carro acidentado troca tiros com os dois policiais que levavam Chance. Os dois policiais são baleados e o bandido só não atira em Chance também, porque o carro acidentado explode naquele instante e tira sua atenção. Mas ele foge levando o paletó de Chance com a carteira de documentos e o celular nos bolsos (a partir daí, passa a cometer crimes usando a identidade de Chance Harper e usar o celular para ligar para meio mundo).

Chance se abaixa e pega a arma de um dos policiais do chão no momento em que vários carros de polícia chegam ao local, atraídos pela explosão, e dão voz de prisão a ele, que está com a arma na mão, sem documentos, ao lado de dois policiais baleados. Nesse instante, minha mulher, que forcei outro dia a assistir esse episódio comigo, exclamou: “ele é retardado?” Realmente, quem, mesmo em Vancouver há 16 anos, se envolveria com tudo que vê pelo caminho? É muita babaquice. Até irrita. Você continua assistindo ou com dó ou para ver em que mais ele vai se lascar.

Na delegacia, enquanto é “fichado”, Chance deixa a câmera fotográfica (dela, ele não desgruda) disparando discretamente quando flagra o figurão que ele deveria ter ido fotografar, coincidentemente, também sendo preso e levado a uma cela. Quando os policiais puxam a vida corrida de Chance em um computador que, hoje, parece ser da época dos Flintstones, com textos verdes em tela preta, ficam impressionados com a quantidade de vezes em que ele já foi preso e depois inocentado e solto, tendo ganho até medalhas, uma espécie de super-herói urbano. Aí, ele é levado para a psiquiatra.

Ele conta para a psiquiatra que coisas surpreendentes vivem acontecendo para ele o tempo todo, todo dia. As pessoas perguntam por que essas coisas acontecem para ele, e ele responde que elas não acontecem só para ele, acontecem para todo mundo, ele só não as evita. Se ele vê alguém chorando na sua frente, ao invés de ignorar, como todo mundo faz, ele se envolve. A partir daí, sempre haverá consequências, sejam elas boas ou más.

A psiquiatra o hipnotiza e o faz se lembrar da infância, de quando ele era menininho e se chamava Alex e sobreviveu a um acidente aéreo: o avião caiu e todos a bordo morreram, inclusive seus pais e sua irmã, menos seu irmão Eric (e ele nem lembrava que tinha um irmão antes de ser hipnotizado), que não embarcou. Um dos bombeiros, que atendeu ao desastre na época, adotou o menino e lhe deu novo nome e sobrenome: Chance (chance e também sorte, em inglês) Harper. Quando “volta” da hipnose, Chance sente cheiro de fumaça e força a médica a sair do prédio antes que ele queime em um incêndio. Não vou contar o resto. A partir daí, a psiquiatra vira fã dele e aparece em todos os episódios, aconselhando-o e ajudando-o a recuperar a memória.

O ator D. B. Sweeney (que só agora saciei minha curiosidade de mais esse mistério no Wikipedia: Daniel Bernard) foi visto recentemente nas séries “The Event” e “Jericho”, também apareceu em episódios dos vários “CSIs”, em “House” e em “Hawaii-5-0”.

Usando o velho chavão “a vida imita a arte”, Sweeney personificou uma situação digna de “Strange Luck”: quando dirigia para casa em Vancouver, numa quarta-feira, depois de um dia de filmagens, ele viu um carro escorregar fora de controle para dentro de uma lagoa. Ele imediatamente ligou para 911 do seu celular e o passou para uma mulher que estava por ali ela pedir o resgate, enquanto ele correu para o carro que estava rapidamente submergindo na água. Sweeney encontrou o motorista nadando e o ajudou a sair da lagoa. Quando ele se certificou que o motorista estava bem, ele procurou a mulher para recuperar seu celular e saber se a polícia ou bombeiros estavam vindo. Foi só aí que ele percebeu que a mulher, que estava toda confusa, não falava inglês e não tinha se comunicado com o operador do 911. Por sorte, uma viatura policial estava passando por ali e parou para dar assistência. Sweeney voltou para seu carro e retomou a volta para casa, ao estilo Chance Harper.

Tal como Chance, Sweeney também era um “cara bacana”, como testemunha quem trabalhou com ele: Mitch Kosterman, que interpretou um policial observador de pássaros em dois episídios de “Strange Luck” conta que, em uma cena, Chance estava no alto de uma rocha olhando para baixo. Depois de uma sequência de filmagens dele, a câmera foi virada para o outro lado, para filmar o policial. Aí o diretor disse a Sweeney que ele poderia relaxar, o que significa que ele não era mais necessário e poderia se retirar para o camarim. Mitch suspirou e pensou que iria falar sua parte do roteiro interpretando para a câmera. Para sua surpresa, Sweeney disse: “não, me arrange uma escada”, subiu nela e ficou lá, respondendo suas falas, de diversos ângulos, várias vezes, o tempo todo, ajudando na interpretação do ator coadjuvante.

O criador de “Strange Luck”, Karl Schaefer, também é um caso a parte. Fora o fato de também ter sido o produtor executivo da série “The Dead Zone”, co-produtor da série “Eureka” e produtor consultor de “Ghost Whisperer”, mais nada se sabe do cara! Onde nasceu, onde estudou, vida pessoal, nada! Não tem uma foto dele em lugar nenhum. Já procurei muito. E para quê eu preciso disso? Para saciar minha curiosidade de saber se ele é o mesmo Karl Schaefer que estudou comigo em Downey High School, em 1976, subúrbio de Los Angeles, ali pertinho de Hollywood, quando a gente fazia o jornal da escola, “The Norseman”, eu era o cartunista do jornal e ele era o editor e fotógrafo.

Eu tirei três conclusões disso tudo. Primeira, se você encontrar uma pedra no seu caminho, você tem a escolha de se desviar dela (ou pular) ou pisá-la ou chutá-la. Se você escolher uma das duas últimas opções, haverá consequências, nem você nem a pedra serão os mesmos. Segunda, seja sempre uma boa pessoa, mesmo que pareça retardado. Terceira, ou quem assiste séries de TV não precisa de religião ou Deus fala conosco através de algumas delas.
Aula-Redação do jornal da escola, "The Norseman", da Downey High School (mesma escola onde estudaram Richard e Karen Carpenter, os irmãos da dupla musical "The Carpenters", e de James Hetfield e Ron McGovney, o primeiro, vocalista líder e guitarrista rítmico, e o segundo, baixista da banda de rock "Metallica"), região metropolitana de Los Angeles, Califórnia, EUA, em maio de 1976. Eu estou tirando a foto. Em primeiro plano, em cima da mesa, está minha bolsa aberta. A câmera era uma Kodak, daquelas que o flash era um cubinho acoplado em cima, com disponibilidade para quatro fotos, depois era desgartável. Lá no centro e no alto, do lado da bandeira, com um sapo verde de plástico na cabeça, está o Karl Schaefer, fotógrafo e editor do mensanário.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sou KIWI, mas não sou frutinha!



Se não me engano, foi em 2006 que vi uma notícia nos jornais e telejornais: um sujeito tinha assaltado um banco na Nova Zelândia usando, como arma, um dedo espetado por dentro da camisa. A funcionária do caixa do banco, diante da suposta ameaça, não reagiu e entregou alguns maços de dinheiro, kiwi dólares, ao assaltante. 


Assim que saiu do banco, na calçada, jogou o dinheiro todo para cima, na maior alegria, e se entregou para a polícia. Disse que estava comemorando alguma coisa, não me lembro o que, e teve essa ideia para festejar e repassar a alegria para todo mundo. 


Espere aí, o melhor vem agora: depois que a notícia do assalto alegre saiu nos telejornais da Nova Zelândia, no dia seguinte, havia uma fila ordeira de pessoas, na porta da agência bancária, esperando a vez de devolver ao banco o dinheiro que haviam pego na rua.


Ficou espantado?


Em janeiro de 2008, eu estava em um café em Queenstown (capital do bungee jump e outros esportes radicais), na Ilha Sul da Nova Zelândia, sendo servido por uma garçonete brasileira, da Paraíba, que declarou estar muito satisfeita com a vida por lá, onde já estava há três anos. Nesse tempo, ela já tinha voltado ao Brasil para passar um mês com a família na Paraíba e retornou para seu trabalho na Nova Zelândia, tal qual a caixa do supermercado, gaúcha, e a camareira do hotel, de Minas Gerais. 


A paraibana disse que estava tudo ótimo, que nunca que ela conseguiria fazer o oposto, isso é, trabalhar dois anos como garçonete na Paraíba e passar um mês de férias na Nova Zelândia, mas fez uma ressalva: estava preocupada com os muitos novos brasileiros que estavam vindo se instalar na Nova Zelândia. "Eles vão destruir isto aqui, eles vêm com outro espírito. O povo daqui não está preparado para os brasileiros", disse. E exemplificou: "Quando eu cheguei, eu nem falava quase nada em inglês, o primeiro trabalho que arranjei foi como faxineira numa agência bancária. No meu primeiro dia no emprego, no final do expediente, me deram a chave da agência na mão e foram embora. Era para eu limpar a agência depois do expediente bancário. Eu fiquei pasma. Mas, naquele dia, eu me tornei kiwi, de coração. Ninguém nunca, no Brasil, confiou em mim assim".


Fecha a boca!


No meio da estrada, na Ilha Norte, parei em um posto de gasolina para abastecer o carro alugado, um Daihatsu Sirion (não há fábricas de veículos na Nova Zelândia, é tudo importado). Não havia frentistas. Não havia onde inserir cartões de créditos na bomba, como é comum nos Estados Unidos. Então imaginei que deveria pagar antecipado lá na gerência, para que a bomba fosse destravada e eu pudesse usá-la, como antigamente era nos Estados Unidos, há uns 30 anos. 


Deixei o carro parado na frente da bomba e fui até lá dentro da gerência, onde havia apenas uma senhora kiwi de meia-idade atrás do balcão. Expliquei a ela que eu era estrangeiro, estava visitando o país dela pela primeira vez e precisava abastecer o carro com gasolina. Perguntei a ela qual era o procedimento. Ela disse, em inglês: "Você volta lá, pegue a mangueira da bomba, coloque no tanque do seu carro, encha o tanque com quanta gasolina você quiser, depois volte aqui, veja quanto deu e pague". 


Eu achei que eu não tivesse entendido, que o sotaque kiwi dela tivesse me confundido, e pedi para ela repetir. Ela falou de novo. Era aquilo mesmo. Eu fui pensando: "quando, no Brasil, nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar, uma pessoa iria lá na bomba, abasteceria quanto quisesse e depois voltaria para pagar para uma tiazinha?" Eu ainda não era kiwi por pensar maliciosamente, ainda era impuro. 


Algumas estradas passam nas porteiras de fazendas, plantações de kiwis, ameixas, damascos, cerejas e outras frutas. Do lado de fora das porteiras, rente à estrada, algumas mesas têm sacos de frutas diversas, maiores ou menores, com o aviso em cima: "sacos maiores, 2 dólares, sacos menores, 1 dólar cada". Além disso, em cima das mesas, tem uma caixinha para se deixar o dinheiro. Ninguém tomando conta. Você pode escolher o que quiser, pegar e deixar a quantia correspondente na caixinha.


Entendeu?


Na maior cidade da Nova Zelândia, Auckland, com 2,5 milhões de habitantes (do total de 4 milhões de habitantes do país, com dimensão territorial equivalente ao Japão ou ao Reino Unido), uma loja de roupas expunha, na calçada de grande movimento de turistas, do lado de fora, ofertas de blusas, calças e outras peças em uma "arara" (aquele cabidão). Sem ninguém tomando conta. Se você gostasse de alguma roupa, era só pegar e entrar na loja, pela porta de abertura automática, que fica fechada para não prejudicar o ar condicionado interno, e... pagar.


Leia de novo o parágrafo anterior. Não é incrível?


Agora vou falar dos banheiros, três. 


O primeiro. Era dia 25 de dezembro de 2007, de manhã bem cedo, e nós pegamos uma balsa no porto de Auckland para a ilha Waiheke. No porto da ilha, chamado de Matiatia (coitada da tia!), pegamos um ônibus até a praia de Onetangi. Os restaurantes e cafés (onde a gente esperava tomar um café da manhã) estavam todos fechados. Era feriado de Natal. Nos limitamos a deitar na grama, debaixo de uma árvore, perto da praia, observando surfistas no lado ocidental do Oceano Pacífico Sul. Me deu vontade de usar um banheiro e eu vi uma casinha na praia, ao longe. Falei: "vou lá, ver se é um banheiro". A Isabela retrucou, com os padrões brasileiros incutidos nela: "Imagina, se for um banheiro, numa praia de surfistas, numa ilha, no meio do nada, deve estar um nojo". Eu fui. Abri a porta: limpíssimo, perfumado, seco, com papel higiênico, sabonete na pia e papel toalha. Usei o sanitário e deixei tudo limpo, como encontrei, sequei até a pia. Era meu primeiro dia na Nova Zelândia. Fiz como a garçonete paraibana lá de Queenstown (que eu ainda iria conhecer, 10 dias depois): retribuí a confiança.
Não, isso não é o banheiro. Não tirei foto do banheiro. Isso aí é o parquímetro: é só passar o cartão (de crédito ou débito) e estacionar na rua. Não tem moedinhas (comos nos EUA), nem talão de zona azul, nem flanelinhas.


O segundo. Numa calçada de Auckland, um banheiro público. Já tinha visto um parecido em Paris, em 1999, que tinha que pagar para usar. Procurei quanto era e onde enfiar o dinheiro. Nada. Então, simplesmente abri a porta. Travei por dentro. Começou uma música-ambiente, clássica. Baixei a tampa do sanitário. Automaticamente, a tampa foi coberta por uma capa de papel que parecia tecido. Usei o sanitário. E agora, onde está o papel? Apertei um botão na parede: zup, zup, zup, zup! Apareceram quatro pedaços de papel. Precisei de mais. Apertei o botão de novo. Apareceram mais quatro pedaços e papel. OK. Me levantei. Automaticamente a cobertura de papel da tampa do sanitário girou, sendo recolhida, e a tampa levantou. Não encontrei onde apertar a descarga. Fui até a pia. Havia três dispositivos com sensores (de calor ou movimento, sei lá). Eu coloquei as mãos embaixo do primeiro, plop, sabão (e, neste instante, tchaa, a descarga funcionou sozinha lá no sanitário), o segundo, água, e o terceiro, rrrr, ar quente para secar. Abri a porta e saí, feliz da vida, me sentindo muito digno, kiwi.


O terceiro. No meio do nada, ao lado de uma estrada a caminho de Wellington (a capital do país), havia uma mesa com bancos e um simpático banheiro químico em forma de lata de refrigerante rosa. Paramos para fazer um piquenique e usar a lata. Nem preciso dizer quais eram as condições de higiene do lugar, ou você ainda não entendeu? Preciso dizer que levamos nosso lixo e deixamos tudo limpinho, como encontramos?
OK, OK, a Nova Zelândia não é perfeita: tem um terremoto de vez em quando. Mas mata muito menos gente do que a chuva, todo ano, no Brasil.


Muitas pessoas me perguntam o porque de eu ter vestido a camisa (e o boné, a meia, a cueca, o broche de lapela, o adesivo no carro etc) da Nova Zelândia. Então, agora eu posso economizar conversa e dizer: "leia no meu blog". Além da dignidade e da simpatia do povo de lá, a paisagem é tuuuudo aquilo que você viu nos filmes do "Senhor dos Anéis" (estive na vila dos Hobbits, que foi cenário dos filmes), nos filmes de "Narnia" e nas séries de TV "Hercules" e "Xena" (cuja protagonista, Lucy Lawless, minha musa, é kiwi).


A Nova Zelândia é o paraíso dos cineastas: é só mudar a câmera de lugar e o cenário muda radicalmente, de praias belíssimas para floresta para deserto com picos nevados para geleiras permanentes, tudo pertinho, em um território compacto. Para os brasileiros, uma grande vantagem do país dos kiwis em relação, por exemplo, com os Estados Unidos ou Canadá, é que você pode esquecer temperaturas em Fahrenheit, peso em libras, líquidos em galões, distâncias em milhas e tamanhos em pés e polegadas. Lá é tudo em bons e velhos metros, centímetros, quilômetros, quilos, litros e centígrados. Fica no Hemisfério Sul (tem até o Cruzeiro do Sul na bandeira), portanto é inverno em julho e verão em janeiro. A única, digamos, desvantagem, é dirigir do outro lado, mas você acostuma rápido, em dois dias. Um pouco mais complicado é ligar o limpador do párabrisa toda vez que se quer dar seta.


Não sei se, a essa altura do campeonato, você já entendeu o que é kiwi. Vamos por partes. Primeiro, kiwi, originalmente, é o nome de uma ave, do tamanho de uma galinha, que não voa, tem um bico fino e comprido e é símbolo da Nova Zelândia. A imagem dele está gravada na moeda de um dólar (do outro lado da moeda, está a efígie da rainha Elizabeth II, chefe de Estado da Nova Zelãndia, Austrália, Canadá, Bahamas, Guiana, Falklands, País de Gales, Irlanda do Norte, Escócia, Inglaterra e muitos outros lugares).
O kiwi parece que é peludo e tem hábitos noturnos: dorme 18 horas, acorda à noite, cisca alguma coisa para comer e volta a se esconder para dormir. Não incomoda ninguém. É dificílimo vê-lo. Mesmo porque, praticamente só existe em reservas ecológicas mantidas pelos próprios Maoris. 


Quem são os Maoris? São os "índios" da Nova Zelândia, que vieram de outros lugares, do Havaí e outras ilhas da Polinésia, por volta do ano 1300, apenas 500 anos antes dos europeus (holandeses, franceses e ingleses). Antes dos homens chegarem, New Zealand ("zea" é mar, em holandês) não tinha nenhum mamífero, apenas pássaros e lagartos. Não existem cobras na Nova Zelândia, pode andar no mato à vontade. 


Os homens trouxeram ratos (e depois, cachorros, gatos, porcos, ovelhas, cavalos, gado, enfim). Os homens dizimaram os Moas, aves de 3 metros de altura, sem asas, pesando 250 quilos de muita carne e sem inimigos naturais nas ilhas. Os ratos quase fizeram o mesmo com os kiwis (outras espécies de aves não tiveram a mesma sorte) e os tuataras. 


Os tuataras são um capítulo à parte. Parecem lagartos de até 75 centímetros de comprimento e até 1,2kg de peso, mas não são. Os cientistas já provaram por A mais B, que os tuataras têm características que os diferem dos lagartos: eles são fósseis vivos e vivem na Nova Zelândia há mais de 200 milhões de anos. São dinossauros. Eles precisam de uma temperatura ambiente entre 5 graus abaixo de zero e 25 graus centígrados para viver (mas podem viver também em temperatura abaixo de 5 graus negativos, hibernando). Os lagartos, de sangue frio, não suportam isso e detalhes dos dentes do tuatara são diferentes dos lagartos ou jacarés ou crocodilos. Não tem nada igual em outro lugar da Terra. Estima-se que, hoje, mais de 50 mil tuataras ainda vivam em santuários nas pequenas ilhas que circundam as duas ilhas principais da Nova Zelândia. Na língua dos Maoris, "tuatara" quer dizer "costas espinhosas".
Agora vamos falar da fruta kiwi. Ela existia na China, no vale do rio Yang-tse, há mais de 700 anos, sabe-se lá com que nome. Era pequena, uma espécie de uva, tanto é que a planta é uma parreira, como a uva. Em 1906 chegaram sementes da fruta na Nova Zelândia. O clima de lá fez bem para ela e ela ficou grandona, peluda, marrom, a cara do...kiwi, o pássaro. Daí ganhou o nome. Em 1962, passou a ser exportada para os Estados Unidos e depois para o mundo todo. Hoje, existem plantações de kiwis em outros lugares, como o Chile e o Brasil, em Santa Catarina, que não são tão grandes quantos as da Nova Zelândia, claro. Ela é a fruta comercial com o maior teor de vitamina C.


Depois da ave e da fruta, "kiwi" passou a se referir a tudo que é da Nova Zelândia, quem nasce lá, o "espírito de lá", o jeito de lá, como o hamburger especial do McDonald's de lá (que oferece emprego aos clientes no papel da bandeja: "Quer trabalhar aqui? Fale com o gerente."). O "kiwi Burger" inclui alface, beterraba (os kiwis põem beterraba em tudo) e ovo caipira, além do pão, carne e queijo. Vejam a embalagem, repleta de outros ícones do povo da Nova Zelândia:
No Brasil, onde tudo é mais devasso, "kiwi" é um homossexual masculino enrustido: por fora é peludo e rude, mas por dentro é frutinha.


Eu sempre me senti esquisito no Brasil. Me lembro de uma ocasião em que fui fazer compras no então supermercado Eldorado (comprado pelo Carrefour). Depois que paguei a compra no caixa é que percebi que não havia pago por uma caixa de leite (12 embalagens) que estava na parte de baixo do carrinho. Eu já estava saindo do mercado. O que eu fiz? Voltei, procurei o gerente e expliquei o ocorrido. Os funcionários ficaram irritados com o trabalho que eu dei para corrigir o problema, só faltaram dizer: "por que você não foi embora com o leite, seu tonto?"


Em outra ocasião, estávamos, a Vivian e eu, num bar na Zona Norte de São Paulo, quando começou uma briga. Voou cadeira. Todo mundo pulou fora e deu calote. Em algum momento, nós nos escondemos embaixo da mesa. Mas, depois que o perigo passou, continuamos calmamente na nossa mesa, comendo e bebendo, depois levantamos para pagar a conta. Fomos os únicos. O dono do bar nos agradeceu.


No Brasil faço parte dos tontos, dos esquisitos, dos manés. É difícil encontrar minha turma. Aqui, motorista de táxi que devolve dinheiro achado de passageiro é herói. Ser honesto, decente, não é normal. Normal é ser "eshperrto", levar vantagem, passar a perna.


Lá, na Nova Zelândia, me senti normal. Descobri que sou kiwi. Eu estava perdido do bando.
Minha esposa e o café da manhã no McDonald's da Nova Zelândia. Olha a decoração na espuma das xícaras, que capricho!



domingo, 5 de junho de 2011

O tio que pesa as frutas no mercado sabe


Já faz algum tempo, uns dois meses, o funcionário que estava pesando as frutas que comprava, no supermercado Futurama, na rua General Jardim, olhou para a minha camiseta, em que estava escrito "New Zealand" e disparou: "Nova Zelândia? Você já esteve lá? É lindo lá, né? Eles foram colonizados por ingleses, né?" Uma pergunta atrás da outra, rapidinho. Eu disse sim para tudo, quase que só balançando a cabeça, pego de surpresa, de olhos arregalados, fui saindo olhando espantado para o homem. 


Tem alunos meus de faculdade e, possivelmente, até colegas professores que não fazem ideia de onde fica a Nova Zelândia. Eu tenho um monte de camisetas, camisa polo, moleton, boné e, no mínimo, um broche de lapela com a bandeira e escrito "New Zealand", todo mundo que me conhece sabe do meu vício, mas são poucas as pessoas com o conhecimento do homem do supermercado ou que demonstram interesse. 


Desde então, selecionei um de meus muitos livretos sobre a Nova Zelândia, em português, com mapas, fotos lindíssimas e informações gerais, inclusive de rotas aéreas, e tenho levado comigo toda vez que vou àquele supermercado. Quero dá-lo ao homem. Mas o homem sumiu. Cada vez que vou, é um funcionário diferente que está na função de pesar as frutas. Não perguntei para os outros sobre ele porque vai ser difícil explicar o que eu quero com ele, não é cobrança, nem reclamação, ele não fez nada de errado. E também, só lembro que ele era moreno e tinha um bigodinho. Ainda tenho fé que vou reencontrá-lo. Não acho que tenha sido miragem nem um contato extraterrestre.


O livreto que pretendo dar para ele é um dos que eu pego às dúzias no Consulado da Nova Zelãndia, na Alameda Campinas, para, justamente, ajudar no trabalho deles de divulgar o país. Este ano ainda não fui lá. Fiquei meio bronqueado, no ano passado, quando a funcionária de lá me disse que só eu iria torcer para a seleção de futebol do país dela na Copa do Mundo realizada na África do Sul. 


Era a segunda vez em toda a história da Copa que a seleção da Nova Zelândia participaria da competição. A maioria dos jogadores eram amadores, um deles, bancário, pediu uma licença ao patrão no banco para poder representar o país na Copa. Outros três, estudavam nos Estados Unidos e jogavam em competições universitárias. Um dos três profissionais, jogava no único time de futebol da Nova Zelândia, o Wellington Phoenix. O time é aceito para participar do campeonato do país vizinho, a Austrália. Os outros dois jogadores profissionais, jogavam na Europa, em times da segunda divisão dos campeonatos da Inglaterra e da Holanda. Nenhum deles é milionário ou tem uma Ferrari ou tem contrato de publicidade com anunciantes de TV.


Pois foi esse timico que não perdeu um único jogo na África do Sul em 2010! Empatou todos! Foi 1x1 Eslováquia, 1x1 Itália e 0x0 Paraguai. No dia do jogo contra a Itália, o meu grito de goool destoou de todos os italianos que se reuniram, como eu com minha família, para assistir ao espetáculo no telão do O'Malley's (um pub irlandês, em São Paulo) bebericando uma Guinness. A Itália ficou com a cara no chão! A azurra ficou burra. Cheios de mega estrelas do Milan, do Roma, de não sei mais onde, um fiasco. Os Paraguaios também ficaram com a cara no chão, não conseguiram fazer nada. Os peitos da Larissa Riquelme arfafam, mas nada de sair um golzinho latinoamericano. 


Os gigantes (em valor, em brio, em raça, em amor ao país) da seleção da Nova Zelândia foram embora para casa invictos! Eu coloquei uma foto deles numa moldura e está na minha estante. Aliás, fiz dois porta-retratos e pensei em ir lá no consulado e doar um para aqueles infiéis, mas mudei de ideia e dei pro Sergião, que apresenta o programa FATV (Futebol Alternativo, na AllTV - www.alltv.com.br ), e ele o usa direto como parte do cenário, muito bem aproveitado.


Algumas pessoas que ficam sabendo da minha paixão pela Nova Zelândia (o "meu corinthians", comparativamente) me perguntam espantadas qual o motivo, o que a Nova Zelândia tem de tão bom. Eu vivo fazendo uma palestra a respeito em cada reunião familiar, sala de aula, conto tudo. Só o tio da fruta me pegou desprevenido, fiquei de boca aberta com ele. Você também quer saber? Eu conto mais numa próxima postagem, não perca. 


Por enquanto, fica assim: lá na foto de cima sou eu de boca aberta, dirigindo na faixa da esquerda pelas estradas da Nova Zelândia, sentado à direita do carro alugado, passando pelo vulcão Ngauruhoe e, abaixo, a foto da gloriosa que está no porta-retrato na minha estante, com orgulho.





segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os carnavalescos batem um bolão

Eu moro perto da sede da Escola de Samba Vai-Vai, em São Paulo, perto o suficiente para me incomodar com os ensaios deles no início de cada ano. Não me considero um mau sujeito, mesmo sendo tanto doente da cabeça quanto do pé.

Também fico pê da vida quando uma rua, no meu trajeto diário, está bloqueada para as atividades dos sambistas, como se fossem donos da rua. 

O que realmente me aborrece é descobrir que a rua está fechada para acesso à Avenida 9 de Julho, já a poucos metros do fim, em frente à Vai-Vai, o que me obriga a fazer um retorno na contra-mão e voltar para o início da rua, perdendo um monte do meu tempo, que já é muito escasso, pois estou sempre no limite, na correria.

Mas, eles são competentes. Este ano, a Vai-Vai ganhou o prêmio de primeiro lugar no desfile das escolas de samba do primeiro time do Carnaval de São Paulo, que foi em março. 

Pois em abril, a rua toda já estava em plena atividade. Várias portas ao longo da rua abrigam oficinas diversas que prestam serviço à Vai-Vai. Eu pude ver gente esculpindo coisas em materiais diversos, fibra de vidro, resina, isopor, madeira. Em outra porta, vi um movimento intenso de carpintaria, pessoas montando cenários e pisos. De uma outra oficina, também na rua ao redor da sede da escola de samba, vinha o som e brilhos de faíscas de estruturas metálicas sendo soldadas. O maior agito.

Exato: já estão fazendo tudo de novo para o carnaval do ano que vem, com um ano de antecedência. Fazem isso todo ano. Tanto eles quanto todas as outras escolas de samba, de São Paulo, do Rio e de sei lá mais onde.

Aí eu vejo no noticiário que os estádios e os aeroportos, além de outras obras necessárias para o Brasil fazer bonito para o mundo na Copa de 2014, estão atrasadas. Algumas nem começaram. O Pelé acha que nós vamos passar vergonha. Eu também. Isso está me tirando o sono. 

A presidente Dilma chamou o competente Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e do Banco de Boston para coordenar tudo, para ver se a coisa anda. Que me perdoe o Henrique, que deve entender muito de Boston, mas a organização da Copa não está dando samba.

Então eu tive a ideia: por que não passar a bola para os carnavalescos? Chamem as escolas de samba! Eles parecem entender mais desse negócio de fazer as coisas com antecedência e fazem bem. O mundo inteiro elogia, nenhum turista volta decepcionado, o carnaval é um orgulho para o brasileiro.

Se a Dilma quiser, eu me ofereço para ir lá na Vai-Vai, por exemplo, e levar um papo com eles, não me custa nada. Se eles toparem, eu vou ficar mais tranquilo. Tenho certeza que o Pelé também. Aí a coisa sai.

terça-feira, 3 de maio de 2011

CARAS de pau!



Como diz o "velho deitado": há malas que vão pra Belém. 


Pois, não fosse meu carro ter quebrado, eu não teria ido a uma oficina mecânica, onde havia uma pilha de revistas velhas, dessas despretenciosas, na sala de espera. Uma delas, era uma revista Caras, do mês de fevereiro de 2011, com a foto acima. 


Foi a entrega dos Screen Actors Guild Awards (mais ou menos como "Prêmios do Grêmio dos Atores da Tela"), uma cerimônia anual em que os próprios atores se premiam, votando uns nos outros. Eu nunca veria essa página da revista Caras se o Jorge (meu carro) não tivesse ido pro hangar, nunca passaria pela minha cabeça comprar ou sequer folhear uma revista Caras. 


Pois eu comprovei que sempre tive razão. Eu peguei uma parte maior da página, para você ter noção do que se trata e como um exemplo de quem está nas outras fotos. Na foto bem do meio, vejam a legenda sob o casal: "Patrick Stewart e a namorada".


Patrick Stewart é um fantástico ator inglês que interpretou o capitão Picard na série de TV Jornada nas Estrelas: A Nova Geração (Star Trek: The Next Generation) durante sete anos e também em quatro filmes para o cinema. Ele também foi o Professor Xavier nos filmes dos X-Men. 


A "namorada" dele, na foto da revista Caras de Pau, é a maravilhosa atriz Marina Sirtis, hoje com 56 anos (29/03), também nascida na Inglaterra, de pais gregos, naturalizada americana, residente em Los Angeles, que foi colega do Patrick Stewart nos sete anos de produção da série e nos quatro filmes, interpretando a conselheira Deanna Troi, sempre sentada ao lado esquerdo do Capitão Picard, na ponte de comando da astronave Enterprise. Eles são colegas de trabalho e amigos desde 1987. E foi nessa condição que foram juntos à cerimônia de premiação do Grêmio dos Atores.


Marina Sirtis é casada, desde 1992, com o guitarrista de rock Michael Lamper. 


Se Marina Sirtis (que os deuses nos livrem) morresse e dependesse de uma identificação pelos coleguinhas jornalistas da revista Caras de Pau, seria enterrada como indigente ou sob a epígrafe "namorada do Patrick Stewart".


Bastava escrever "Screen Actors Guild Awards" no Google para ver uma dúzia de fotos com a legenda "Marina Sirtis AND Patrick Stewart". Aí, googlava-se "Marina Sirtis" e se obteria todas essas informações que dei e muito mais, por exemplo, a extensa filmografia da belíssima dama, a seguir, como singela contribuição à verdade.

Filmes e Series de Televisão

AnoTituloPersonagemNota
2010Make It or Break ItDr. Anna Kleister
2009Annihilation EarthPaxtonFilme de TV
2009The Cleveland ShowGreek ProstituteSerie Animada
2009Three RiversLayla Rahimi
2008Holby City (UK)Lucy Simmonds
2007GrendelQueen WealtheowFilme de TV
2006Without a TraceAlexas SorosSerie Animada
2006GirlfriendsGina Richards
2005Family GuyMarina SirtisSerie Animada
2005The CloserLayla Moktari
2005Star Trek: EnterpriseCounselor Deanna Troi
2003Threat MatrixDr. Nabila Hassan
2001Casualty (UK)Jane Taylor, MP
2000Star Trek: VoyagerCounselor Deanna Troi
2000StargateDr. Svetlana Markova
1999Star Trek: VoyagerCounselor Deanna Troi
1999Earth: Final ConflictSister Margarette
1999The Outer LimitsOlivia 'Liv' Kohler
1998Diagnosis MurderMary Ann Eagon
1998GargoylesDemonaSerie Animada
1997DuckmanAurora AbromowitzSerie Animada
1996-1994GargoylesDemonaSerie Animada
1996Gadgetman (UK)Detective Inspector WalkerFilme de TV
1994Heaven Help UsCarolyn Paris
1987-1994Star Trek: The Next GenerationCounselor Deanna Troi
1990One Last Chance (UK)MariaTV Movie
1987HunterKate Scanlon
1986Room at the Bottom (UK)Carla
1986Call Me Mister (UK)Sally
1986The Return of Sherlock Holmes (UK)Lucrezia
1985Up the Elephant and Round the Corner (UK)Lisa
1982Kelley Monteith (UK)Uncredited
1979Minder (UK)Stella
1979Cinzano CommercialStewardessCommercial de TV
1978Hazell (UK)Melina Stassinopolus
1978The Thief of Baghdad (UK)Harem GirlFilme de TV
1977Who Pays the Ferryman? (UK)Ariadne
1977Raffles (UK)Faustina