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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

VENDE-SE REPÚBLICA BARATINHA

Uma praga doméstica sem controle arruína a República por um mísero punhado de dólares.

Acabou, Brasil. SUS, SAMU, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, ProUni, FIES, Pronatec, Pré Sal, Universidades Federais gratuitas, a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro por um estaleiro brasileiro, o Fome Zero, o Bolsa Família, vai tudo pro saco. Tudo isso vai acabar. Tudo que Lula e Dilma fizeram pelo povão. Acabou viajar de avião. O povão vai voltar a viajar de pau-de-arara, a fugir da seca no Nordeste, a pedir esmola.

Pior, não acabou só o que Lula e Dilma fizeram desde 2003. Querem acabar com a CLT, a Petrobrás, o 13º salário, as aposentadorias por invalidez e as pensões, coisas que pertencem aos brasileiros há décadas.

Pior ainda: querem vender tudo pros gringos! Como fizeram com a Vale do Rio Doce, que acabou com o Rio Doce. Como fizeram com FEPASA e a RFFSA e os trens de passageiros sumiram!

Os ricos vão ficar cada vez mais ricos e os pobres vão voltar a ser pobres, sem carteira assinada, sem fundo de garantia, sem poder fazer faculdade, sem Ciências Sem Fronteiras, sem Mais Médicos. O "SUS" vai ser pago! Pobre vai ter de pagar um "planinho de saúde" se quiser qualquer atendimento, até ambulatorial.

Rasgaram a Constituição, acabou a República. Com apoio da Monarquia (membros da ex família real estiveram apoiando o golpe)! Voltaremos a ser colônia. Fomos invadidos e ocupados por infiltrados. O presidente e seu chanceller eram (comprovadamente, com documentos vazados pelo Wikileaks) informantes dos Estados Unidos, trabalhavam para os interesses estrangeiros. Caminhamos para ser um estado associado, como Porto Rico. Não duvidem, as Praça dos Três poderes pode ser transferida para Miami. Tá, exagerei, mas esse é o clima, é o sentimento corrente.
Ninguém discorda que 2015 foi ruim. O que os brasileiros discordam é sobre a causa. Para uns, abobalhados pela mídia, a culpa foi toda da Dilma, do PT, do Lula, dos comunistas e dos bolivarianos. Para outros, melhor informados por outras fontes que não fossem os canais e veículos de comunicação da oligarquia, a culpa do governo existe, mas é bem menor. Os executivos das principais empreiteiras todos presos indefinidamente em Curitiba, pararam a economia do País, criando um efeito cascata. 

Com as empreiteiras sem líderes, as obras pararam, milhares de operários foram demitidos, que deixaram de consumir no comércio para poupar, o comércio deixou de vender, o estoque encalhou, o comércio passou a demitir, cancelou pedidos às fábricas, a produção das fábricas estancou, operários foram demitidos, que deixaram de consumir como antes no comércio... E os bancos deixaram de receber as parcelas dos financiamentos das obras das empreiteiras.

 Além disso, o Congresso Nacional combinou de só votar pautas-bombas e não votar assuntos de interesse do governo (e do País), com a intenção não deixar a Dilma governar e derrubar o governo, apoiados por uma campanha cerrada em toda a mídia, que só falavam em crise para criar mais pânico e indisposição contra o governo. E ainda, já se sabe que veio de fora boa parte do financiamento de "movimentos", "jornalistas" e "economistas", por interesse em quebrar o Brasil e as empresas brasileiras, Petrobrás principalmente, e sabotar todas as associações do País: BRICS, Mercosul e CELAC.


Desde que o Brasil se redemocratizou da outra era das trevas que se discute se a Polícia Militar tem cabimento. Afinal, ela foi criada pela ditadura militar para oprimir o povo, não defendê-lo como servidores públicos que são, a não ser que seja um povo que more em mansões e palacetes, pois é a esse extrato que a PM serve. Como policiamento mesmo, nas favelas e periferia, quem impõe a ordem é o líder dos traficantes, com a conivência do governo. A Polícia Militar não se reciclou para atuar em um período democrático, quando deveria respeitar os direitos do cidadão, previstos na Constituição e outros códigos de leis. Manifestações contra o governo da Dilma foram tratadas a pão-de-ló e sorrisos. A PM garantiu a segurança dos manifestantes, se pedissem, serviriam até leitinho quente. 

As manifestações contra o governo estadual ou o atual governo federal indigno, garantidas pelo mesmo artigo 5º da Constituição, são coibidas a pauladas, bombas de gás e tiros de balas de borracha. Em junho de 2013, o fotógrafo Sérgio Silva, que trabalhava como foto-jornalista cobrindo as manifestações de rua,  ficou cego de um olho por uma bala de borracha disparara por um policial militar EM DIREÇÃO AO ROSTO DELE. Em ação judicial contra o Estado, o juiz Olavo Zampol Júnior negou a indenização ao fotógrafo alegando que a culpa é dele de ter se colocado em perigo. 

Uma segunda pessoa agora, no último dia de agosto de 2016, perde um olho devido à ação violenta da PM paulista contra os manifestantes "fora Temer", inconformados com o golpe que liquidou a democracia e devolveu o Brasil à trevas. É uma estudante de 19 anos, Deborah Fabri, e ficou cega do olho esquerdo por causa de um estilhaço de bomba jogada pela polícia. No Facebook, causou indignação um comentário que fez deboche do fato.


Pior: o comentário cruel sobre a perda da visão da Deborah, não foi um fato isolado. Houve muitos outros. Um grupo, por exemplo, que se entitula "Admiradores da ROTA", escreveu: "ui, perdeu a visão do olho esquerdo, vagabunda... DEVERIA TER PERDIDO A VIDA, CRETINA, ARRUACEIRA!" Seguiram-se vários comentários no mesmo nível, como: "vagabunda, safada, maldita, igual todo petista mortadela, agora fica de vitimismo, bando de imundice". 

Ao mesmo tempo, "jornalistas" como Reinaldo Azevedo, da Veja e Folha, responsabilizaram a ex-presidente Dilma pela perda do olho da Débora. Pior do que isso, em sua coluna na revista Veja, Azevedo questiona a veracidade da agressão contra Deborah: “A causa de agora já tem mártir. A estudante Deborah Fabri, de 19 anos, diz ter tido o olho perfurado por alguma coisa — não está claro por qual coisa — num protesto”. Para terminar, de forma agressiva, escreve que os únicos trabalhadores na rua são os policiais militares — e não os milhares de manifestantes que protestam contra Michel Temer desde segunda-feira (29 de agosto). 


E no dia 2 de setembro de 2016, dirigindo pelo trânsito da cidade São Paulo, ouvindo minha rádio favorita, Band News FM (que, afinal, tem Boechat e Zé Simão), fui ultrajado pela repórter Michelli Trombelli, que entrevistava crianças na faixa dos 5 anos de idade, relembrando episódios que elas, as crianças, pudessem caçoar da Dilma. 

Uma criança falou que a Dilma saudou a mandioca (*) em um discurso e todas as outras crianças fizeram piadas a respeito. Outra contou que era a Dilma aparecer na TV e a mãe corria na cozinha para pegar uma panela e uma colher pra bater na janela. As outras crianças também lembraram o que ouviam os adultos falando da Dilma. 

E assim foi, por um minuto ou dois, as crianças da Michelli zombando da presidenta recém deposta, chutando cachorro morto ainda fresco, fazendo Trombelli da Dilma, com criancinhas dando muita risada. Provavelmente, criancinhas de famílias que moram em casas do Morumbi, ao redor da Band, famílias que nunca tiveram nenhum apreço por algum governo que desse atenção e dignidade para quem não pode morar no Morumbi. Lembrando que Dilma, mesmo derrubada do poder, merece respeito, por ser mulher, mãe, avó e ser humano. 

É fazendo as cabecinhas das crianças assim, que se colhe, no futuro, midiotizados que fazem comentários misóginos, rascistas, fascistas e maldosos sobre uma perda de visão. Criancinhas discipuladas assim garantem audiência, quando adultos, às revistas Veja, IstoÉ, Época, aos jornalões, às TVs. É um trabalho fantástico esse da repórter. Os patrões devem estar satisfeitos. 

Depois de ter lutado contra a ditadura militar, ser presa e torturada por três anos, vencer um câncer e enfrentar um calvário de um ano e meio e um tribunal de inquisição, com 15 horas seguidas de depoimento, aos quase 69 anos de idade, Dilma ainda merecia ser estuprada pelas criancinhas da Michelli? Com a intenção de me fazer entender, ofereço a homenagem acima para a Michelli Trombelli se sentir na pele da Dilma Rousseff, eleita presidenta (lei de 1956, assinada por JK) do Brasil por 54.501.118 votos do povo, boicotada, sabotada e derrubada por 61 votos de uma escória de corruptos pomposos e superremunerados. 

(*) A história da mandioca: a má vontade da imprensa em relação à Dilma, desde sempre, propagou inúmeras piadas cada vez que ela abria a boca, sem que os jornalixos se dessem ao trabalho de ampliarem a sua incultura e a de seu público, A mandioca é nativa do Brasil, os índios descobriram a mandioca e sua enorme utilidade. O nome, inclusive, se originou em uma lenda indígena: a filha do cacique teve uma filha que nasceu com a pele muito clara e o nome dela era Mandi. Mas a bebezinha morreu e foi enterrada no chão da Oca. A mãe chorou muito debruçada sobre a sepultura e, de seus seios (índia não usa sutiã, certo?) pingava leite em cima da sepultura. Tempos depois, nasceu ali uma planta, cuja raiz era branquinha. Os índios a chamaram Mandi Oca. E descobriram as inúmeras utilidades dela, tanto da raiz quanto das folhas, que usaram para tecer cestos, redes e um infinidade de usos, até na sopa do tacacá. Da raiz, amassada e extraída a goma, faz-se a tapioca. Tudo 100% brasileiro, antes da chegada dos europeus, sem importação de trigo. O pãozinho, que todo brasileiro come de manhã, na verdade é europeu e o País gasta dólares para comprar o trigo no estrangeiro. Se os brasileiros comessem tapioca ao invés de pão, o Brasil economizaria. Então, quando a Dilma saudou a mandioca, ela estava fazendo uma referência a tudo isso: uma planta sensacional. O vocabulário chulo e a mente maliciosa, são derivados da burrice coletiva cultivada pela mídia.


Quem são os insetos que arruinaram a República?
Quem foram os juízes da íntegra e idônea Dilma Rousseff?
(em construção)




Aécio Neves (PSDB-MG) – Investigado nos inquéritos 4246 e 4244 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O presidente do PSDB é acusar de receber vantagens ilícitas de empresa contratada pela estatal Furnas Centrais Elétricas. Segundo a denúncia da PGR, recursos irregularmente desviados de Furnas recebiam verniz legal por intermédio de pessoas jurídicas ligadas à irmã do senador tucano. Além disso, ainda de acordo com a acusação, o dinheiro era destinado a contas no exterior, por meio de doleiros, o que configura evasão de divisas. Seu nome faz parte da lista divulgada pela empreiteira Odebrecht que contém 300 nomes mencionados nos documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 23ª fase da Operação Lava Jato. Acusado de quebra de sigilo do Banco Rural na CPMI dos Correios entre 2005 e 2006, a fim de maquiar as contas do banco e esconder o desvio de verba de Furnas, uma empresa subsidiária da estatal Eletrobras, no mensalão mineiro. Poder-se-ia enumerar dezenas de outros casos do tucano mineiro, como acusação de desvio de R$7,6 bilhões da saúde do estado de MG; os "aecioportos" - cerca de cinco - construídos nas terras de sua família, no valor de de R$14 milhões

José Agripino (DEM-RN) – Responde em inquérito aberto pelo STF para apurar o recebimento de propina da empreiteira OAS nas obras de construção do estádio Arena das Dunas, em Natal, para a Copa do Mundo de 2014. Faz parte da lista divulgada pela empreiteira Odebrecht que contém 300 nomes mencionados nos documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

Aloysio Nunes (PSDB-SP) – O senador é investigado por caixa-dois em inquérito cujo número não é divulgado na página do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação foi aberta com base em depoimentos de delação premiada do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, investigado na Operação Lava Jato. Inicialmente, o pedido foi encaminhado ao ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos da Lava Jato no STF.citado nas investigações da fraude de licitações para a malha metroviária de SP, o “propinoduto tucano”. Email em posse da Polícia Federal mostra que Jorge Fagali Neto, apontado como lobista da multinacional francesa Alstom e intermediador de propinas do cartel de trens, sugeriu ao senador o aditamento de US$ 95 milhões a um contrato assinado com o Banco Mundial.

Álvaro Dias (PV-PR): É acusado de lucrar R$37 milhões com propina da CPI da Petrobrás. Dias está sendo investigado, pela compra de uma área no Rio de Janeiro por R$ 3 milhões e, meses depois, vendeu à Petrobrás pelo incrível valor de R$ 40 milhões.

Eduardo Amorim (PSC-CE): Foi condenado ao pagamento de multa de R$ 30 mil por se beneficiar ilegalmente de bem público usado para promover sua candidatura ao Governo de Sergipe em 2014. O prefeito de Itabaiana, Valmir dos Santos Costa (PR-SE), contratou empresa de publicidade para promover aliados às custas da Prefeitura.

Ana Amélia (PP-RS): É acusada de omitir a propriedade de bens móveis e imóveis na declaração feita à Justiça Eleitoral, nas eleições de 2014, incluindo uma fazenda de R$1,9 milhões no Rio Grande do Sul. Acusada de ser favorecida por nepotismo em 1986 quando foi nomeada pelo marido, senador biônico Octávio Omar Cardoso, Cargo em Comissão.

Antonio Anastasia (PSDB-MG): Citado na Operação Lava Jato. O policial Jayme Alves de Oliveira Filho, preso na 7ª fase da Operação Lava Jato disse em depoimento que entregou R$ 1 milhão a Antônio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais e senador eleito, pelo PSDB.

José Aníbal (PSDB-SP): Suplente do senador José Serra, foicitado por um executivo da Siemens como beneficiário de propinas em esquema de corrupção e fraude em licitações nas obras de trens e metrô de São Paulo. O STF “fechou os olhos” para seguir defendendo os tucanos de SP, como vem fazendo com Serra

Ataídes Oliveira (PSDB-TO): Oliveira emprega Virgínia Teresinha de Moura, sua sogra, como funcionária comissionada em seu gabinete no Senado Federal. Esse nepotismo custa ao erário público R$ 8.577,00 mensais.

Omar Aziz (PSD-AM): É alvo de ações civis de improbidade administrativa, ajuizadas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas. Investigado por recebimento de propina da Andrade Gutierrez.

Paulo Bauer (PSDB-SC): condenado por improbidade administrativa de ressarcimento de despesas efetuadas com verbas públicas em decorrência de gastos realizados com campanha publicitária contratada pela Secretaria Estadual das Educação, quando era o secretário responsável, a qual atribuíram escopo de promoção pessoal do administrador público.

Dalirio Beber (PSDB-SC): Foi responsabilizado e multado por diversas irregularidadesconstatadas durante sua gestão na Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (BADESC).

Dário Berger (PMDB-SC): foi condenado pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) a devolver aos cofres públicos o dinheiro gasto com um show que não aconteceu. Condenado a pagar 20 salários de prefeito referente ao uso irregular de um veículo do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf), apreendido pela Polícia Rodoviária Federal em setembro de 2010 com material de campanha e R$ 1.850,00 em dinheiro.

Eduardo Braga (PMDB-AM): investigado por recebimento de propina da empreiteira Andrade Gutierrez. Segundo ex-executivo da Andrade, havia uma combinação, que ocorreu durante os oito anos do governador Eduardo Braga, de pagamento de propina de 10% sobre o valor de cada obra da empreiteira.

Ronaldo Caiado (DEM-GO): é de uma família de escravocratas em Goiás. Sobrinho do pecuarista Antônio Ramos Caiado Filho, que está na  “lista suja”, com empregadores flagrados por prática de trabalho escravo pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ronaldo foi um dos 29 deputados que votaram contra a PEC do Trabalho Escravo em 2012, e tem se pronunciado em favor da mudança da definição de escravidão contemporânea na lei brasileira.

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) – Teve o mandato de governador cassado em ação de investigação judicial por abusos de poder econômico e político, captação ilícita de sufrágio e conduta vedada a agente público. Foi também condenado a pagamento de multa. Recorreu, mas decisão foi mantida. Faz parte da lista divulgada pela empreiteira Odebrecht que contém 300 nomes mencionados nos documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 23ª fase da Operação Lava Jato.

Pedro Chaves (PSC-MS): milionário empresário da educação, Chaves tem íntimas relações com José Carlos Bumlai, pecuarista preso pela Lava Jato. Coordenou a campanha ao Senado do cassado Delcídio Amaral, e teve à sua disposição R$ 9,5 milhões doados por empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato. Tem patrimônio de modestos R$69 milhões.

Cidinho Santos (PR-MT): vice-ministro de Blairo Maggi na Agricultura, Santos é alvo dequatro ações civis públicas movidas pelo MPF e já teve até seus direitos políticos cassados. Investigado na Operação Sanguessuga, que funcionava com parlamentares superfaturando o preço das ambulâncias e desviando o dinheiro recebido, que era dividido entre empresários e políticos. O prejuízo causado pelo esquema foi estimado em R$ 110 milhões.

Ciro Nogueira (PP-PI): investigado na Lava Jato. O doleiro Alberto Youssef, acusado de operar pagamento de propinas e lavar dinheiro para políticos, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o senador Ciro recebeu US$ 150 mil para integrar o partido.

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE): É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras. Por decisão do STF, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar. Faz parte da lista divulgada pela empreiteira Odebrecht que contém 300 nomes mencionados nos documentos apreendidos durante a 23ª fase da Lava Jato.

Cristovam Buarque (PPS-DF): paladino da ética e da educação, o ex-petista já foi denunciado por receber caixa 2 de seu ex-coordenador de campanha, Luiz Fernando Emediato. Emediato disse que Cristóvam recebeu dinheiro de pelo menos uma empreiteira e de um ex-banqueiro, tudo por recomendação de Alckmin em troca do apoio no segundo turno contra Lula. Foi acusado pelo STJ de crime tributário quando governador pelo DF.

Davi Alcolumbre (DEM-AP): é suspeito de corrupção passiva na Operação Pororoca por fraude em licitações, em inquérito do Supremo Tribunal Federal. A investigação apura o desvio de R$ 103 milhões em obras públicas no Amapá.

Eunício Oliveira (PMDB-CE): empresa do senador e ex-ministro Eunício, a Manchester Serviços Ltda., assinou sem licitação contratos que somam R$ 57 milhões com a Petrobrás para atuar na Bacia de Campos, região de exploração do pré-sal no Rio de Janeiro.

Ricardo Ferraço (PSDB-ES): para proteger amigos, Ferraço promete encerrar CPI do HSBC sem fazer analise de dados.

Flexa Ribeiro (PSDB-PA): É alvo de inquérito que apura a prática de crimes contra a administração pública. De acordo com a acusação, o parlamentar participou de esquema de fraude em contratos entre o Governo do Estado do Pará e empresas para realização de obras, construção e serviços de engenharia, que desviou dinheiro público a fim de financiar campanhas eleitorais.



Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN): vinculado ao Escândalo dos Bingos.

Gladson Cameli (PP-AC) – É alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investiga esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.

Hélio José (PMDB-DF): gravações feitas e divulgadas pela internet mostram Hélio José defendendo a indicação de um ex-assessor para o cargo de superintendente da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) no Distrito Federal. Nos áudios, o político diz que nomeia "a melancia que quiser" para o posto e que quem não "estiver com ele" pode "cair fora".

Ivo Cassol (PP-RO): Foi condenado, por unanimidade no STF, em ação penal movida pelo Ministério Público Federal por prática do crime de fraude a licitação. Ivo Cassol foi condenado a 4 anos de detenção em regime semiaberto e ao pagamento de multa

Jader Barbalho (PMDB-PA) – Em 2001, Jader renunciou ao mandato de senador após ser acusado de desviar recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará), da Sudam e do Ministério da Reforma Agrária. Chegou a ser preso por 16 horas pela Polícia Federal sob a suspeita de integrar quadrilha acusada de desviar mais de R$ 1 bilhão desses órgãos. Por isso, desde 2004 foi réu na Ação Penal 374 por emprego irregular de verbas públicas. Complementaram a investigação as ações penais 398, 397, 498 e 653 por peculato e crimes contra o sistema financeiro. No fim do ano passado, Jader entrou na mira da Operação Lava Jato. O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró – preso desde janeiro de 2015 – afirmou em delação premiada que pagou propina de US$ 6 milhões aos senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), ambos do PMDB, em 2006. A suspeita resultou na abertura de um inquérito contra o ex-governador paraense.

Romero Jucá (PMDB-RR) – O senador é alvo de quatro investigações. No Inquérito 3989, da Lava Jato, Jucá responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Ele também é investigado nos inquéritos 3297, 2116, 2963 por crimes eleitorais, de responsabilidade e contra a ordem tributária, apropriação indébita previdenciária e falsidade ideológica. Um dos procedimentos diz respeito à origem e ao destino de R$ 100 mil jogados para fora de um carro por um de seus auxiliares momentos antes de ser abordado pela polícia. O ato ocorreu durante a campanha eleitoral de 2010. O assessor disse que o dinheiro seria usado na campanha de Romero Jucá.

Lasier Martins (PDT-RS): foi repórter da Globo por 27 anos, ganhou fama após receber um choque de uma uva em rede nacional. Além de ser porta-voz da emissora golpista, o eminente pedetista é autor da frase racista “quantos índios no Brasil deixaram de ser índios e hoje são profissionais respeitados?". Uma de suas plataformas de campanha para o Senado foi a aliança com setores do empresariado estrangeiro e nacional.

Benedito de Lira (PP-AL) – É alvo de inquéritos abertos com a Operação Lava Jato da Policia Federal, que investigam esquema de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro com recursos desviados da Petrobras.

Eduardo Lopes (PRB-RJ): articulador político da multimilionária Igreja Universal, é investigado pela Lava Jato.

Lúcia Vânia (PSB-GO): Teve reprovada a prestação de contas referente às eleições de 2000.

Magno Malta (PR-ES): Foram desaprovadas as contas anuais do diretório regional do PR-ES, relativas ao exercício de 2011, quando o parlamentar era o seu presidente. A Justiça Eleitoral determinou que não fossem repassadas ao diretório as cotas do fundo partidário pelo prazo de doze meses. Também envolvido na Operação Sanguessuga.

José Maranhão (PMDB-PB): É alvo de ação civil pública de improbidade administrativa com dano ao erário, movida pelo Ministério Público Estadual.

Marta Suplicy (PMDB-SP) – Em uma delação premiada, alguns executivos da empresa investigada Odebrecht, informaram que Marta Suplicy teria recebido cerca de R$ 500 mil para a sua campanha pelo senado, em 2010, provenientes de um caixa dois. Na época, concorria pelo PT, sigla a qual deixou o ano passado, após afirmar que não conseguiria conviver com tantas corrupções. Ela então passou a assumir a legenda do PMDB, filiando-se ao partido.

José Medeiros (PSD-MT): Em junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por unanimidade abrir inquérito para impugnação de mandato de Medeiros, apontando indícios de fraude na convenção da coligação Mato Grosso Melhor Pra Você (PDT / PPS / PSB / PV) em 2010 no que se refere à suplência do então candidato Pedro Taques.

Waldemir Moka (PMDB-MS): Reportagem publicada pela Folha mostrou que o deputado federal Waldemir Moka (PMDB-MS) gastou R$ 12 mil da Câmara dos Deputados para imprimir 40 mil exemplares de um boletim em que divulga sua candidatura ao Senado. Moka ainda debitou na conta da Câmara uma passagem de ida e volta com a mulher para Nova Iorque.

Sérgio Petecão (PSD-AC): É réu em ação penal movida pelo Ministério Público Federal por crimes eleitorais.

Raimundo Lira (PMDB-PB): Lira, presidente da comissão de impeachment, doou à chapa onde era suplente para o Senado, em 2010, o valor de R$ 870 mil, utilizando recursos que não havia incluído em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral. Tem patrimônio declarado de R$54 milhões.

Valdir Raupp (PMDB-RO) – É réu no processo que tramita há mais tempo no Supremo, entre aqueles que envolvem parlamentares. O ex-governador de Rondônia é réu na Ação Penal 358, por peculato, desde 2003. Raupp é acusado de liderar um esquema que, segundo a denúncia, desviou R$ 10 milhões do governo estadual para grupos de comunicação em troca de apoio político. O senador é réu em outras duas ações penais (383 e 577) por crimes eleitorais e contra o sistema financeiro nacional. É investigado pela Lava Jato nos inquéritos 3982 e 3989, por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva. Ele ainda é alvo do Inquérito 4129 por peculato e formação de quadrilha.

Reguffe (sem partido-DF): Teve rejeitada prestação de contas referente às eleições de 2002.

Romário (PSB-RJ) – O senador é investigado nos inquéritos 4303 por crimes contra o meio ambiente e 4271 por difamação e injúria. Com base em mensagens no celular do empreiteiro Marcelo Odebrecht, a Procuradoria-Geral da República enviou petição ao Supremo para abrir inquérito contra o senador, suspeito de receber caixa dois de campanha na eleição de 2014. De acordo com as investigações, o ex-jogador é suspeito de receber R$ 100 mil da empreiteira Odebrecht, após a eleição vitoriosa para o Senado, em 2014.

Rose de Freitas (PMDB-ES): chefe do governo Temer na Câmara, é braço forte dos golpista, associada à dureza de Geddel Vieira Lima.

Tasso Jereissati (PSDB-CE): governador do Ceará, patrocinou as fraudes e perseguições aos pensionistas e aposentados do Banco Nacional do Nordeste (BNB). Utilizava verbas do Senado para fretar jatinhos, num valor total de R$ 469.068,54 de 2005 até o início de 2009.

Simone Tebet (PMDB-MS): É alvo de ação civil de improbidade administrativa com dano ao erário, ajuizada pelo Ministério Público Federal.

Antonio Carlos Valadares (PSB-SE): Em meio aos estudos fez carreira política pela ARENA ao eleger-se prefeito de Simão Dias em 1966 e deputado estadual em 1970 e 1974 presidindo a Assembleia Legislativa no biênio 1977/1979. 

Vicentinho Alves (PR-TO): É alvo de inquérito que apura crimes na Lei de Licitações

Wilder Morais (PP-GO): outro paladino da ética dentro do partido mais citado na Lava Jato, Morais ainda coleciona participação em esquema de corrupção com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Zezé Perrella (PTB-MG): O parlamentar foi condenado em ação de improbidade administrativa movida pelo MPF à suspensão dos direitos políticos por três anos e a pagamento de multa por ocupação ilegal de apartamentos funcionais, de propriedade da Câmara dos Deputados, na época em que era deputado federal.

Renan Calheiros (PMDB-AL) –  acumula 11 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de dinheiro público e falsidade ideológica. Destes, nove são relacionados ao esquema de corrupção apurado pela Lava Jato e um decorre da Operação Zelotes, que investiga fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em recente delação premiada, o lobista Fernando Baiano, operador do PMDB no esquema roubo da Petrobras, e o ex-diretor da estatal, Nestor Cerveró, acusaram Renan de ter recebido mais de US$ 6 milhões em propina por um contrato de afretamento do navio-sonda. O senador ainda é suspeito de ter recebido R$ 2 milhões do doleiro Alberto Youssef para evitar a instalação da CPI da Petrobras.

Fernando Collor (PRTB-AL) – Foi alvo de inúmeras denúncias de corrupção durante sua inteira carreira política. Único presidente da história do Brasil a sofrer um processo de impeachment, em 1992. Teve indeferido o registro de candidatura a prefeito de São Paulo nas eleições de 2000. Seu nome também aparece na Lava Jato.

Edison Lobão (PMDB-MA) – O Tribunal detectou irregularidades na aplicação dos recursos de um convênio entre o estado do Maranhão e a União, que visava melhorar condições de assistência básica de saúde na região. Parte dos recursos foi utilizada para pagar exame, consulta e tratamento médico domiciliar do senador, então governador do estado. O ex-ministro de Minas e Energia é investigado nos inquéritos 3986, 3977 e 3989, todos da Lava Jato. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que mandou entregar R$ 2 milhões à ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney para campanha de 2010, a pedido de Lobão. De acordo com o ex-diretor, o dinheiro foi entregue pelo doleiro Alberto Youssef.

Acir Gurgacz (PDT-RO) – É réu em ação penal por falsificação de documentos, “lavagem” ou ocultação de bens e crimes de estelionato, obtenção de financiamento mediante fraude e aplicação de recursos oriundos de financiamento de instituição financeira para finalidades diferentes do que previa o contrato ou lei correspondente. O processo corre sob em segredo de Justiça.

Wellington Fagundes (PR-MT): É alvo de inquérito que apura peculato.

Telmário Mota (PDT-RR): milionário latifundiário e exímio machista e agressor de mulheres, foi denunciado em 2015 pela jovem Maria Aparecida Nery de Melo, segundo a qual Telmário “a espancara com chutes e socos com tal violência que a levara ao desmaio”. Sua esposa foi condenada a seis anos e oito meses de prisão por envolvimento no esquema de desvio de verbas públicas que ficou conhecido como “escândalo dos gafanhotos”.

Roberto Rocha (PSB-MA): Tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão uma Representação por Captação Ilícita de Recursos contra Rocha.

Maria do Carmo Alves (DEM-SE): a senadora é íntima de João Alves Filho, também do DEM, que responde a ação penal do STJ por esquema de superfaturamento de obras e desvio de recursos públicos apurado na Operação Navalha.
Fontes: http://www.viomundo.com.br/galeria-dos-hipocritas/altamiro-borges-os-20-senadores-golpistas-com-razoes-para-barrar-a-lava-jato.html e http://www.esquerdadiario.com.br/Perfis-e-crimes-dos-61-senadores-que-votaram-o-golpe-institucional


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

NÃO TEM GRAÇA NENHUMA



















quarta-feira, 6 de julho de 2016

SE O PASSADO NÃO FOSSE TÃO PRESENTE DAVA PRA VER FUTURO

Em 1959, eu nasci. No ano seguinte, nasceu Brasília. A gente tem essa ligação, apesar de eu só ter pisado lá umas duas ou três vezes. Não tem um dia que eu não acorde sem querer saber notícias de lá. 

Quando a cidade foi construída e a capital federal transferida do Rio de Janeiro pra lá, o presidente era o mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira (o JK) e o vice-presidente era o gaúcho João Belchior Goulart (O Jango), eleitos separadamente. Naquela época, presidente e vice não formavam uma chapa e tinham cada um sua votação própria. O vice não "pegava carona" com o titular e tinha seus próprios eleitores, de modo que, com o resultado da eleição, tinham que trabalhar juntos sem ter formado uma dupla antes, sem coligação partidária, sem um ter "puxado voto" pro outro.
JK e Jango.
Nas eleições seguintes, Jango foi eleito de novo vice-presidente (ele tinha sido antes Ministro do Trabalho do conterrâneo Getúlio Dornelles Vargas, e foi quem implantou a CLT e o salário mínimo). O presidente eleito, também independentemente do vice, foi o matogrossense do sul Jânio da Silva Quadros. 

Jânio renunciou em sete meses. Nesse tempo, ele proibiu o uso de biquinis nas praias brasileiras, proibiu rinha de briga de galos e recebeu o guerrilheiro Ernesto "Che" Guevara (médico argentino que lutou na revolução cubana) e o condecorou com a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul. Deve ter sido uma dessas decisões que o antipatizou com "as forças ocultas", como ele disse, que o forçaram a renunciar. 

Provavelmente as "forças ocultas" foram (e continuam sendo) uma mistura de elite (donos de terras e indústrias), mídia, militares, instituições financeiras, empresas multinacionais e embaixada dos Estados Unidos da América. Os conservadores.

Jango estava em viagem oficial na China. Jango era um homem de grande visão, um pioneiro. As mesmas "forças" se amotinaram e se recusaram a empossá-lo na presidência. Hoje, o mundo inteiro quer fazer um negócio da China. Mas, naquela época, os chineses eram os comunistas amarelos. Isso deixava as "forças" de cabelo em pé. Era um tempo de comunismo mais colorido: os soviéticos (a Rússia e muitos países do seu entorno e do leste da Europa) eram os vermelhos e os cubanos viviam de farda verde. 
A China continua sendo uma ditadura de partido único chamado comunista, assim como Cuba, mas tem muito dinheiro, então tudo bem. Todo mundo tem coisas fabricadas na China e isso não é problema. É difícil encontrar alguma coisa nas lojas dos EUA que não seja feito na China por trabalhadores que ganham uma titica e trabalham o dia inteiro. A China tem uma população gigante de 1,3 bilhões, então existe muita concorrência, muita gente querendo um emprego. As condições trabalhistas são desumanas. "Descaninas" também, pois tudo precisa virar comida. Assim, as coisas fabricadas na China são muito mais baratas do que em qualquer país. Com isso, a China desemprega trabalhadores de fábricas de tudo em todos os outros países. Fábricas de brinquedos, de instrumentos musicais, de torneiras, de lâmpadas, de talheres, de tecidos, de calçados, fecham suas portas nos EUA, na Europa e no Brasil. Esses empregos são exportados pra China e ficam só os dos serviços financeiros e do comércio, concorrendo com uma loja xingling do lado. Se o dinheiro continuar fluindo, ninguém se incomoda com esse modelo estranho de comunismo, imprevisto por Marx.

Jango não podia voltar pro Brasil e ser preso no aeroporto pelo juiz Sérgio Moro.. ops! Então ele ficou lá esperando alguém resolver o impasse. Aí as "forças" chegaram num acordo: Jango poderia voltar e ser presidente desde que o regime de governo brasileiro, em 1961, não fosse mais presidencialista como vinha sendo desde 1889 (incluindo os períodos, somados, de 18,5 anos do Getúlio, quando criou a Eletrobrás e a Petrobrás e a Siderúrgica Nacional e os direitos trabalhistas, tudo com muita torcida contra, claro). Inventaram um parlamentarismo de ocasião, com Tancredo Neves (que havia sido Ministro da Justiça do Getúlio) como Primeiro-Ministro, para o Jango ser um presidente menor, com poderes limitados.

Mas a gambiarra durou só dois anos.  Em 1963 um plebiscito, apoiado pelos sindicatos, restaurou o presidencialismo e Jango criou o 13° salário. O jornal carioca O Globo detonou o Jango em editorialão na primeira página. Para Roberto Marinho, Jango era um irresponsável, criando dificuldades para as empresas brasileiras e estrangeiras (na verdade, estas últimas é que importavam), sendo um absurdo os brasileiros trabalhadores trabalharem 12 meses e receberem um mês a mais. Os jornais de São Paulo, Estadão e Folha, foram no mesmo caminho que O Globo mandou. 


Jango chutou o pau da barraca: disse em um discurso em praça pública que iria promover a reforma agrária, distribuir a terra de quem tem muita a camponeses que não tinha nenhuma. E ainda proibiu minha chupeta: minha mãe disse que o presidente Jango proibiu a venda de chupetas pra crianças da minha idade. Quando minha última se arrebentou, eu entreguei os restos mortais e me conformei, afinal, meu dever cívico com minha pátria em primeiro lugar.

Aí os jornais, motivados pelas "forças", convenceram a classe média que as ideias do Jango eram ruins para o país que eles queriam e os coxinhas foram para a rua bater panela, com camisa da seleção, capitaneados pela Liga das Senhoras Católicas e a TFP, que eram os Revoltados Online e o MBL da época. 
Descontados os erros, pois ninguém é perfeito, eles entraram para a História do Brasil como quem: criou a Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobrás, a Eletrobrás, a Consolidação das Leis do Trabalho, o salário mínimo (Getúlio), Brasília e entrada das indústrias automobilísticas (JK), criação do 13° salário e primeira aproximação comercial com a China (Jango), erradicação do Brasil do mapa mundial da fome da ONU, com programas sociais como Fome Zero e Bolsa Família, criação de 18 universidades federais, facilitação de acesso à educação superior, com FIES, ProUni, Pronatec e Ciência Sem Fronteiras, quitação da dívida com o FMI que se arrastava desde a construção de Brasília e triplicada no governo anterior durante a implantação do Plano Real, descoberta de reservas petrolíferas avaliadas em 20 trilhões de dólares, inserção do Brasil nas reuniões do G20, formação do grupo político-econômico BRICS (com Rússia, Índia, China e África do Sul), estreitamento de relacionamento com Mercosul, Unasul, OEA, Caribe, África e Oriente Médio, e vinda da Copa do Mundo de Futebol para o Brasil, pela segunda vez na história, e das Olimpíadas pela segunda vez no Hemisfério Sul (Lula, que foi eleito duas vezes e elegeu sua sucessora também duas vezes, a primeira mulher na Presidência).
Jango estava em território nacional, no Rio Grande do Sul, em pleno exercício do cargo de presidente do Brasil, quando o presidente do Congresso, Auro Soares de Moura Andrade, paulista de Barretos, falou ao microfone "declaro vaga a Presidência da República" e instantaneamente deu posse no poder executivo, temporariamente, ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, que repassou o cargo, 26 dias depois, ao primeiro de 5 ditadores militares que se sucederam, o cearense, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. 

Estava tudo combinado. Os EUA mandaram uma frota naval ficar rente à costa brasileira, com seus canhões apontando para nossa terra, para dar apoio aos militares e civis da mídia e elite e garantir que não houvesse resistência. O golpe foi no dia primeiro de abril, mas fajutaram a História, para que não virasse piada pronta: escreveram nos livros escolares que a "Revolução" (como foi chamado o "impeachment" naqueles tempos) começou no dia anterior, 31 de março de 1964. Tem muita gente tonta que continua chamando aquilo de revolução até hoje. Pior: tem gente que quer que aqueles tempos voltem. Pura ignorância, desinformação ou mau-caratismo. Os mesmos motivos de quem defende impeachment hoje.

O cunhado do Jango (casado com a irmã dele), governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, ficou tão perplexo quanto o presidente pelo descaramento do golpe e se ofereceu, com a Brigada do Sul, a resistir. Mas Jango recusou a ajuda, dizendo que não queria ter derramamento de sangue brasileiro em sua biografia, e se mandou pra sua fazenda no Uruguai. 

Brizola, cassado, teve que ir também, mas os militares brasileiros o perseguiram mesmo no país vizinho e Leonel teve de se exilar mais longe: surpreendentemente, os EUA lhe concederam exílio. Mas depois, foi pra Portugal. Só pode voltar ao Brasil dali 15 anos, no final de 1979, para fundar o PDT e peitar a Globo (esta é outra história) para ser governador, por duas vezes, do Estado do Rio de Janeiro. Único caso na história brasileira de um político que tenha sido governador de dois estados. Brizola morreu em 2004, aos 82, de problemas cardíacos.

Quanto a João Goulart, morreu aos 57 anos quando estava no interior da Argentina, em Corrientes, em 1976, oficialmente, de ataque cardíaco. Existe uma teoria conspiratória de que ele teria sido envenenado. Não houve autópsia antes do sepultamento. Existe um livro que denuncia uma série de mortes semelhantes de políticos, escritores e jornalistas dos países do sul do continente que incomodavam as ditaduras da região. Era conhecida como Operação Condor a atividade conjunta de agentes secretos das ditaduras militares de Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia e Brasil, com apoio da CIA, dos EUA. 

Juscelino Kubitschek, que também teve seus direitos políticos cassados, também morreu no mesmo ano de 1976 em um acidente de carro suspeito. E também em 1976, Zuzu Angel foi morta: essa é uma história de arrepiar. Parece que 1976 foi barra pesadíssima. 

Apenas três anos depois, o ditador Figueiredo impôs uma linda Lei da Anistia: botava-se uma pedra em cima de tudo que aconteceu e estava todo mundo perdoado. Todos os políticos cassados e exilados, como Brizola, Miguel Arraes, Serra, FHC e Gabeira poderiam voltar para o Brasil. E todos os que sequestraram, torturaram, mataram e desapareceram com pessoas civis estavam perdoados tanto quanto quem sobrou inteiro. As famílias do Vladimir Herzog e do Rubens Paiva tinham mais é que comemorar, não é? Da mesma forma os indígenas que sobreviveram ao ataque da Força Aérea a sua aldeia, matando milhares, para que saíssem do caminho para a construção da Rodovia Transamazônica, estavam anistiados. 

Essas coisas não eram contadas nos livros das escolas, nem nos jornais e revistas, e muito menos no rádio e na tevê, já que a mídia foi co-responsável pelo golpe e apoiava a ditadura. Muitos ganharam concessões de TV e rádio pra isso mesmo, como a Globo, em 1965. Mas essa é uma história muito mais longa e escabrosa (tem vários trabalhos universitários e livros a respeito, sendo o mais recente, "O Quarto Poder", do Paulo Henrique Amorim). Essa lavagem cerebral produziu desmemoriados e uma massa cheirosa de zumbis microcéfalos vestidos com a camisa da impoluta CBF e batendo panela, com bobos alegres seguindo atrás, sem noção, num efeito manada.

E agora Jango virou nome do Minhocão: a Câmara de Vereadores de São Paulo acaba de mudar o nome do Elevado Costa e Silva, nome de ditador militar, para Elevado João Goulart. Não vejo a hora da Assembleia Legislativa seguir o exemplo e mudar o nome da Rodovia Castelo Branco. Pelo menos isso. Na Argentina e no Chile, os golpistas sanguinários, torturadores, assassinos, não tiveram a piada da Lei da Anistia: foram julgados, condenados e cumpriram pena. E não são só os que ocuparam a presidência, mas também a matilha de torturadores, médicos legistas coniventes, jornalistas chapas-brancas, empresários financiadores e mamadores, clérigos, toda a porcaria. No Brasil, foram homenageados, dando seu nome até a hospitais! Se ainda fossem nome de açougue ou cemitério, vá lá!
Talvez a maior qualidade e o maior defeito do Lula sejam a mesma coisa: pragmatismo. Até 2001, o Lula sindicalista fazia cara feia e falava duro, era o "sapo barbudo que as elites tinham que engolir", na criação homérica de Brizola. Mário Amato, o Skaf da sempre golpista FIESP da época, ameaçou o Brasil e disse que se Lula fosse eleito presidente, "800 empresários sairiam do País". Ele não contava com a astúcia. "Lulinha Paz e Amor" atacou com sorrisos fartos, apertos de mão, abraços e muita, muita, muita conversa na maciota. Lula virou flex. Foi no velório do Roberto Marinho (golpista e esbulhador do País desde outros carnavais e aquele que mandou manipular o debate em 1989 pra favorecer o Collor) e chorou ao lado do caixão e decretou três dias de luto oficial do Estado. Deixou os bancos e as multinacionais à vontade para terem muuuito lucro, entendendo que a felicidade deles geraria muitos empregos e impostos para dar felicidade também ao andar de baixo, acabar com a fome e a miséria, fazer SAMU, SUS, universidades, levar água pro sertão com a transposição do rio São Francisco, promover o Brasil e as empresas brasileiras aos quatro cantos do mundo, como um caixeiro viajante, simpático, conciliador, falando com Bush, Fidel, Obama, Ahmadinejad, Chaves, Maluf, Aécio (governador de MG), Alckmin, Hollywood (documentário de Oliver Stone, desenho animado de South Park e de Simpsons), Pravda, Granma, Folha de S. Paulo, Deus e o Diabo na Terra do Sol. Nesse aspecto, parecia a ressurreição de Tancredo Neves (este é outra história). E talvez o seu maior erro foi acreditar que seria aceito sem peitar ninguém.  Para os donos da mídia e da FIESP, por exemplo, ele será eternamente o nordestino pobre e sem estudo e sem um dedo que tomou o poder deles, que ocupavam havia 500 anos, e ficou onde não deveria ter ido. E ainda fez sua sucessora, duas vezes seguidas, além do prefeito justamente da capital de São Paulo três vezes! O resultado? Ódio. Uma campanha acirrada inescrupulosa contra ele, a família e amigos, valendo qualquer mentira, qualquer boato, que só vai terminar quando ele morrer ou matarem-no.

Os militares só largaram o osso, em 1985, quando se cansaram. Mas, em conluio com a Globo, impediram que o povo pudesse votar. Vai que o voto saísse do controle e fosse eleito alguém do gosto do povo, como o Brizola, como governador do RJ, em 1982. Então inventaram uma eleição indireta, em que parlamentares que foram eleitos pelo povo escolhiam o Presidente da República. Parecido com o que fizeram agora, de novo, com o Temer, que só recebeu, com certeza, dois votos: o dele mesmo e o de sua recatada e do lar.

O Brasil tem essa estranha inação psicológica: um caso raro de independência sem guerra contra os colorizadores, golpes e derrubadas do governo se sucedem periodicamente e a vida continua normal, os ditadores entram e saem quando têm vontade, golpistas não são condenados e voltam sempre do mesmo jeito, acusando alguém de corrupção para obter a atenção momentânea dos alienados padrões e poderem seguir com suas próprias falcatruas e privilégios eternos. 

Em 1985, a tal eleição indireta escolheu Tancredo Neves e preteriu Paulo Maluf. Sem novidades: embora Maluf fosse da ARENA, renomeado PDS, o partido inventado pelos militares que estavam no poder desde 1964, e Tancredo fosse do PMDB, a Globo apostou nele. Ele fazia oposição aos militares, mas era "flex", palatável pelas elites globais. Mas morreu antes de tomar posse, de problemas de saúde, sob cobertura da Globo minuto a minuto, direto do hospital onde ele agonizava. Assumiu seu vice, também do PMDB, o senhor do Maranhão e Amapá, escritor consagrado da Academia Brasileira de Letras, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa.  

Jose Sarney, como preferiu ser lembrado na história, ficou popular com seu bigodão 
discursando na tevê aos "brasileiros e brasileiras", anunciando corte de zeros no dinheiro que já tinha se chamado Cruzeiro (Cr$) e mudou de nome para Cruzeiro Novo (NCr$), pra virar Cruzado (C$), depois cortou mais zeros pra se chamar Cruzado Novo (NC$) e levar uma surra da inflação de 80% ao mês, chegando a valer, na realidade, uma Merreca (-M$). 

As pessoas que trabalhavam, faziam filas nos supermercados, com vários carrinhos cheios, comprando tudo que o salário desse no mesmo dia que o recebiam, antes que os preços fossem remarcados e perdessem poder de compra. Havia uma corrida frenética nas lojas pra ver quem chegava primeiro nos produtos: o consumidor ou o funcionário com a maquininha de mudança de etiqueta de preços. O governo resolveu tabelar preços e pedir aos próprios consumidores para serem "fiscais do Cruzado" e denunciar lojistas fora da lei. O tabelamento não supria as necessidades dos fornecedores, que passaram a sonegar produtos. As prateleiras apareceram vazias. Parecia a Venezuela. Sarney, esse bolivariano! Já as pessoas que não trabalhavam, ganhavam dinheiro dormindo: aplicavam seu rico dinheirinho no banco num serviço chamado "overnight" e o pegavam na manhã do dia seguinte engordado, limpinho e cheiroso.

Dilma Vana Rousseff, filha de imigrantes búlgados, nascida em BH, não tem meias palavras, não tem jeitinho, não é flex, não faz jogo, não entra em esquemas. Por isso nunca foi política. Foi a única eleita para a presidência a lutar contra a ditadura militar-civil de modo radical. Foi guerrilheira. Ela é prática. Falar não é seu forte. Lutava pela restauração da democracia que nos foi roubada de todos nós. Lutou por nós. Aos 22 anos foi presa e aguentou firme 3 anos de tortura, quando teve o maxilar deslocado por socos de seus torturadores, sem abrir o bico, sem dedar, sem delatar nenhum companheiro, nada. Uma rocha. Depois que saiu da prisão, recomeçou a vida longe de Minas, em Porto Alegre. Foi casada duas vezes, tem uma filha e dois netos. Entrou para o PDT do Brizola e, economista, ocupou cargos públicos na prefeitura de PoA e no governo do RS até ser notada pelo Lula. Ele a convidou para ocupar ministérios no governo federal e no Conselho da Petrobrás e ela mudou de partido, para o PT (mas nunca perdeu a inflexibilidade brizolista). Ela chegou causando ciúme geral na mulherada, Marta Suplicy, Marina Silva, talvez até Luiza Erundina e Heloisa Helena, sabe como são as mulheres com a concorrência! O que que o Lula viu naquela sirigaita?

Com o desastre do Sarney, a Abril e a Globo lançaram o "caçador de marajás" pra ver se colava e os coxinhas e abilolados, seu público fiel, de novo, engoliu mais essa besteira. 

Brizola perdeu no primeiro turno da degola, em 1989, e, a contra-gosto, apoiou Lula no segundo turno levando para ele seus eleitores. Briza achava que Lula não era comprometido com ideologia como ele, e tinha razão. Embora ambos tenham nascido muito pobres, Brizola estudou, leu muito, se tornou advogado, ficou cheio de ideias. Lula continuou sentindo seu estômago e entendendo o que o povão sentia, do que o povão precisava, sem ideologia que não fosse meramente melhores condições de trabalho e dignidade, os fins justificando os meios para chegar lá.

A manipulação do debate final entre Lula e Collor já foi admitida até pelo Boni, então vamos em frente. O caçador de marajás era um marajá, uma farsa total, e confiscou o dinheiro das contas bancária e da POUPANÇA de todo mundo. Não respeito nem poupança, ô povo feito de besta! Enfiaram na cabeça do eleitor que o Lula era comunista e, se ele ganhasse, quem tivesse um quarto vago em casa, ia ser obrigado a dividir com uma outra família de bolivarianos.

Quando Collor renunciou (para evitar o impeachment e perder seus direitos políticos por 8 anos), sua ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Melo, "efetivamente" (que era o cacoete dela quando anunciava na tevê mais um disparate contra o povo) se casou com o humorista Chico Anysio e o vice-presidente, Itamar Franco, do PMDB, assumiu e chamou o sociólogo Fernando Henrique Cardoso para ser ministro da Fazenda, depois substituído por Rubens Ricúpero e também Ciro Gomes. E fizeram o Plano Real.

"Aqui jaz a moeda que acumulou, de julho de 1965 a junho de 1994, uma inflação de 1,1 quatrilhão por cento. Sim, inflação de 16 dígitos, em três décadas. Ou precisamente, um IGP-DI de 1.142.332.741.811.850%. Dá para decorar? Perdemos a noção disso porque realizamos quatro reformas monetárias no período e em cada uma delas deletamos três dígitos da moeda nacional. Um descarte de 12 dígitos no período. Caso único no mundo, desde a hiperinflação alemã dos anos 1920" (Joelmir Beting).
"Joga pedra na Geni, ela é boa de xingar, ela é boa de cuspir", dizia a canção de Chico Buarque, antecipando o que "as forças" incitariam a ser feito contra Dilma.  O preconceito contra ela por parte desse lado atrasado, sujo e obscuro do Brasil começou na primeira eleição dela, em 2010: mulher, petista, divorciada, gorda, dentuça, gerentona, mandona, fala atrapalhada etc etc. Alheio a tudo isso, o povão votou nela e a elegeu, porque o Lula mandou e pronto. Assim que foi empossada "presidenta", os cães da mídia trataram de convencer a opinião pública a caçoar de mais isso, em vez de fazerem seu trabalho de informar que, uma lei federal (n° 2.749) sancionada por JK, de 1956, em vigor, estabelece que se por acaso um dia uma mulher viesse a assumir a presidência da República do Brasil do lado da luz, ela deveria ser tratada como presidenta. Mas aí ela foi reeleita em 2014. Esse povão não entende o que "as forças" querem! Então, o jeito foi armar um esquema pra derrubar a mulher, começando por chamá-la carinhosamente de DilmAnta e espalhar adesivos dela com as pernas abertas para serem "estuprados" pelos torturadores em postos de combustíveis. Teve também a demonstração internacional de falta de educação, quando as elites bem nutridas e abonadas para arcar com o preço dos ingressos nas primeiras fileiras dos camarotes, na inauguração do Itaquerão para a Copa do Mundo, diante das câmeras de TV e autoridades do mundo inteiro, gritaram xingamentos à presidenta, provavelmente como fazem com suas mães, avós e tias em suas casas. A Dilma errou em não fazer cumprir a lei: sem tumultuar a cerimônia da Copa, elegantemente, mandaria identificar todos os xingadores pelas imagens da tevê e os assentos dos camarotes, e os prenderia por desacato a autoridade, pra eles lembrarem com quem estavam falando. Mas, provavelmente, Dilma não tinha quem cumprisse uma ordem assim, já que delegados da Polícia Federal usavam uma foto dela como alvo para prática de tiro e fizeram campanha, abertamente, para o Aécio, nas redes sociais.

O Real (R$) fez a mágica de, finalmente, derrubar a inflação e dar estabilidade ao país e, de quebra, fazer a fama de FHC, que se elegeu presidente e colocar o economista José Serra como Ministro da Saúde. Os remédios genéricos foram a única contribuição positiva desse período, que teve uma liquidação de empresas estatais (Telebrás, Companhia Siderúrgica Nacional, Vale do Rio Doce, Eletrobrás, etc etc etc além do Banespa em São Paulo, privatização de estradas e cobrança de pedágio cumulando com o imposto já pago para o mesmo fim, o IPVA). Tentaram vender também a Petrobrás, chegando a criar uma "Petrobrax" para fatiá-la, como foi feito com a Varig, mas a gritaria foi grande.  

O dinheiro apurado com o varejão das empresas do povo evaporou. Para o brasileiro do andar de baixo, só resultou em serviços tão ruins ou piores e mais caros. Para os brasileiros do andar de cima, o câmbio artificialmente mantido muito próximo do dólar americano (por volta de 1995 até 1997 era US$1/R$1) fez a alegria dos que viajam para o exterior ou importam de tudo. Até a classe média passou a ir fazer o enxoval do bebê em Miami ou Orlando, comprar carrinhos, babadores e mamadeiras. No Brasil, ficou cada vez mais inviável fabricar qualquer coisa. O jeito é importar tudo, até talheres e canecas "made in China".

Um dinheiro apareceu para comprar, um a um, os deputados do Congresso Nacional, para votarem favoravelmente uma emenda constitucional que permitisse a reeleição de FHC. Com a classe de cima sorrindo de orelha a orelha e a mídia favorável, ele foi reeleito para quebrar as finanças do País três vezes e recorrer a empréstimos do FMI.

Lula foi eleito em 2002 e reeleito em 2006 e terminou seu mandato com 87% de aprovação. Um recorde mundial! Até o Obama disse que ele era "o cara, o político mais popular da Terra".

Se pela frente os EUA se faziam de amigo, por trás espionavam os emails e telefonemas da presidenta Dilma, da Petrobrás e do Ministério das Minas e Energia.  Não foi só o Brasil: também a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, o presidente da Bolívia, Evo Morales etc etc, todo mundo grampeado pela National Security Agency (NSA, que o atual ministro das Relações Exteriores interino, Serra, não conhecia). O fato foi denunciado por Edward Snowden e pelo Wikileaks.  Dilma subiu nas tamancas, ficou de mal, cancelou visita de Estado que faria a Washington e denunciou tudo no púlpito da ONU. Não adiantou nada. Três anos depois do escândalo do grampo, já em 2016, ela foi novamente grampeada (desta vez pela própria Polícia Federal do Brasil, que, teoricamente, lhe devia respeito e obediência, a mando de um juiz federal, que entregou o conteúdo obtido por invasão de privacidade, ilegalmente, crime contra a Segurança Nacional,  para ser escrachado no principal telejornal de horário nobre da Globo) e criticada por Edward Snowden. Se o nome disso não for conspiração internacional, o meu nome é Shirley.

Dilma nunca tinha sido candidata a coisa nenhuma. Lula a escolheu e ela foi eleita presidenta da República em 2010 e reeleita em 2014. Fez um primeiro mandato razoável: não eeera assim um Lula, mas também não era um FHC ou Sarney. Já o segundo mandato, não conseguiu nem começar. Foi sabotada desde o dia seguinte à contagem dos votos. A oposição exigiu recontagem dos votos, inspeção nas urnas eletrônicas, impugnação das contas da campanha e, depois de empossada, passou a rejeitar todas as medidas que ela mandava para o Congresso votar e, como se não bastasse, votavam "pautas bombas" destinadas a implodir as finanças públicas e obstruir qualquer necessidade do governo e do Brasil. 


A Operação Lava-Jato foi montada para sabotar a economia do Brasil, desestabilizar o governo, tirar o PT do poder, implodir o BRICS e dar o Pré-Sal para empresas petrolíferas americanas. O juiz Sérgio Moro recebeu treinamento nos EUA. Trancafiar os executivos das principais empreiteiras brasileiras por meses a fio nas masmorras de Curitiba, sem julgamento ou condenação, resultou em paradeira geral em obras, demissões, cancelamento de compras, de produção, mais demissões, em efeito cascata, para provocar insatisfação e revolta no andar de baixo, que seriam os eleitores da Dilma. Moro, o herói dos analfabetos políticos, conseguiu interromper as atividades da Eletronuclear e a construção do submarino nuclear brasileiro, em parceria com a França, que teria a capacidade de patrulhar o pré-sal, ao prender até o Almirante Othon, responsável pelo projeto. Moro caçou petistas e só petistas, ignorando acusações e denúncias sobre políticos de qualquer outro partido, e fez o trabalho de "pavimentar" a terra arrasada para que o Brasil fosse ocupado ou comprado baratinho.
Nos anos que antecederam o golpe de 1964, para sua preparação, foram fundadas duas instituições, aparentemente inocentes e bem intencionadas, chamadas IPES e IBAD. Eram jornalistas, pensadores, escritores, pagos por uma "vaquinha" de empresários de direita, obviamente a FIESP incluída, e também com dinheiro dos EUA. A versão atual da mesma estratégia conspiratória foi mais pulverizada em nomes como MBL, Revoltados Online, O Antagonista, Implicante, além de "profissionais" do jornalismo (afinal, prostitutas também são profissionais) especialmente incumbidos em redações e blogs dos veículos tradicionais de comunicação: jornais, revistas, tevês e rádios.  Uma maneira muito fácil de manter um emprego e ser bem pago é escrever ou falar contra tudo que seja PT. E vice-versa. Ao mesmo tempo, o judiciário inventou suas próprias regras à medida da conveniência. Tiraram da Presidenta da República o direito de nomear quem ela quisesse para o Ministério. E acharam legal autorizar escutas telefônicas dentro do gabinete da Presidência da República e imediata liberação do conteúdo das gravações para ser exibido em rede aberta de televisão. Você consegue imaginar isso em algum outro país? Imagine um juiz que mande grampear o Obama e divulgue a gravação para a Fox. E impeça o presidente dos Estados Unidos de nomear um secretário de Estado. Onde ele estaria cumprindo pena agora? Guantánamo?
A manipulação da classe média branca, galvanizando o ódio ao PT cultivado desde seu nascimento, em 1980 (e a partidos com ideias de esquerda em geral, desde sempre) teve vários protagonistas: mídia (em especial, Globo e Veja, com os demais seguindo), judiciário (Moro e Gilmar Mendes, com procuradores e delegados da PF a reboque), FIESP e maçonaria. Mas, no final, ficou mais evidente que o núcleo do câncer que se espalhou e corroeu a democracia, eram Cunha e Temer, nesta ordem. 

Derrubar Dilma nunca teve nada a ver com "crime de responsabilidade" ou corrupção dela. Muito pelo contrário. Os "coxinhas" foram convencidos, facinho, facinho, a se aliarem aos verdadeiros corruptos e criminosos. Ela, está provado, não fez nada ilegal. Os cidadãos "de bem" foram entorpecidos pela Veja, Jornal Nacional, rádio Jovem Pan, Roda Viva, colunistas sem caráter, etc etc. Enquanto isso, seus manipuladores, sim, desviaram dinheiro, têm contas secretas na Suíça, "offshores" no Panamá, triplex em Paraty, roubam merenda, recebem propina, lavam dinheiro sujo, têm helicóptero que transportam cocaína, constroem aeroportos em fazendas com dinheiro público, nomeiam parentes para cargos diversos para receberem salário sem precisar trabalhar... e escolheram a Dilma como cristo, pra pagar o pato! E os bestas acreditaram babando, como da outra vez (em 1964).

Dilma representa as mulheres, à esquerda, indígenas, negros, LGBTS, todos que se sacrificaram ou foram torturados e mortos pela nossa (ficou provado) frágil democracia defendida pelo escudo da Constituição, a Lei Maior da Pátria. E foi abatida pela bancada da BBB (boi, bala e bíblia), com a Globo na cabeça, os trogloditas da FIESP e muita, mas muita, muita mesmo, munição em dólares. Coincidentemente, a embaixadora dos EUA no Brasil, durante toda a preparação do golpe (assumiu em agosto de 2013), Liliana Ayalde, é a mesma que esteve no Paraguai durante o golpe de lá. Agora, com o serviço feito, ela já foi embora e foi substituída por um embaixador vindo do Afeganistão e que nasceu na Venezuela, Peter McKinley. Dizem que ele é mais especializado em "reconstrução".

Ente as tantas barbaridades que foram grunhidas pelos 367 que votaram "sim" pelo impeachment da presidenta Dilma, no dia 17 de abril (alguns pelas esposas, outros por suas cidades, em homenagem a um torturador, em memória do pai, contra a "corrupção" ou por um Brasil melhor, nenhum pelos motivos alegados no pedido dos "juristas" de algibeira), um deles deu seu voto "por Israel". Foi o que eu achei mais estranho, pois não tinha me tocado que o país que nos chamou de "anões diplomáticos" teria participação no enredo. Eis que uma empresa israelense agora será a responsável pela segurança das Olimpíadas do Rio, sob o comando de um agente do Mossad (o serviço secreto israelense), e o nosso Banco Central está interinamente presidido por um israelense (ele tem dupla cidadania, além de ser sócio do Itaú). Leia mais sobre este assunto aqui (enquanto não é "tirado do ar" como já aconteceu com outro blog).

Fala sério! Ordem e Progresso? Fechar o Ministério da Cultura, fechar a TV Brasil, colocar um bispo pentecostal no ministério da Indústria e Comércio, o Alexandre Frota dar conselhos pra Educação, três ministros já caíram por estarem sujos e outros estão balançando, cortes nos direitos dos trabalhadores, dos aposentados, dos estudantes bolsistas... Por Israel? Um infiltrado, vira-casaca, espião dos EUA? Recatado e dólar! Vai ser esculhambado nas Olimpíadas!
Pela participação no golpe, desde a birra do Aécio menino mimado, o presidente interino de fato Cunha (Temer continua decorativo) deu aos Tucanos o Ministério interino das Relações Exteriores e o Sinistro já assumiu chutando o balde do Mercosul, da Unasul, da OEA, da OMC, da União Africana, anunciando que vai fechar embaixadas pelo mundo (o que significa que a contra-partida também acontecerá: vários embaixadores e cônsules estrangeiros sairão do Brasil, várias empresas que têm negócios em seus países, de exportação e importação, estão ferrados etc etc) e ele diz que o nome do país para o qual ele trabalha chama-se Estados Unidos do Brasil. Mas o Wikileaks nos conta que ele é outro infiltrado (desde que fizeram lavagem cerebral nele em Cornell) e ele trabalha mesmo para a América de cima.  A missão dele é entregar o petróleo e detonar o BRICS. 
Devem estar todos orgulhosos de sua valiosa colaboração para a atual situação do Brasil, né?
Agora tá tudo legal, a revista Veja, a Globo e os jornalões não dizem mais pra você que estamos em crise aqui. Dizem que a crise é lá de fora. Antes, você foi convencido que o resto do mundo estava uma maravilha e a crise era interna do Brasil. Melhorou muito, né?
A maior prova de que a crise vem de fora é o tiro no pé que a Inglaterra se deu. Ao votar no plebiscito pela saída do Reino Unido da União Europeia, o inglês mediano fez o que nem a direita nem a esquerda queriam, nem a Escócia, nem a Irlanda, nem o País de Gales, nem a Ilha de Man. Ninguém. Todas as pesquisas davam que a saída seria rejeitada. Essas pesquisas!! Parece que a maioria não responde pesquisas!  Agora o próprio Reino Unido corre o risco de também ser desunido, pois Escócia já anda dizendo que não quer sair da UE. Como fica? E como prova de que estupidez não tem fronteiras e está em alta, aqui em São Paulo, paulistas fazem marchas enrolados em bandeiras do Estado, na avenida Paulista, defendendo a separação do resto do Brasil. Como eu tenho 50% de sangue mineiro, acho que posso pedir cidadania em Minas se a besteira inglesa for contagiante. Enquanto isso os EUA dão risada, só unindo o mundo (descartando o Trump, que quer um muro separando o México e impedir muçulmanos de entrar): NAFTA, ALCA, TPT... além da OTAN.

Todos os países da Europa, incluindo o Reino Unido e Irlanda, cabem dentro do território do Brasil e ainda sobra muito espaço. Cabem Coréias e Japão. Israel e Palestina somados cabem 6 vezes dentro do Estado de São Paulo. Nenhum país do mundo tem a biodiversidade, a área agriculturável, a riqueza do subsolo (incluindo água) e a estabilidade sísmica e geológica do Brasil. A quem interessa nos desunir, nos desestabilizar? Muitos brasileiros parecem não terem noção. Aqui é bom, por isso veio gente do mundo inteiro ser brasileiro e continua vindo, em paz, e sejam bem vindos.
Por que os BRICS incomodam e estão sob ataque? Sim, isso mesmo que você leu, estamos em guerra e a Globo, a Veja e os jornalões não te contaram nada. 

Só tem um jeito de desfazer a lambança: Dilma reassumir e cumprir seu mandato, para o qual foi eleita, como manda o figurino. Aí a gente limpa nossa imagem no mundo, recuperamos prestígio, confiança dos investidores, das pessoas sérias, mostramos que nossa democracia balançou, mas não caiu. Em 2018, essa gente bacana aí, dos tucanos, do PMDB, do Bolsonaro, da pupila do Itaú, se candidata e tenta ganhar a eleição, fazer o certo, não tomar no grito, isso é muito feio. 

Mas tem outra coisa. Não pode deixar o que aconteceu por isso mesmo como da outra vez, senão dá nisso, farra do boi, fazem de novo. Conspiradores presos, expulsos do país, exilados na Disney (que agora tem uns jacarés legais), pra servirem de exemplo. A mídia toda colocada na chincha, passando tudo a limpo, juiz aposentado por estupidez, por falta de responsabilidade com a Segurança Nacional, por servir aos interesses de uma potência estrangeira. Aí sim, a gente deixa de ser anão, de ser sub-país continental.

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