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sexta-feira, 19 de maio de 2017

FORA DA MATRIX

Segundo o histórico do YouTube, eu estou viciado no Rui Costa Pimenta desde outubro do ano passado, quando me foi indicado por amigos. Fico ávido esperando o próximo sábado, quando ele grava outro vídeo analisando os acontecimentos políticos da semana. A transmissão é ao vivo, no final da manhã, mas as atribulações da vida em família, com filhos menores de idade, gatos e jabutis, quase nunca me permitem duas horas em frente ao computador nesse horário. Então acabo assistindo à gravação depois, muitas vezes em doses homeopáticas, ao longo de uns dois dias. 

O programa consiste no Rui, presidente do Partido da Causa Operária, falando sobre acontecimentos nacionais e internacionais daquela semana e depois responde a perguntas dos internautas (que participaram ao vivo) e da plateia do auditório onde é feita a gravação.

Eu nunca fiz pergunta nenhuma porque nunca assisti ao vivo. Mas fiquei tão fã, que saí de casa numa noite, durante a semana, para vê-lo pessoalmente no Sindicato dos Professores (APEOESP), na Praça da República, em São Paulo. Vi, cumprimentei e falei para ele que o assistia sem concordar com tudo que ele dizia. Mas assistia mesmo assim, discordando, enfrentando a mim mesmo.



Eu me senti como o Neo, personagem interpretado pelo ator Keanu Reeves, na trilogia de filmes "Matrix". Rui seria o Morpheus, interpretado por Laurence Fishburne, me oferecendo um pílula vermelha para eu enxergar fora do sistema ou a pílula azul para eu continuar confortável no meu mundinho. 


E a pílula vermelha é difícil de engolir. Eu só engoli uns 80%. Talvez um pouco mais. 

O Neo, do Keanu, rearranjando as letras, era ONE (the One, o escolhido, o enviado). No meu caso, eu sou neo mesmo, de novo, de verde. Embora eu já tenha quase a mesma idade que o garoto João Doria Jr., muita coisa que ouço o Rui dizer me choca. 

Eu sou literalmente verde: por preguiça, ainda não fui rasgar a minha ficha de filiação ao PV, de uma época em que eu acreditava em Greenpeace e Al Gore e achava que "we are the world", sem fronteiras (e sem sinal da TIM), uma consciência global. Tem duas "filhas" minhas plantadas nas calçadas do centro de São Paulo (de três, que eu paguei do meu bolso - uns R$ 50 cada muda - e plantei no aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo - saímos pela cidade plantando 450 mudas de árvores,que ficavam estocadas nos fundos da Mansão Matarazzo, na avenida Paulista). A terceira foi depredada na infância, na rua Paim, em frente ao Teatro Maria Della Costa. As duas sobreviventes estão na rua Santo Antonio, atrás do Café Bexiga, e na rua Marques de Itú, ao lado da Santa Casa. Sempre que passo, dou um oi pra elas.

Eu sou idealista. E o PV (local) deixou de ser (ou nunca foi). Virou um apêndice tucano e votou, nas últimas decisões dos parlamentos, sempre ao contrário do que eu penso. Nos EUA, o meu xará, Ralph Nader, parece que se mantém coerente. Os verdes do partido unificado europeu eu sei lá.


Aquilo que eu perseguia, um mundo unificado (coisa de Gene Roddenberry, de Star Trek), não é para este planeta. Só dá para unificar coisas iguais, do mesmo nível. Do contrário, vai ser sempre dominação e submissão, seja Brasil e Paraguai ou EUA e México. Os mexicanos estão na América do Norte, mas do lado de cá do muro, barrados no baile. O dia em que, do Rio Grande pra baixo, até a Patagônia, o povo acordar, engolir pelo menos 60% da pílula da libertação do torpor, o mundo vai virar de ponta cabeça.

Uma das coisas que me atraiu na "pregação do pastor Pimenta" é a defesa da Legalidade (mesmo pregando que a democracia é invenção da burguesia para manter o povo crédulo e dócil), como o Brizola (outro ídolo meu, minha primeira escolha em 1989) fez em 1961, apoiando o cunhado. O PCO defende a Dilma (como eu) como o PT deveria! Para mim, foi um absurdo a bundamolice dos petistas elegerem uma presidenta pela segunda vez, a primeira mulher a ocupar o cargo, e não lutar por ela. E eu não sou petista. Não vou repetir tudo que já escrevi em outra postagem. 

Até onde eu entendi, o PCO não comunga do pragmatismo do PT, não faz conciliação com a direita e ponto final. Tanto é que faziam parte do PT até 1991, como uma corrente interna, até serem expulsos por não concordarem com as alianças com PMDB, com Maluf, com Deus e o diabo. O PCO não está nem aí se não consegue eleger ninguém sendo durão, não se flexionando, sendo utópico total e não chegando a lugar nenhum. Ótimo! É a minha cara. Eles seguem Marx. E eu, sempre fui meio Groucho Marx, que rejeitava um clube que o aceitasse como membro.
Como diria o filósofo Collor, o tempo é o senhor da razão: a cada dia Dilma cresce mais e Temer vai encolhendo até ficar insignificante. Vai chegar o tempo em que os brasileiros vão pedir desculpas a ela. Os petistas mais ainda, por incompetência.

Digamos que eu não fosse totalmente virgem, já que desde o meu primeiro voto na vida, em 1978, dei para o Fernando Moraes (baixei "A Ilha" e "Olga" em PDF) e para o Audálio Dantas (Clementina de Jesus), mas também para o FHC para o Senado (parecia ser melhor opção que o Quércia - eu nunca anulei o voto ou votei em branco em toda a minha vida). Mais recentemente, desde talvez 2011, vinha assistindo, no YouTube, tudo  que encontrava sobre Zeitgeist, Peter Joseph, Jacque Freco, Venus Project e Bernie Sanders. 

Mas Rui remexeu com a minha cabeça, que tem mais de meio século de Beatles e Disney, desde a mãe professora de inglês em casa, embora tenha lido "As Veias Abertas da América Latina" três vezes! Mas chorei quando Disney morreu, em 1966, como se tivesse sido meu avô. Eu tinha 7.

É difícil vestir a carapuça de colonizado. Eu achava que fazia parte do mundo. Tanto faz gostar de Sheryl Crow ou de Almir Sater. De Disney e de Maurício. Mas torço o nariz para Halloween e prefiro Lobato, a Cuca, o Saci, o folclore indígena de Pindorama.

Eu fiz essa charge aí em cima em abril de 2016. É uma visão de futuro (não da ponte).  Estou esperando chegar essa segunda-feira. Mas tenho fé que ela vai acontecer. Ultimamente, parece próxima. 
Depois de assistir cada programa do Rui, eu passo a semana refletindo e lutando internamente. Faz bem. Tira o pó do cérebro. A rejeição tem diminuído. E passei a procurar no YouTube gravações antigas, de quando o Rui era mais magro e penteava o cabelo de lado. 

Ontem à noite assisti a análise dele sobre "os três Getúlio Vargas": o revolucionário dos anos 30 que deu um golpe de estado, o outro golpista dos anos 40, que era fascista, alinhado com Mussolini, tinha polícia política, tortura, fechou o parlamento e partidos políticos, mas também nacionalista e pragmático com os EUA (mandou a FEB lutar contra a Itália - único país da América Latina a mandar tropas para a Segunda Guerra ao lado dos gringos, trocou a base em Natal pela Companhia Siderúrgica Nacional etc) e o "terceiro Getúlio", que se elegeu pelo voto democrático, implantou leis trabalhistas avançadas e se suicidou, em 1954, para evitar um golpe contra si.

Sensacional. É o que tenho assistido na cama, à noite, no tablet ou no celular. Quando alguém me pergunta se eu assisti alguma coisa na televisão, eu tenho que me esforçar pra lembrar se eu tenho televisão em casa. 

Talvez eu não tenha postado nada neste blog desde novembro do ano passado justamente por estar processando as ideias, além, claro, de ter estado ocupado em viagens pela revista Carga Pesada.

Veja abaixo trechos de alguns programas. Se segure para o impacto.














quarta-feira, 16 de novembro de 2016

DONALD TRUMP X CACARECO X CIRO GOMES

Muita gente anda comparando o Donald Trump com políticos de direita ou extrema direita aqui do Brasil. Não vou citar nomes para não poluir o ciberespaço. O que eu acho é que isso é uma sacanagem com o Trump e nem ele merece. Ele até tem pontos positivos e os daqui, nenhum.


INÉDITO: depois dos americanos fazerem história e elegerem o primeiro semi-afrodescendente (já que a mãe do Barack Hussein Obama era W.A.S.P.*) para a presidência, eles acabam de inovar mais uma vez. Pela primeira vez a primeira-dama não nasceu nos Estados Unidos. Melania, ex modelo, hoje com 46 anos (24 de diferença do marido), nasceu quando seu país ainda se chamava Iugoslávia, hoje Eslovênia. O nome dela, originalmente, era Melania Knavs, mas mudou para Knauss, germanizado para harmonizar com Trump (o avô do Donald foi imigrante ilegal nos EUA, vindo da Alemanha) e agora assina Melania Knauss-Trump. Ela será a 47ª "first lady". Além do esloveno e do inglês, ela fala também alemão, francês e sérvio fluentemente. Os conservadores que elegeram o marido dela devem estar "excited". (*WASP= White Anglo Saxon Protestant)

Outra coisa: não acho que o Trump tenha sido eleito por ele ser de direita. Acho que ele nem sabe o que é isso. E nem quem votou nele. Afinal, lá não há opção. A Hillary também é de direita, todo mundo é. It's the American Way of Life. 

E eu acho que o povão votou foi contra isso aí. Não contra a Hillary, nem contra o Obama, mas tudo. Como diria um nobre senador de Roraima, essa porra toda! O voto no Trump foi o voto do contra, o voto de protesto. 

É possível até que uma parte dos eleitores do Bernie Sanders (que teria sido a minha escolha), o primeiro candidato declaradamente um socialista democrata, tenham se aliviado no Trump, o que parece ser uma incoerência.


Em 1959 (quando nasci) o povo da cidade de São Paulo votou no rinoceronte Cacareco (do zoológico da cidade), para vereador. A cédula do voto era um papel em que as pessoas escreviam o nome do candidato e enfiavam na urna. Cacareco foi o mais votado e teve cerca de 100 mil votos. O total de votos do partido mais votado não chegou a 95 mil. Cacareco foi lançado candidato pelo jornalista Itaboraí Martins em protesto pelo baixo nível dos outros 450 concorrentes. 


Não é uma pena que hoje não possamos escrever o nome do candidato na cédula de votação? Foi um episódio célebre e virou referência para análises de votos nulos e de protesto. 
Mesmo eleitíssimo, o bicho não tomou posse, talvez por existir a cláusula que precisa ser alfabetizado. Mas foi homenageado com um brinquedo da Estrela, nos bons tempos em que essas coisas eram feitas no bairro do Belém, em São Paulo. Não acendia luzes, não mexia nada, não precisava de pilha nem bateria, mas tinha um apito interno, só isso. Maravilhoso, não é? Honesto.


Na minha modesta opinião, Sanders cometeu o erro de insistir em disputar uma vaga como candidato do partido Democrata, quando poderia ter continuado a concorrer a eleição como candidato Independente.  

Esta eleição foi atípica de tudo. Trump peitou o partido Republicano inteiro para ser candidato. Só 25% do partido o apoiava. Os medalhões do partido lhe viraram as costas. McCain e Mitt Romney não lhe deram uma palavra de apoio e os Bush tinham candidato próprio, o Jeb Bush, governador da Coxinholândia (Flórida). Trump arrombou a festa dos Republicanos. Encaçapou todos os outros disputantes à vaga nas primárias. E ganhou. Ele poderia ter ganhado sem o partido, não fez diferença nenhuma. Quem ganhou foi o Trump, não o partido Republicano, que torceu o nariz para o candidato o tempo todo.



Hillary Clinton tinha o apoio do sistema financeiro, recebeu US$ 1 bilhão de donativos para sua campanha dos banqueiros de Wall Street, teve apoio total e descarado da mídia (CNN, The New York Times etc) e do mundo inteiro (da Europa, do Brasil, da Ásia, da Oceania... talvez até de Marte!) e de Hollywood em peso! Não tinha como Sanders concorrer com isso e disputar a vaga no partido Democrata. Mesmo assim, ele cresceu, encostou, ameaçou e assustou.

A disputa interna foi tão "sangrenta" que, quando Sanders reconheceu a derrota e pediu a seus eleitores que votassem na Hillary, ela se tornou intragável para muitos deles. Como lá o voto não é obrigatório, ou os eleitores de Sanders não saíram de casa para votar ou, por ódio a Hillary, votaram no Trump. 

Hillary venceu, no voto popular, com 206 mil votos a mais do que Trump. Se fosse no Brasil, estaria eleita. Mas lá não é isso que conta. A eleição "na maior democracia do mundo" é, na verdade, indireta. O povo, voluntariamente, em cada estado, elege "delegados" e o voto desses delegados é que conta. 

Somente em 1988 (ano em que entrou em vigor a Constituição que deveria estar valendo hoje) a progressista cidade do Rio de Janeiro se equiparou à capital paulista e votou, para o cargo de prefeito, no macaco Tião. O chimpanzé do zoológico do Rio recebeu mais de 400 mil votos, ficando em terceiro lugar entre 12 candidatos.


A "candidatura" foi lançada pela revista Casseta Popular e o fato foi registrado no Guinness World Records como o chimpanzé que recebeu mais votos no mundo. Era famoso por ser "mal-humorado" no zoológico e jogava cocô e lama em visitantes, especialmente em políticos (como, por exemplo, Marcello Alencar). Nasceu em 1963 e morreu, de diabetes, em 1996, aos 34 anos. Foi decretado luto oficial de três dias na cidade e as bandeiras do zoológico foram hasteadas a meio pau. Até o jornal francês Le Monde deu a notícia. Uma estátua dele hoje, no zoológico, ainda alegra os cariocas.

Cada um a seu modo, tanto Sanders quanto Trump atraíam a atenção dos descontentes com "o sistema". Hillary era a herdeira do sistema. Por isso, na minha modestíssima opinião, de maneira inusitada, nem Sanders nem Trump precisariam dos partidos Democrata ou Republicano, dos quais o americano médio, distante das regiões cosmopolitas, aquele que perdeu postos de trabalho para a China e a atenção social do Estado desde 1970 (sob Nixon, depois exponenciado pelo neoliberalismo e globalização promovidos por Reagan nos anos 1980) anda farto.

Parece que os dois partidos se esgotaram. Os EUA tem 80 partidos, incluindo o partido Comunista.




TRUMPINHO PAZ E AMOR: Agora que foi eleito, Trump precisa conter a boca para tentar costurar as feridas abertas no País durante a campanha. Se engana quem acha que ele nunca foi político. Antes de 1987 ele já era filiado ao partido Democrata. Aí, mudou-se para o Republicano, onde ficou até 1999, quando foi para o partido da Reforma, sendo candidato à presidência. Em 2001, voltou para o Democrata. Em 2009, mudou-se novamente para o partido Republicano. Entre 2011 e 2012, bateu ponto no partido Independente, depois voltou ao Republicano, onde conseguiu permanecer até agora. Além dos negócios imobiliários, ele recebe mais de US$ 110 mil ao ano de pensão por  participações em 12 filmes de cinema e 14 séries de TV. Ele também tem o próprio programa diário de rádio chamado "Trumped". Entre 1991 e 2009, alguns de seus hotéis e cassinos declararam falência seis vezes. Ele disse à revista Newsweek que usa a lei da falência como ferramenta para renegociar e cortar dívidas.

METRALHADORA GIRATÓRIA: Ciro Gomes tem dito que seus assessores lhe pedem para conter a boca, para poder costurar sua candidatura. Ganhou sua primeira eleição pelo PDS, em 1982, para deputado estadual do Ceará e mudou de partido logo em seguida, para o PMDB, e se reelegeu, em 1986. Foi um dos fundadores do PSDB, em 1988, e se elegeu prefeito de Fortaleza. Dois anos depois, se elegeu governador do Ceará e ficou no cargo entre 1991 e 1994. Saiu para ser Ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco. Em 1996, entrou para o PPS (antigo Partido Comunista Brasileiro) e foi candidato à Presidência, em 1998 (o terceiro mais votado) e em 2002 (ficou em quarto lugar). Foi Ministro da Integração Nacional de Lula e depois renunciou em 2006 para se candidatar a deputado federal do Ceará pelo PSB. Foi eleito e proporcionalmente o mais votado do Brasil, com 16,19% dos votos.  Em 2013 foi nomeado Secretário da Saúde do Ceará. Em fevereiro de 2015, foi contratado diretor da Transnordestina Logística (que constrói uma ferrovia ligando o porto do Ceará ao porto de Pernambuco) e saiu do PSB e entrou no PROS. No mesmo ano, em setembro, sai do PROS e entra pro PDT e diz ser candidato à Presidência.


Algumas pesquisas apontavam que se a disputa eleitoral fosse entre Trump e Sanders, Sanders venceria folgadamente. As mesmas pesquisas, hoje inconformadas, que apontavam a vitória, ainda que mais apertada, de Hillary. A única pesquisa que mostrou a realidade em vez de torcida, foi a do jornal Los Angeles Times/USC: quando o resultado da pesquisa foi divulgado em agosto, apontando a vitória de Trump, causou indignação, principalmente entre seus leitores da Califórnia. Mas acertou.

Qual o problema do Trump? Ele implodiu os Estados Unidos da América e o mundo conforme o conhecíamos. Ele falou contra os mexicanos, contra os imigrantes, contra os muçulmanos, contra os chineses, causou indignação geral entre os mais esclarecidos, os intelectuais, a mídia, os banqueiros, a ONU, o Vaticano... e o meião do país adorou.

Fazia tempo que eles se sentiam esquecidos. Pra todo lado a moda é campanha pelos direitos dos negros, das mulheres, dos negros, dos LGBTS, pró casamento gay, liberação da maconha, salvação das baleias, dos ursos polares... Mas e os caipiras? Estavam se sentindo excluídos. Os brancos pobres conservadores e ignorantes mostraram que têm a força! E isso assusta o mundo!  

Uma frase atribuída a Nelson Rodrigues afirma que "os idiotas dominarão o mundo, por serem maioria". É uma força poderosa que põe medo aos que se lembram do que foi produzido na Alemanha, na Itália, no Japão e outros lugares e está vivíssima hoje em várias partes do mundo.

Quem acompanhou a disputa feroz e o bate boca entre Trump e Hillary durante a campanha eleitoral de um ano de meio (enquanto no Brasil dura só 45 dias!) pode ficar espantado em saber que há apenas 11 anos, em janeiro de 2005, o casal Clinton era convidado ao terceiro casamento dele. É tudo show business.


Durante a campanha da primeira eleição do Obama e parte do seu primeiro mandato, Trump insistiu que Barack não podia ser presidente por não ter nascido nos Estados Unidos. Trump dizia que Obama era queniano como seu pai. Isso alimentou a oposição. Só depois de muito tempo e diz-que-diz em programas de Tv e rádio, que Barack Hussein Obama mostrou ao mundo a sua certidão de nascimento no Hawaii, o 50º estado americano (desde 1959). Agora, Trump diz que ser recebido pelo Obama na Casa Branca "foi uma honra e a conversa poderia ter durado muito mais que uma hora e meia". 

Em um aspecto a eleição do Trump guarda paralelo com o que aconteceu aqui com a eleição do Dória e do Crivella. O povão pobre elegeu um branco rico. Mas aqui esse eleitorado foi multicolorido. Lá nos EUA, os latinos, os muçulmanos, os negros, os gays etc, pobres ou não, obviamente, tentaram eleger quem não lhes prometia o mal.

E olha que os negros não viram vantagem nenhuma em terem um negro na presidência. Eles são o principal alvo da polícia, igualzinho aqui. E são quase a totalidade da população carcerária, "que nem" aqui. E as fábricas foram fechadas, ruas e cidades estão abandonadas, tem desempregados e "homeless" vagando pelas ruas ou alojados em abrigos. A produção das fábricas americanas faz anos que mudou para a China, o México, Filipinas, Honduras, até Vietnã. Não existe uma camiseta que você compre em uma loja lá que seja "made in USA". 

Existem relatos que mesmo empregados do Wall Mart ou McDonald's, em Nova York, ao final do dia de trabalho, vão para abrigos (pagos) porque o que ganham é insuficiente para o aluguel de uma casa ou apartamento. Essa gente prestou muita atenção no que tanto Trump quanto Sanders falaram, cada um a seu modo, contra a globalização, contra a desindustrialização americana. A mesma música que tocou no Reino Unido para os britânicos votarem no plebiscito pela saída da União Européia. 

COM DILMA. Ciro diz que é candidato à Presidência da República nas eleições de 2018, e até tem minha simpatia, mas vai ter? Parece uma ilusão. Enganação. No golpe de 1964, Castello Branco disse que iria colocar só a cabecinha e devolver. Juscelino Kubitschek seria candidato numas tais eleições de 1965. Não só ele teve seus direitos políticos cassados, para não ter chance de ser eleito, como foi morto em 1976. O presidente deposto no golpe, João Goulart, também foi morto em 1976 pela Operação Condor. Eleições diretas só voltaram a acontecer em 1989 e manipuladas pela Globo. Hoje, outro golpe foi dado e a instabilidade é total.


COM AÉCIO. Não faz sentido a Constituição ter sido rasgada e jogada no lixo e alguém sonhar com eleições de novo. Pra quê? Os donos do campo, quando não gostam do resultado do jogo, dão um pé na bunda do eleito e levam a bola embora! Se a democracia não for restaurada com a saída dessa gangue que tomou o poder e este devolvido a quem tem legitimidade, outras eleições não passam de ficção. Acho mais fácil acreditar em Alienígenas do Passado.

O que pode servir de consolo é que, conforme o ex-presidente Bill Clinton afirmou "em off" a uma jornalista na Casa Branca durante seu mandato, "dentro do governo existe um outro governo que presidente nenhum tem controle". 

Isto é, Trump pode ter falado do muro contra o México e metido o dedo no olho dos muçulmanos e chineses durante a campanha pra levantar a galera, mas quando vira presidente, toca pianinho. Obama também falou um monte, falou que iria fechar Guantanamo, que iria reatar com Cuba e blablabla. Mas, no poder, fez muito menos. E ainda ganhou um prêmio Nobel por isso.

O presidente Trump pode ser diferentão, fazer umas piruetas novas para o povão, mas as corporações, o sistema financeiro, os fabricantes de armas, as companhias petrolíferas, a CIA, a NSA, vão continuar a engrenagem. Apesar que, diferente do coitado do Obama, Trump vai ter mais tranquilidade: tem maioria de Republicanos tanto na Câmara dos Representantes, quanto no Senado, quanto entre os juízes da Suprema Corte. Mas ele peitou toda essa gente para sair candidato de si mesmo. 

E se auto financiou: a fortuna dele (dono de hotéis, cassinos, edifícios comerciais e residenciais) é estimada entre 4 e 9 bilhões de dólares (dependendo do ponto de vista, do cálculo e da valorização dos imóveis). Ele podia estar na sombra e resolveu esquentar o topete, por puro ego.


CALOR HUMANO. Ciro (59) é recém-pai de Gael, nascido em 2015, com sua companheira, desde 2013, Zara Castro (32 anos de diferença), que já era mãe de Theodoro (5). Ciro tem outros três filhos, Lívia, Ciro e Yuri, do seu primeiro casamento, de 1983 a 1999, com a ex-senadora do Ceará Patrícia Saboya. Entre 1999 e 2011, ele foi casado com a atriz Patrícia Pillar.


Uma coisa é praticamente certa: se um dia um rinoceronte chamado Cacareco for eleito presidente dos Estados Unidos, ele tomará posse e governará como todos os outros. Como disse o Sinistro Zé Erra, lá eles respeitam o voto do povo e o presidente cumpre todo o mandato. A não ser que o matem.

Desde 1776, oito presidentes americanos morreram durante o mandato: quatro por morte natural e quatro foram assassinados (entre eles, Lincoln e Kennedy). Em todos os casos, o vice assumiu. O mesmo aconteceu quando Nixon renunciou e o Ford (que era o vice que substituiu o vice Agnew que havia renunciado antes - isso é uma outra longa história) assumiu e era ele o presidente quando eu morei na Califórnia, em 1976, quando comemoraram o Bicentenário da Independência.

ACONCHEGANTE? Donald John Trump (o sobrenome significa "trunfo", como em alguns jogos de baralho), sua terceira esposa Melania (naturalizada cidadã americana em 2006) e seu quinto filho, Barron, residem na cobertura do seu próprio edifício de 58 andares, a "Trump Tower", no centro da cidade de Nova York. Parece cenário de um personagem da Marvel. O prédio também é a sede da "Trump Organization" e teve um estúdio completo de TV onde era gravado o programa "The Apprentice" que ele apresentava para a rede NBC. Aos 70 anos de idade, será o mais velho presidente dos Estados Unidos. Ele tem outros três filhos (Junior, Ivanka e Eric) com a primeira esposa, a tcheca Ivana (naturalizada americana em 1988), entre 1977 e 1992, e uma filha (Tiffany) com a segunda esposa (1993 - 1999), a atriz Marla Maples.

Bernie Sanders, 75, poderia ter sido o primeiro presidente judeu (descende de imigrantes da Polônia e Rússia) e socialista. Continua como senador do estado de Vermont.




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

E segue o golpe: AÉCIO PRESIDENTE EM 2017

Assustou?

Acompanhe meu raciocínio.

Fizeram uma reunião e decidiram que a bandeira do momento era "diretas já".  Foi consenso entre PT, CUT, MSTS etc, só não perguntaram pra Dilma e pra mim.  Até o Mino Carta botou diretas já na Carta Capital. Acreditaram no canto da sereia, uma agenda comum de conciliação nacional, uma ideia que também setores da direita quer, e botaram isso nas manifestações de rua, a nova palavra de ordem.  

E quem mais quer diretas já ? Itaúúúú. Aí tem! A direita quer é "direitas já". 

Por que nada pega no Aéreo Never e no Zé Erra?



Publicado em 27 de ago de 2015
Aécio é arquivado na Lava Jato: http://goo.gl/hfvaYQ
Aécio censura jornalistas em Minas: https://goo.gl/i3qY3c
Aécio não repassa R$3bi para a saúde: http://goo.gl/wsmdDh





O que vai acontecer:

O Temer cai até janeiro, metralhado pelo fogo amigo do Cunha, junto com toda a patuleia do PMDB (menos o Zé Erra, que é do PSDB e representa interesses yankees, ganha afago do John Kerry e dólares da Chevron e Shell - e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que é sócio do Itaúúú).

Pro Temer já tá bom, ele não tinha perspectiva nenhuma de ser Presidente da República pelo voto do povo mesmo, então já tá no lucro. Cumpriu a tabela e ainda lustra a vaidade com um quadro na parede da maçonaria.

Com o País acéfalo (sem presidente e vice) com dois anos ainda de mandato a cumprir, está na Constituição cidadã do Ulysses: o Congresso vira Colégio Eleitoral e elege um presidente INDIRETO. 

Quem? Quem? Quem? 



O presidente do PSDB! Aquele que os coxinhas votaram em 2014 e não levou! O perdedor! O que o povo não escolheu, mas dane-se. O Gilmar já está lá como presidente do Tribunal Superior Eleitoral pra garantir isso e o Janot escolheu para ser seu sub um cara de Minas da currutela do Aero maníaco (ele não fez só um, mas dois aeroportos com dinheiro público em terras particulares: Cláudio e Montezuma)!



Ele assume, neto do Tancredo, a Globo solta reportagens chorosas desde o tempo das Diretas Já de 1984, que foram contra, com a Fafá cantando o Hino, e mostra como o destino se cumpriu. Maktub. Emociona os midiotas, se sentem justiçados, assistem com camisa da CBF e vão dormir felizes.

A Folha e Estadão comemoram muito. A Abril (Veja, Exame, Claudia, Nova, até a Abril Jovem, que edita as revistas Disney, vai lançar o personagem Aecim, o abiguim das crianças coxinhas) zera o déficit. 

Os traficantes de cocaína soltam fogos. O helicoca do Perrella passa a fazer vôos regulares entre Paraguay, Bolívia, Colômbia e Ipanema, escoltado pela PF. Desde que paguem o dízimo. 



O Brasil fica lindo. O FMI adora. Tudo privatizado. Até o Corcovado. Depois do Aquífero Guarani, o rio Amazonas será privatizado. Os índios vão ter de pagar para pescar. Será o orgulho dos brasileiros: o maior pesque e pague do mundo! Só não será mais nosso. Um parque aquático será construído, as vitórias-régias vão dançar e cantar, nada como a tecnologia e os efeitos especiais para dar um "up" na mãe natureza. A pororoca (que Amaral Neto, O Repórter, me apresentou na Rede Golpe, durante a outra ditadura) estará disponível para download em mp4.

O juiz Moro será ministro da Justiça. Grampos telefônicos serão oficiais e regra, desde que não pegue ninguém amigo, e prisão para averiguação pode durar infinitamente enquanto o preso não der com a língua nos dentes e fale o que exatamente se quer ouvir dele, mesmo que invente. As faculdades de Direito vão ter de ensinar essas novas regras.
Esse policial do vídeo apareceu morto em março de 2016, na janela de sua casa, com uma gravata enrolada em seu pescoço.

E aí, ele não vai ficar só dois anos. né? 2018 não vai acontecer. Vão votar uma extensão, claro. Enquanto isso, prendem o Lula por causa de caspa na barba e o tornam inelegível pra sempre. Mas também, pra que eleição? Fica mais "direto" eles já colocarem quem quiserem e pronto, pra gente não perder tempo com esse põe e tira.
E ainda fez a tomada de três pinos.

Não contavam que a Dilma não teria seus direitos políticos suspensos e pudesse voltar. Mas a mídia se encarregou de demoniza-la tão perfeitamente que até as criancinhas têm medo de encontrar a Dilma debaixo da cama ou dentro de um armário.

De jeito nenhum eu quero chegar ao final de 2017 e falar "eu não disse? eu não disse?" Eu não quero estar certo. Torço para estar errado em todas as minhas previsões até aqui.

O PT e seus abiguinhos abraçarem "Diretas Já" estão só participando do jogo do golpe. Parecem amadores. Enquanto isso, o Echegoyen bota um capitão do exército à paisana durante MESES infiltrado em todos os movimentos de esquerda cadastrando e sabotando. Profissionais. Temos de tirar o chapéu.

Só tem dois remédios contra tudo isso: ANULA JÁ e VOLTA DILMA! Ninguém está dizendo que é fácil de engolir e doce. Remédio não tem que ser doce, tem que resolver.

Ou a Dilma volta antes de janeiro ou isso aí. O povo só serve pra puxar carroça e pagar impostos. o SUS vai ser pago, aposentadoria difícil e merreca, acaba a CLT, FGTS, férias, 13º, FIES, ProUni, Minha casa Minha Vida, Bolsa Família (só vai ter Bolsa Luis Vutton), Ciência Sem Fronteiras, Mais Médicos, Fome Zero, tchau Brasil que se inseria no mundo! Hello, colony!

Depois de ler tudo isso aí que eu escrevi, meu amigo Chico retrucou:

"Eu acho que só uma coisa poderia causar mais turbulência popular no Brasil do que o mordomo de filme de terror na presidência: botarem o Aécio no lugar dele por qualquer meio que não seja a eleição direta de 2018. Isso levantaria até os defuntos de todos os matizes ideológicos contra as instituições! Seria o suprassumo do descaramento, até os recém-nascidos largariam as tetas das mães pra ir estourar os vidros das agências do Bradesco nas manifestações."



terça-feira, 13 de setembro de 2016

"DIRETAS JÁ" agora é GAMBIARRA!

VOLTA, DILMA!


Se a Dilma não cometeu crime nenhum e foi derrubada por um bando de bandidos, e o capitão dos bandidos foi derrubado agora, a ÚNICA SOLUÇÃO para o Brasil, é o restabelecimento democrático: anulem a farsa do impeachment e VOLTA DILMA! 

Se não for assim, não adianta "diretas já" nem em 2018, pois o VALOR DO VOTO popular precisa ser restaurado. Que adianta o povo votar? Se as elites não gostarem do resultado, elas tiram e põem quem quiser. 

A única maneira de desfazer o errado (e estancar todas as malvadezas planejadas para o Brasil e retrocessos contra o povo brasileiro) é devolvendo o lugar que pertence à Dilma e 54,5 milhões de votos. Aí, sim, se ELA renunciar ou convocar eleições antecipadas ou levar o Brasil ordeiramente até o pleito de 2018, estará restaurada a democracia. 

Outra providência urgente é enquadrar a Globo - senão será um golpe atrás do outro, na hora em que eles quiserem e mandarem os zumbis pra rua bater panelas com camisa da CBF. O poder da Globo é incompatível com a democracia. A Globo manda no Brasil e deve R$ 600 milhões em impostos.

"Diretas já" é continuação do golpe e quem defende isso é golpista. Rui Falcão é golpista, Boulos é golpista, Lindbergh é golpista, LULA é golpista! 

O impeachment precisa ser anulado como única solução para desfazer a ruptura democrática. Não dá pra desfazer um erro cometendo outros. 

Sem a Dilma de volta ao lugar que o a maioria do povo brasileiro elegeu, nenhuma eleição vale mais nada, nem "já", nem daqui a pouco, nem em 2018. O voto é inútil. Não há mais segurança que o eleito não será derrubado por outra farsa. 

Só a Dilma de volta devolve o País à democracia e fica assegurado o mandato do próximo presidente eleito, pelo período previsto em lei, seja quem for. 

"Diretas Já" é gambiarra.


sábado, 10 de setembro de 2016

"TÃO FALANDO QUE É QUE NEM EM 64, SERÁ?"

Esse foi meu amigo do interior ao telefone. Ele mora no interior do estado de São Paulo, um lugar onde a realidade sofre a ação de um filtro. Ele já viajou o mundo inteiro, morou em outro país, mas ainda é paulista do interior. Como eu, de outra cidade, mas é tudo a mesma coisa.

Meus pais, que moram em outra cidade, assinam a Veja e a Folha e assistem Jornal Nacional e Fantástico. Minha mãe assiste novelas, meu pai assiste Datena e futebol. Tem roteador wi-fi em casa pra visitantes. Minha mãe tem um tablet que... fica numa gaveta. 


Quando eu morei lá, até 1983, até a cor não chegava. Meu pai comprou uma TV em cores nos anos 70, uma das primeiras da cidade, mas a cor não acompanhou esse arroubo de modernidade dele. Demorou um tempo, a TV em cores só "pegando" preto e branco.


 O telefone era de manivela. Pedia-se a uma telefonista para fazer a ligação. Tinha um clube para os pretos frequentarem, porque eles não eram admitidos no clube dos brancos. Tinha também uma zona do meretrício, um conjunto de casas específicas onde as putas podiam ganhar a vida sem serem contraventoras. 


Comentários e piadas homofóbicas, machistas, racistas, misóginas e fascistas eram corriqueiras e NORMAL. Exemplo, uma que me martela há décadas a memória: "o que é, o qué? Uma preto, andando de bicicleta, com um real na mão, indo ao Bradesco? Resposta: nada! Preto não é gente, bicicleta não é meio de transporte, um real não é dinheiro e Bradesco não é banco". 

Como eu devo ser anormal ou fora do padrão, eu demorei pra entender a piada, ou ver algum sentido nela. Na verdade, eu fiz uma ligeira adaptação inserindo o real. A versão que eu ouvi originalmente incluía outra moeda, cruzeiro, cruzado, não importa, a ideia era desqualificar seja qual fosse a moeda do Brasil. Isso é SER paulista. 

Até hoje, depois do Obama na presidência dos Estados Unidos e do patrocínio do Bradesco ao Jornal Nacional por anos a fio (para romper o estigmatismo de ter nascido caipira, em Marília, interior de SP, como Banco Brasileiro de Descontos, um banco do povão, uma espécie de Casas Bahia dos bancos), essa gente ainda tem dificuldade para aceitar a bicicleta. Muitos têm dificuldade de aceitar serem brasileiros e querem a separação (isso vem desde 1640, quando Amador Bueno foi aclamado Rei de São Paulo).

SER paulista também é adotar como heróis e símbolos, mercenários que depredaram fauna e flora do Brasil, mataram índios, escravizaram outros, estupraram as índias, saquearam aldeias, não respeitavam fronteiras e tratados e faziam qualquer coisa por ouro e pedras preciosas: os Bandeirantes, que dão nome ao palácio do Governo Paulista, rodovia, avenida, rede de televisão e rádio etc.

Lá na minha cidade, em toda eleição, dois lados se digladiam, não importando quais sejam as siglas partidárias nacionais.  O lado que já foi ARENA e PDS, virou PT e hoje é PSB. O lado que já foi MDB / PMDB e PTB e virou PSDB, hoje é PSD. Não tem coerência nenhuma. Não tem nada a ver com o Brasil. E são as mesmas pessoas ou seus descendentes. 
Não deve ser muito diferente nas outras cidades todas.

A bem da verdade, hoje em dia, algumas siglas nacionais também não têm nada a ver com o planeta Terra. Só como exemplo, PSB é socialista aqui ou na China? 

Mas é um mistério como eu, morando lá, dei meu primeiro voto da vida, em 1978, a Audálio Dantas e Fernando Morais. Tudo bem, nem eu sou perfeito: também votei, naquela eleição, para o Fernando Henrique Cardoso para o Senado, pois me pareceu melhor que a opção Quércia. 


Eu ouvia Tarancón, O Terço, Casa das Máquinas e Rita Lee, além de Beatles, Suzi Quatro, David Bowie e Deep Purple, enquanto meus vizinhos se deliciavam com uma dupla de iniciantes, Chitãozinho e Xororó, trazida pelo prefeito, vindos do norte do Paraná, para tocarem no coreto da praça do Dia do Aniversário da cidade. Nada contra, no entanto. O verso "um fio de cabelo no meu paletó" é antológico!



Mas voltando ao meu amigo que me ligou e fez aquela pergunta, eu respondi: não, é muito pior, já é 1968! 

E como não deu pra explicar em detalhes o que eu quis dizer com minha resposta, resolvi escrever isto aqui, depois eu passo pra ele.

Em 1964 os golpistas de sempre (mídia, FIESP, bancos, CIA, digo, Embaixada dos EUA, igreja - a "Marcha com Deus pela Família") usaram a classe média para encher as ruas "contra a corrupção e o perigo dos comunistas" e os fizeram acreditar que era uma "revolução". 

Os jornais publicaram em suas primeiras páginas que uma tal "democracia" estava sendo restabelecida. Escreveram isso nos livros da história. Alteraram a data do golpe pra não virar piada: foi no primeiro de abril, mas "oficializaram" o dia anterior, 31 de março, pra não ser "comemorado" no Dia da Mentira. Fizeram um trabalho bem feito, meus pais chamam aquilo de revolução até hoje. Imagine o que os russos, os chineses ou cubanos ririam disso. Não existe revolução de direita abiguinho!

Em 1968, com o endurecimento, corte de direitos, censura nas artes, decretação do Ato Institucional número 5, cassação de mandatos de parlamentares, prefeitos e governadores, fechamento do Congresso, nomeação de interventores para os governos dos estados e das capitais, relatos de prisões, torturas, desaparecimentos e mortes... uma parte da classe média aaaahhcordou. Era uma ditadura. Foram para a rua de novo, agora pra protestar e tomar paulada da polícia.

Nós hoje, em 2016, já estamos nesse ponto. Não foi preciso 4 anos para uma parte da classe média perceber que foi feita de besta de novo. Foi quase simultâneo. Certo é que uma parte da classe média nem se percebe, não sabe de sua própria existência, se achar rica, capitalista, tem investimentos em CDB e faz compras online a prazo no cartão.



Mas a parte da classe média em que a ficha caiu, já está protestando nas ruas e contratando advogados pra tirar os filhos da cadeia, já percebeu que se ferrou. Já tem gente cega, só falta aparecer morte. O golpe, desta vez, contra a corrupção e os bolivarianos (upgrade dos comunistas), foi vendido como "impeachment". Tanto contra Jango quanto contra Dilma, inventaram qualquer coisa para tirar quem tinha políticas sociais para o povão e tomar o poder para inverter as prioridades e voltar a roubar dos pobres para dar pros muito ricos.

Mas, porque eu falei pro meu amigo ao telefone que "é pior"? Em 1964 os militares foram chamados pelos golpistas (é errado dizer que foi um golpe militar, não foi - foi um golpe da elite civil de sempre, que conclamou os milicos pra fazer o trabalho sujo por eles) que tiveram que fechar o Congresso, cassar políticos e censurar a imprensa (ainda havia jornalistas, mesmo que os patrões fossem os mesmos de hoje). A maioria do Judiciário era legalista, juízes, promotores e advogados faziam oposição ao descumprimento das leis, à ruptura democrática.

Hoje, não foi preciso nada disso. O Congresso tá no golpe, o Judiciário tá no golpe, a OAB apoia a ruptura democrática, o Mino Carta não é mais o diretor da Veja e, por exemplo, no lugar da coluna do Lourenço Diaféria, na Folha de S. Paulo, tem a do Kim Katanguiri. Até a monarquia, ex família real, apoia o golpe contra a República. 

Falta pudor e sobra escárnio. É um vexame internacional. O Brasil, que queria ser moderno, estando entre as 10 maiores economias do planeta e sediando grandes eventos (jogos panamericanos, copa, olimpíadas e paralimpíadas) mostrou que é muito atrasado. Quase todas as suas instituições falharam em relação ao principal componente de uma nação: o povo. Eu escrevi "quase" porque a Igreja Católica condenou o golpe (Ênio Mainardi, do Antagonista e da Veja, inclusive, chamou o Papa de idiota). Desta vez, foram alguns líderes evangélicos que enganaram o povo, principalmente a Assembléia de Deus Madureira, do Eduardo Cunha.
"Estou, com meu compa, Ricardo, visitando uns parentes dele, em Estocolmo. Não é gente mediana, pelo contrário. Em três ocasiões, na inevitável conversa sobre o golpe de Estado no Brasil, as pessoas começavam rindo, dizendo ser impossível acreditar no fato de Dilma ter sido tirada por permitir e garantir investigação de corrupção no País e substituída pelos corruptos investigados. 
Eles dizem: "Mas o Congresso sabe que ela não cometeu crime algum não sabe? Até nós aqu
i sabemos!" Digo: Dois terços da Câmara e do Senado são formados por corruptos. "Ah....Mas e o povo, sabe disso e nada faz?" Não. 81 % do povo pesquisado não sabe porque Dilma saiu."Mas, como não sabe? Não votaram nela? Ela não foi eleita?"
Cansada, termino de tentar explicar esse jogo imundo, começa tudo de novo: "Mas, e a Justiça? Não há uma Suprema Corte no Brasil?" De novo, eu me esfalfo para explicar, mais esse "detalhe " do golpe! "Mas como assim, o que está acontecendo e possível` ? "E a imprensa, não denuncia?" Novas explicações inúteis. 

Explicar, então, que MiShell Fora Temer, o golpista, é inelegível,
é delatado numa operação da PF contra a corrupção e é informante da CIA ...
Quando falo, entre outras coisas, sobre a entrega do pré-sal - que eles não sabiam que existia - o estupor é geral. Ao final e ao cabo, as pessoas, estarrecidas, fingem acreditar que o que está acontecendo no Brasil é real.
E mudam de assunto quando veem que não consigo mais segurar o choro. Revolta, indignação, inconformismo e, não tem jeito, vou reconhecer: vergonha. Vergonha de ter em meu país, gente tão desclassificada, tão sem caráter, tão desonesta, tão sem vergonha, tão predadora, tão cara de pau, tão safada e tão impune no poder!"
Por: Maria Lúcia de Moura Iwanow

Mas o "pior" ainda não é isso. Os militares do outro golpe, embora do jeito tosco deles, eram patriotas, pensavam no nosso futuro. Mesmo tendo sido apoiados pela CIA, digo, Embaixada do EUA (da mesma maneira que o golpe de 2016), eles amavam o Brasil, ufanistas, queriam que o País crescesse. Eles deram início à Embraer, à Engesa, o Brasil exportava blindados Urutus para o Iraque, fizeram Itaipu, a Transamazônica (e mataram um monte de índios, destruíram a fauna e a flora e a floresta tomou a picada de volta - o jeito tosco deles) porque entendiam que era essencial para o desenvolvimento do país, usinas nucleares (outra tosquice) e tinham uma geopolítica de aproximação com os hermanos vizinhos (afinal, precisavam disso para funcionar a Operação Condor no Cone Sul, que vitimou o Jango, o JK e a Zuzu Angel, todos no mesmo ano de 1976).

Hoje, os golpistas detestam o Brasil. Temer e Serra já eram infiltrados antes. Eram informantes da CIA, ops, Embaixada Americana. Mesmo antes do Glenn Greenwald escancarar para o Fantástico, em 2011, a informação do Edward Snowden de que a NSA (National Security Agency), para a qual trabalhava, espionava os emails e telefones do Ministério das Minas e Energia, da Petrobrás e da presidenta (e também da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, da Christina Kirshner, do Evo Morales etc), Serra e Temer já faziam relatórios sobre a conjuntura política e econômica brasileira para os yankees. Serra prometeu cumprir sua missão de destruir a Petrobrás e entregar o petróleo brasileiro para a Chevron e a Shell. Está tudo em documentos vazados pelo Wikileaks do Julian Assange. A primeira coisa que o governo golpista fez foi romper com os hermanos e sabotar todas as iniciativas de independência geopolítica que Lula e Dilma haviam traçado para inserir o Brasil no mundo, com os BRICS e o banco de desenvolvimento, fundado em Fortaleza, em 2014, que faria concorrência com FMI e Banco Mundial e, no futuro, lançaria moeda de conversão alternativa ao dólar.

Na essência, a missão do tio Sam era eliminar essa "rebelião mundial". Ah, e pegar o petróleo (como sempre fizeram no Iraque, Líbia etc). 

Por tudo isso, é muito pior. Os golpistas de hoje visam o futuro deles mesmos, as contas na Suíça, as empresas de fachada, de lavagem, no Panamá e no Caribe, os apartamentos em Nova York, em Paris, casas em Miami. O povo que se lasque. Conquistas sociais e direitos trabalhistas de décadas são eliminados. O Brasil atrasa vários séculos. Com a ajuda da classe média que bateu panelas e vestiu camisas da CBF feito zumbis sob a voz de comando do Jornal Nacional. 

De positivo, surgem verbetes para os dicionaristas desta época: midiotas, traíras, coxinhas, mortadelas, black blocks (que são infiltrados APENAS nas manifestações anti golpe para provocarem violência e darem boas imagens para a imprensa bombardear os midiotas e fazer seu papel de sabujos).